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Marcha pede penas mais duras contra maus-tratos a animais

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Ativistas Thaís, Leandro e Fátima pedem para que manifestantes não levem seus animais

Penas mais duras para autores de maus-tratos a bichos. Essa é a principal reivindicação da Marcha de Defesa Animal, que acontece, simultaneamente, em Bauru e em centenas de outras cidades do País, neste domingo, dia 26. A concentração do ato está marcada para 14h, no Parque Vitória Régia. A caminhada deve seguir até a Praça da Paz e retornar ao ponto inicial.

 

Os manifestantes estarão vestidos de branco e portarão faixas e cartazes que estamparão as bandeiras do movimento de abrangência nacional. Apitos e outros objetos emissores de som serão utilizados.

 

Organizadores esclarecem que os manifestantes adeptos da causa não devem levar seus animais para o protesto. 

 

“O trajeto é relativamente longo e estará muito calor. Os animais sofrem mais do que os humanos com as altas temperaturas. Além disso, haverá muito barulho”, explica a bióloga Fátima Schroeder, da ONG Naturae Vitae, apoiadora do ato.

 

ATÉ 30 ANOS

 

O movimento nacional pede alteração da lei que prevê penalidades a autores de crueldades contra animais, como maus-tratos, tortura e rinhas, ampliando o tempo de prisão para até 10 anos. O grupo quer também pena de até 12 anos para crimes de abuso sexual (zoofilia) e de até 30 para os casos em que houver morte do animal.

 

A legislação atual impõe pena de detenção de três meses a um ano. O tempo pode ser ampliado em até um terço caso o bicho morra.

 

“É tudo muito brando. A mulher que, recentemente, matou o cachorro com uma faca, aqui em Bauru, deve sair ilesa. Temos vivenciado muitas barbaridades e os casos estão, cada vez mais, vindo a público. Sabemos que é algo complexo, que depende do Congresso Nacional, mas a nossa mobilização já é um passo importante”, diz Fátima.

 

Ativista e advogada, Thaís Viotto explica que os autores de maus-tratos, muitas vezes, sequer são processados, pois são contemplados pela transação penal, firmada junto ao Ministério Público. “Acabam pagando cestas básicas ou prestando serviços à comunidade”.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS

 

A marcha reivindica ainda a efetivação de políticas públicas em prol dos animais, por meio de campanhas de castração e vacinação gratuita e com a construção de hospitais veterinários públicos.

 

Segundo Fátima Schroeder, o cenário da causa animal é “traumático” em Bauru. Ela pondera que, agora, a prefeitura dará início a um programa de castração. “Mas é voltado apenas para os animais de pessoas muito carentes, que estão no Cadastro Único do governo federal. As ONGs e os protetores independentes ainda não têm respaldo”.

 

A ativista afirma que, diante do volume de problemas enfrentados, as ações do poder público são insuficientes. “Para tentar amenizar isso, nós fazemos um trabalho de ‘formiguinha’ importante, mas que não dá conta da demanda”.

 

OUTRAS PAUTAS

 

Outra reivindicação do ato deste domingo é o aumento da pena para o tráfico de animais silvestres e a revogação da legislação que permite a posse, pela população, desses animais de origem ilegal.

 

O grupo também é contra o uso de cães para guarda e segurança de estabelecimentos comerciais, bem como os testes de medicamentos, cosméticos e quaisquer outras substâncias químicas ou que provoquem sofrimento em animais.

 

O ativista Leandro Tessari, que representa a Ong SOS Cerrado, pontua que, durante a manifestação, serão discutidos ainda temas como o vegetarianismo e o veganismo.

 

Camisetas

 

A mobilização nacional pela Marcha de Defesa Animal produziu camisetas para o ato deste final de semana. Interessados em adquiri-las podem entrar em contato com a coordenadora do protesto em Bauru, Leandra Marquezini, pelo telefone (14) 98803-0421.

 

Cada camiseta custa R$ 25,00 e a renda será integralmente revertida para animais carentes ou abandonados.

 

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