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Com Tiradentes insatisfeito e libertador, classe média já reagia

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Com o sonho de implantar uma República com capital em São João Del Rei, em Minais Gerais, e uma universidade no mesmo local, Tiradentes decidiu participar do primeiro movimento para libertar o Brasil de Portugal. Além de demonstrar insatisfação em relação ao regime vigente, a Inconfidência Mineira se aproxima dos protestos anticorrupção, que ocorreram no País entre os meses de março e abril deste ano, pelo fato de a ideia partir de uma classe média (mais abastada).

 

Nada melhor que aproveitar o feriado de Tiradentes para discutir o desejo de mudança, que foi refletido tanto na Inconfidência Mineira quanto nas manifestações mais recentes. 

 

No entanto, é necessário voltar um pouco, mais especificamente em 1789, para compreender a semelhança entre um episódio tão distante e os protestos anticorrupção deste ano. 

 

De acordo com a professora de história Sonia Maria Mozer, Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, porque era dentista prático, nasceu no Brasil. 

 

Muito popular entre os mineiros, ele era alferes, uma espécie de 2.º tenente, de uma tropa que garantia a segurança e o pagamento dos impostos da região mineradora à Portugal. 

 

“Os postos mais altos eram ocupados por portugueses”, acrescenta.

 

Descontente com a impossibilidade de subir na carreira militar, Tiradentes teria chegado à conclusão de que a presença dos portugueses no País era ruim. 

 

Já a elite mineradora, também insatisfeita com a exploração de Portugal, decidiu dar início ao primeiro movimento de libertação da colônia brasileira. 

 

“Tiradentes era membro do grupo, não por fazer parte da elite, mas porque era preciso que houvesse uma pessoa popular”, argumenta a professora.

 

Os membros da elite pretendiam dar início à revolta durante a derrama (quando a região não atingia a cota de ouro, as casas dos moradores eram saqueadas para conseguir toda a quantia estipulada pela metrópole). 

 

No entanto, em 1789, um inconfidente teria traído o grupo (Joaquim Silvério dos Reis) e denunciado o plano ao governador Marquês de Barbacena. 

 

O administrador suspendeu a derrama e prendeu os envolvidos, inclusive Tiradentes. Todos foram condenados à morte.

 

Punição

 

Porém, Dona Maria I, então rainha de Portugal, voltou atrás quanto à punição dos rebeldes, já que muitos possuíam influências políticas. Mesmo assim, decidiu castigar uma pessoa. No dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado no Rio de Janeiro. 

 

Em seguida, o corpo foi esquartejado e espalhado pelos lugares que ele costumava frequentar em Minas Gerais. Um século depois, Tiradentes foi considerado o herói do Brasil.

 

Segundo a professora Sonia Maria Mozer, o sonho de Tiradentes virou realidade democrática e deveria servir de exemplo. 

 

“Para protestar nas ruas, é necessário um determinado nível de informação e conscientização. Todavia, ainda falta um projeto de País, ou seja, pontuar as necessidades de forma específica. Espero que este feriado de Tiradentes abra uma reflexão”, finaliza.

 

Em resumo

 

Nome: Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes)

Data de nascimento: 12/11/1746 na Vila de São José (hoje cidade de Tiradentes-MG)

Órfão de mãe: aos 9 anos

Órfão de pai: aos 11

Data da morte: 21/04/1792, no Rio de Janeiro, enforcado aos 45 anos, acusado de traição a Portugal por defender independência

Feriado nacional: foi criado em 1950 pela lei Lei 1.266, de 8-12. Art. 3º É feriado nacional o dia 21 de abril, consagrado à glorificação de Tiradentes e anseios de independência do país e liberdade individual.

 

Ocupações

 

Segundo o portal e-biografias, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador e tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi alferes (corresponde a um posto das categorias de oficial subalterno ou de cadete|oficial aluno) e, assim, fazia parte do regimento militar do Dragões de Minas Gerais.

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