Tribuna do Leitor

As estrelas de Fernando Pessoa


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Em Portugal, a Sociedade Independente de Comunicaçao, ou SIC, fundada em 1992, mostra que foi nessa época que parte da televisão portuguesa se tornou independente. Todos os apreciadores de Portugal foram agraciados pelo surgimento desse canal que é o de número 208. Uma estatística feita em 1996 mostra a população portuguesa com 10,5 milhões de habitantes, curiosamente a mesma quantidade de hoje. Isto acontece porque o numero de nenês que nascem é de 12 por cada grupo de 1.000 habitantes, fato que constitui a taxa de natalidade.

Essa taxa se equilibra com a taxa de mortalidade, que é de 10 para cada grupo de 1.000 habitantes. O resultado é que a população se modifica em apenas 0,2 por cento. Talvez uma situação econômica meio apertada tenha colaborado com a diminuição da geração de filhos. Um outro fator que deve pesar é o pavor que temos pelas guerras. Devemos lembrar que foi o solo europeu o local do desenrolar das duas últimas guerras. O que se observa hoje é que o governo português têm tomado medidas estimulantes para a geração de filhos, tais como o aumento da licença dos pais durante a gravidez e o estabelecimento de medidas melhores na legislação trabalhista.

Aqui de longe, nos parece que essas medidas precisam vir a ser mais eficazes para surtir efeito, pois pelo que se nota há, ao mesmo tempo, o surgimento de reclamações acerca da alta porcentagem dos impostos sobre o salário. Ao lado disso, nota-se que a questão da saúde pública gira melhor, a se levar em conta um dos índices mais suscetíveis que é o da mortalidade infantil. Portugal se encontra na faixa de 5,23 crianças que morrem antes de completar o primeiro ano de idade, o que lhe dá a posição 23 dentre os países mundiais. Quando fomos informados que o Afeganistão é o campeão mundial da mortalidade infantil, com seu índice de 194 crianças morrendo no primeiro ano de vida, ou seja, de cada 5 crianças que nascem, uma vai morrer no primeiro ano, ficamos abismados.

Ouve-se falar de grandes avanços religiosos, etc, mas o maior de todos é o cuidado e a atenção que damos às crianças, que não merecem isso. Pessoa era um poeta um pouco taciturno. Talvez seja por isso que ligamos automaticamente o dó que sentimos pelas crianças afegãs com suas belas palavras. Ninguem pode nos acusar de confundir crianças com estrelas. Afinal, uma é a cara de outra. Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo. Há tanto tempo tenho dó delas.

Rui Bertoti

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