A Campanha da Fraternidade deste ano empregou a frase "Eu vim para servir". O lema internacional dos Lions Clubes é "Nós servimos". A primeira escrita na primeira pessoa do singular e a segunda na primeira pessoa do plural. Refletindo: o que eu posso fazer e o que nós podemos fazer.
Na igreja católica, podemos complementar a frase com a ação pessoal. Eu vim para servir: de ponte entre Deus e meus irmãos; de levar e ou distribuir a Eucaristia; de ajudante na construção de templos para que as pessoas que nele frequentam possam ter as melhores condições possíveis para se relacionarem com Deus, de vendedores de pastéis, macarrão, bingos, almoços, para arrecadar fundos e cestas básicas para as creches, e pessoas carentes, para fornecer sopas e roupas arrecadadas em bazares da pechincha, visando mitigar os sofrimentos dos mais necessitados; de ouvir (os sacerdotes) e perdoar aqueles pecados que tanto dificultam o viver psicológico e social dos irmãos que necessitam dessas atitudes; de orientadores de crianças e jovens, de casais que se preparam para o casamento, mostrando o caminho da dignidade do ser humano, da oração e da fé, da retidão de conduta, das responsabilidades (direitos e obrigações); de consoladores nos momentos de perdas ou doenças; de animadores na organização de quermesses, encontros e visitas importantes, visando diminuir as distâncias entre os que formam a sociedade; de denunciante das diversas situações que excluem as pessoas de uma vida plena e em abundância, como preconizou Cristo.
Quando empregada na primeira pessoa do plural, tem um forte significado de união entre seus pares. Nós servimos para doar e arrecadar fundos para os Lions locais e o Internacional, que destinam esses recursos para as catástrofes mundiais; programa de cirurgias da catarata; na formação de jovens; incentivar qualquer pessoa da comunidade que queira adquirir um título denominado Melvin Jones (nome do fundador do Lions Clube), que faz uma enorme contribuição para as diversas necessidades, de acordo com as prioridades estabelecidas pelo Lions Clube Internacional; aliviar necessidades econômicas das Apaes, Sorri; na compra de equipamentos (setor de fonoaudiologia do nosso Centrinho); na construção em nossa cidade do Lar para Deficientes Visuais (Lar Santa Luzia); das creches que são gerenciadas por abnegados diretores que apenas visam servir aqueles que dependem dessas arrecadações; de vendedores de convites para a consagrada bacalhoada, jantares beneficentes, sanduíches bauru; de arrecadadores de artigos para bazares (roupas, calçados, materiais de higiene, fraldas geriátricas); de captadores de recursos junto aos empresários e pessoas que queiram contribuir nessa missão de servir; de médicos oftalmologistas que receitam e operam gratuitamente deficientes visuais, foco do programa sight first do Lions Internacional.
O grande problema que encontramos é a distância entre o objetivo e a ação da palavra "servir". Como é difícil pessoas que aceitem fazer uma leitura durante uma missa. Como é difícil encontrar nos dias de hoje alguém que queira ingressar num clube de serviço como Lions, Rotary, Maçonaria, numa diretoria de creche, por exemplo. Todos sabem da importância desses serviços. Pensando melhor. Temos servidores públicos municipais, estaduais e federais que têm por obrigação "servir" de diversas maneiras as necessidades das populações como educação, saúde, transporte, policiamento, coleta de lixo, construções de estradas, ruas, edificações, pesquisas científicas, formação de profissionais para atender necessidades em que todo cidadão é beneficiado. Muitos se perguntam: para que eu vim para este mundo? Não há uma resposta satisfatória, mas uma é extremamente consoladora: Eu vim para servir.
O autor é professor da FOB/USP e diretor do Lions Clube de Bauru Centro