Encarar as situações de forma mais leve é difícil, mas necessário para escapar da hipertensão, que atinge 24% da população brasileira. Todavia, prestar atenção nos demais fatores de risco, como obesidade, sedentarismo e tabagismo, também é imprescindível. Em Bauru, 18.583 pessoas com pressão alta fazem acompanhamento na rede pública de saúde. Amanhã é celebrado o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial.
De acordo com a psicóloga Carmen Maria Bueno Neme, os hipertensos têm um perfil semelhante. “É a personalidade tipo A, ou seja, são pessoas ansiosas, competitivas, exigentes, nervosas e com tendência à explosividade”, explica. Essas características estão diretamente relacionadas ao estresse, que é um dos fatores de risco da doença.
O estresse possui três fases, que são a de alerta, a de resistência e a de exaustão. Na primeira delas, uma situação qualquer causa desconforto. “Um susto ou um desaforo, por exemplo, provocam alterações no funcionamento corporal, levando ao estresse”, acrescenta a psicóloga. Já a segunda envolve a tentativa psicofisiológica de se resolver um problema. Caso haja fracasso nesta ação, as pessoas entram na fase de exaustão.
“Todas as alterações características da fase de alerta se repetem na última etapa do estresse, mas de forma constante. É aí que entra a hipertensão, associada com outras condições orgânicas”, justifica Carmen. Portanto, a psicóloga acredita que a pressão alta seja uma doença orgânica causada por diversos fatores, como pré-disposição familiar, obesidade e sedentarismo, mas com forte componente emocional.
Já o cardiologista Roberto Chaim Berder informa que um dos fatores de risco da hipertensão é o estresse e concorda com a ideia da psicóloga de que as pessoas têm de “pegar mais leve”. No entanto, Berder adverte que a elevação constante da pressão arterial não é uma doença emocional. “Ajuda muito viver com menos estresse, mas a doença também tem origem orgânica e os demais fatores de risco não podem ser deixados de lado”, aconselha.
‘Pegar leve’
Diante do fato de a hipertensão ter um forte componente emocional, a psicóloga aconselha as pessoas a “pegar leve” assim que surgir uma situação de desconforto. “Nossas reações dependem da maneira que avaliamos as situações. Se, ao invés de reagir com raiva, optarmos por minimizar os problemas, o estresse seria bem menor e não iria causar hipertensão”, argumenta Carmen.
A psicóloga orienta ainda a enfrentar as fontes de estresse. “Se uma pessoa diz coisas desagradáveis, tente conversar ou, até mesmo, se distanciar”, exemplifica. No trabalho, a técnica também pode ser aplicada, já que as situações mais estressantes fazem parte deste ambiente. “Nós não temos como fugir do estresse, mas podemos lidar com ele. Uma das recomendações é praticar a assertividade social”, defende.
E sobre “pegar leve”, o diretor de escola José Eugenio Chibebe, 64 anos, entende. Diagnosticado com hipertensão há quatro anos, ele resolveu procurar ajuda para lidar com o estresse. Desde então, Chibebe e a esposa fazem ioga e meditação. “Não tenho histórico familiar de hipertensão, sempre joguei futebol, não fumo e só bebo socialmente. Portanto, acredito que a agitação do dia a dia tenha contribuído para levar à pressão alta”, narra.
Por outro lado, depois que o diretor passou a praticar exercícios físicos e mentais, a doença ficou controlada. “Depois que a ioga entrou na minha vida, até os meus exames laboratoriais de rotina ficaram controlados”, reitera. Embora não tenha sido diagnosticado com uma pressão tão alta, Chibebe também ingere medicamentos de controle. “O segredo é ter uma vida saudável e fugir do estresse”, finaliza.
Água contra a doença
O grande e perigoso problema é que hipertensão é uma doença silenciosa, cujos sintomas só aparecem quando ela já está em um grau muito avançado.
O diagnóstico, portanto, é feito através de exames rotineiros. Diante disso, o cardiologista Roberto Chaim Berder recomenda que as pessoas acima de 30 anos façam check-ups anuais. Não existe cura para a pressão alta, mas ela pode ser controlada (veja dicas no quadro acima).
Às vezes, o controle da condição é feito por meio de medicamentos. Em outras situações, contudo, os fatores de risco são controlados. “Se a pessoa é obesa, tem de perder peso. Se é sedentária, tem de praticar atividades físicas”, justifica o médico. Além disso, a água pode ajudar, já que a hidratação previne uma série de doenças. Caso a doença não seja controlada, ela pode levar à insuficiência nos rins, cegueira, infarto, derrame, dentre outros.