Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocuparam na tarde desta quinta-feira (23) a Fazenda Paraíso, em Lucianópolis (50 quilômetros de Bauru), segundo informou a Polícia Militar (PM). Os manifestantes, de três acampamentos da região, estavam no local desde a madrugada de sexta-feira.
Mesmo com a reintegração de posse determinada pela Justiça no mesmo dia da ocupação, os sem-terra permaneceram na propriedade rural, que pertence à multinacional francesa Louis Dreyfus, produtora de laranja. O grupo deixou a área de forma pacífica, de acordo com a PM.
Os manifestantes reivindicam uma audiência pública com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério Público do Trabalho (MPT), para agilizar a desapropriação da fazenda, uma vez que a propriedade é alvo de diversas denúncias de trabalho escravo, apontadas pelo próprio MPT, segundo alegou os líderes do movimento. O apontamento, contudo, não foi confirmado pelo procurador do MPT, Luís Henrique Rafael.
Incra
Segundo informou o Incra através de nota, o superintendente do Instituto em São Paulo, Wellington Diniz Monteiro, atendeu a um telefonema na quarta-feira (22) de liderança do MST para tratar da ocupação na fazenda Paraíso.
Diniz disse que se houvesse indícios de trabalho análogo à escravidão, nesta ou em outras áreas, o Incra “envidaria todos os esforços para disponibilizar esses imóveis à reforma agrária, conforme prevê a legislação vigente”. Garantiu, ainda, que a reunião solicitada pelo movimento está sendo articulada pelo ouvidor agrário do Instituto, Camilo Terra, com prazo de ser realizada em até uma semana.
Louis Dreyfus
A Louis Dreyfus Commodities lamentou a ocupação e informou, através de nota expedida pela assessoria de imprensa, que a propriedade em Lucianópolis “é produtiva e fomenta emprego e renda na região. As atividades desenvolvidas no local cumprem toda a legislação em vigor”.