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Com apenas um médico, Santa Casa de Pirajuí registrou plantão conturbado na quinta-feira |
Mais uma vez, a Santa Casa de Misericórdia de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) enfrenta problemas. Com um médico a menos, foram registrados 200 atendimentos em 12 horas, o que representa o triplo da demanda, uma vez que o rotineiro são 60 consultas por plantão. Deste total, metade estava com dengue ou apresentava indícios da doença.
Após oito horas em observação e à base de soro, uma paciente que aguardava para mostrar o resultado do exame ao plantonista optou por assinar um termo de responsabilidade e ir embora. Segundo a universitária, que preferiu não se identificar, o médico Carlos Marangon se negou a atendê-la. Ele, contudo, diz o contrário (leia abaixo).
“Eu fiquei no hospital das 9h às 17h. Meu exame ficou pronto às 14h, mas o médico se recusava a olhar e me medicar. O enfermeiro falava que estava pronto e ele (médico) virava as costas e dizia ‘não’. Quando deu 17h, eu não aguentava mais e fui para casa”, relatou a jovem, de 21 anos, que esteve na Santa Casa na quinta-feira (18).
Além da estudante, mais cinco pacientes estavam na mesma situação, conforme informou a gerente do hospital, Kamila Bosco. “Três aguardavam desde de manhã e o restante chegou à tarde”, detalhou.
Questionada sobre a situação, ela explicou que não foi possível disponibilizar outro plantonista para quinta-feira, quando ao menos 100 pessoas deram entrada na unidade por estarem infectadas ou com suspeita de dengue. “É uma luta conseguir um médico”.
Epidemia
O aumento de atendimentos que vem sobrecarregando a Santa Casa em Pirajuí tem explicação: o município vive uma epidemia da doença, com 601 casos confirmados até ontem, segundo informou a diretora de Saúde, Yara Marques Falavinha.
O surto da doença é alvo, inclusive, de investigação do Ministério Público, que instaurou inquérito civil para apurar suposta omissão da prefeitura em relação à prevenção e combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti, com base em uma matéria veiculada pelo JC em fevereiro deste ano, a qual apontava três caixas d’água destampadas na rodoviária da cidade e a circulação de um vídeo em redes sociais mostrando pneus sendo mantidos espalhados pelo chão da garagem municipal, a céu aberto, sem proteção alguma contra chuva.
Falha e dívidas
Há menos de dois meses, o hospital ficou duas horas sem atendimento devido a uma falha de comunicação entre os médicos plantonistas. Na época, segundo informou o responsável pela unidade, Gilmar Martinez, a médica que faria o plantão confundiu a data de seu expediente.
A dimensão da situação crítica enfrentada pela Santa Casa foi divulgada há uma semana pelo JC. A dívida com fornecedores ultrapassa R$ 100 mil, além do hospital contabilizar um déficit mensal de R$ 23 mil. Se a situação não for resolvida, a unidade ficará inadimplente e pode até fechar as portas.
‘Ninguém ficou sem atendimento’, defende-se médico plantonista
O médico Carlos Marangon garantiu que, apesar do excesso de pacientes durante o plantão de quinta-feira, foi possível atender a todos.
“Ninguém ficou sem atendimento. As pessoas com suspeita de dengue permaneceram em observação, enquanto eu atendia os casos que chegavam no pronto-socorro. Depois, quando sobrou um tempo, olhei todos os exames”, ressaltou.
“Um médico sozinho para atender cerca de 100 pessoas, mais os que estão em observação por dengue e os internados é algo desafiador. Um absurdo receber uma reclamação desse tipo. Além de ser obrigado a atender grande quantidade de pacientes, ainda é criticado”, finalizou Marangon.