Frequentadas principalmente no início da manhã e fim de tarde, as academias ao ar livre têm se consolidado como fonte de lazer e saúde nos bairros para quem busca qualidade de vida na atividade física. Atualmente, o município conta 37 conjuntos desses equipamentos para a prática de atividades de leve intensidade. Até o fim de 2015, 16 novas academias deverão ser entregues em locais ainda indefinidos.
O primeiro combinado de equipamentos da atual gestão foi instalado na avenida Getúlio Vargas, em 2009. A última academia instalada é a do Parque das Nações, na área verde da rua Anis Nasralla.
Apesar da aprovação e frequência dos moradores, as academias ao ar livre de Bauru sofrem constantemente com a ação de vândalos e falta de manutenção, segundo o apontado pelos moradores e observado pela reportagem.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, a implantação de novas academias ao ar livre é de responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que também realiza vistoria periodicamente nos equipamentos. Já os aparelhos danificados são reparados pelo Setor de Serralheria da Secretaria de Obras, que realiza os reparos dentro da rotina de trabalho do setor.
Segundo informações da Semma, técnicos realizaram vistoria em todas as academias recentemente e levantaram todas as peças necessárias para realizar os consertos, que segundo a secretaria, estão sendo providenciadas. Os munícipes também podem fiscalizar os equipamentos instalados em seus bairros e informar sobre danos pelo telefone (14) 3234-6849 (Semma).
Para educador físico, iniciativa é boa, mas falta orientação
Antes de iniciar qualquer atividade física, mesmo de baixa intensidade como as proporcionadas pelas academias ao ar livre, deve-se passar por uma avaliação médica. Esta é a orientação do personal trainer Aldrimar Simões.
“A iniciativa de instalar tais equipamentos nos bairros é muito boa, entretanto, falta orientação para os usuários. Embora os exercícios nesses aparelhos sejam leves, se feitos incorretamente, podem causar alguma lesão. Por exemplo, se a pessoa tem uma artrose avançada, ela deve fazer exercícios específicos para isso. Algumas atividades, nesse caso, podem agravar o problema”, exemplifica.
Ainda segundo Simões, a partir do momento que uma pessoa decide se movimentar, já está gerando benefícios para a sua saúde, e as academias ao ar livre incentivam essa ação. “Porém, não podemos deixar de apontar a falha que é a falta de profissionais especializados para orientar a população, até mesmo em relação à postura que deve ser adotada nos aparelhos”, finaliza.
Contudo, ainda não há projetos municipais para a contratação de professores de educação física para as academias ao ar livre.
Academias ao ar livre já instaladas na cidade
1: Praça Panathlon Club (quadras 14 e 15 da Getúlio Vargas e Praça da Copaíba).
2: Praça Luiz Zuiani, no Higienópolis.
3: Praça Alcides Pasquerelli,
Parque Júlio Nóbrega.
4: Praça Martinho de Abreu Carvalho,
Jardim Alto Paraíso.
5: Avenida Marcos de Paula Raphael,
Núcleo Mary Dota.
6: Espaço poliesportivo e de lazer,
Nova Esperança.
7: Avenida Luiz Edmundo Coube,
próximo à sede do 4º BPM.
8: Praça Nagem dos Santos,
Parque Santa Edwirges.
9: Praça Samuel Brasil Reis, na Vila Pacífico.
10: Bosque do Núcleo Geisel.
11: Núcleo Octávio Rasi, quadra 1
da rua Carmini Delicato.
12: Quadra 11 da rua Prof. Isaac Portal Roldan, na Granja Cecília.
13: Praça Zé da Moto, Parque Vista Alegre.
14: Jardim Guadalajara, avenida Manoel Duque com Giácomo Pavan.
15: Pousada da Esperança, avenida
Pedro de Castro Pereira.
16: Praça Central de Tibiriçá.
17: Colina Verde, ao lado do Centro Comunitário.
18: Praça dos Professores, entre as ruas Joaquim da Silva Martha, Capitão Gomes Duarte, Piauí e Travessa Nereid Arruda dos Santos.
19: Academia para deficientes/Praça Paradesportiva.
20: Academia da Terceira Idade,
Praça Gastão Vidigal, no Jardim Ferraz.
21: Praça José Sbeghen, Vila Tecnológica.
22: Praça Mário Cardoso, Núcleo
Edson Bastos Gasparini.
23: Praça Palestina, Jardim América.
24: Praça Mário Modesto, Vila São Paulo.
25: Praça IX de Julho, Vila Falcão.
26: Bosque Eliseu Victor Fornetti, Parque União.
27: Praça José Jorge Tamião, Vila São Francisco.
28: Bosque Miguel Moisés Inete,
Núcleo Edson Francisco da Silva.
29: Praça Romário Dias Mota, Vila Industrial.
30: Área Verde no Núcleo Joaquim Guilherme entre as ruas Sidney de Freitas, Celestina Gomes Morales e Antônio Luiz Buzolin Júnior.
31: Praça São Pedro, Vila Dutra.
32: Parque das Nações, área verde
na rua Anis Nasralla.
33: Praça Antônio Assumpção Pereira,
Jardim Progresso.
34: Praça Renira Maria Freitas,
no Núcleo Isaura Pitta Garms.
35: Área institucional na rua Francisco Deogracias Reche, Parque Jaraguá.
36: Praça Armênio Caniati, Jardim Cecap.
Gratuitas, academias incentivam a prática esportiva
Segundo os próprios frequentadores das academias ao ar livre, o fato de serem gratuitas e estarem instaladas em áreas verdes são incentivos à prática esportiva.
“Eu só me exercito aqui. Muitas vezes, a semana toda. É muito bom contar com um conjunto de equipamentos no bairro onde vivo, porque eu preciso dos exercícios para evitar problemas de saúde e tratar o fêmur”, grifa o aposentado Valdecyr José Gerônimo, morador do Jardim Progresso.
Segundo ele, a sua vida era sedentária antes da instalação dos equipamentos no bairro, e agora já é possível sentir a melhora na saúde e na qualidade de vida. “Até a compra dos remédios diminuiu. Pena que o pessoal vem usar drogas à noite e quebra os aparelhos. Não dá para entender o que se passa na cabeça dessas pessoas”, desabafa.
Cuidados
Quem também faz os seus exercícios na academia do Jardim Progresso é a dona de casa Senhorinha dos Santos Andrade, moradora do Alto Alegre. Entretanto, a falta de cuidados da população com os dispositivos a entristece e causa indignação.
“Eu uso e acho ótimo, mas boa parte está quebrada e precisando de manutenção. Esses equipamentos são muito importantes para a população, porque não precisamos pagar. Utilizo por recomendação médica ao menos três vezes por semana. Só que falta cuidado por parte da própria população. Os maloqueiros quebram um bem que é de todos. Até os pontos de hidratação eles quebraram”, queixa-se.
Manutenção e cuidados são essenciais
O casal Daiani Santos Tavares e Antônio Carlos Rodrigues aposta na caminhada e nas academias ao ar livre para se exercitar junto. Moradores da região do Parque União, eles foram encontrados pela reportagem no bosque do bairro.
“Quando chegamos perto de uma academia como esta é impossível não notar a falta de manutenção, reponsabilidade do poder público, e a falta de cuidados da população com o bem comum. Aqui, no bosque, acredito que a cerca preserve um pouco mais os dispositivos da depredação. Em outros bairros o descaso é bem pior”, grifa Antônio Carlos.
Academia para idosos está praticamente sem uso no Jardim Ferraz
A Praça do Idoso, no Jardim Ferraz, abriga a primeira Praça de Exercício do Idoso instalada em Bauru. Denominada estação reabilitação, a academia foi construída em madeira com equipamentos que possibilitam a prática de exercícios para manter a flexibilidade e movimento, melhorar a mobilidade e facilitar a marcha, além de melhorar o equilíbrio de pernas e braços dos idosos. É o que as placas dizem e orientam. Quanto aos aparelhos, a maioria está inutilizada.
A reportagem foi até o local em horário que, comumente, a prática de atividade física costuma ser mais intensa, mas não encontrou ninguém usando os equipamentos. Segundo os frequentadores da praça - e como pudemos verificar -, porque eles estão quebrados. As barras de ferro estão tortas, os parafusos expostos e faltam peças como pedais, encosto e braços nas cadeiras.
Em família é mais gostoso se exercitar!
Na casa da família Villanova, a atividade física é coisa séria e coletiva. Wagner, Rose e Thaysa, pai, mãe e filha, se unem para, diariamente, caminhar e aproveitar os exercícios físicos proporcionados pelos aparelhos de ginástica instalados na Praça Luiz Zuiani, no bairro Higienópolis.
“Nós acreditamos que a atividade física quando realizada ao ar livre é mais prazerosa. Aqui, temos o ar mais puro por causa da arborização. Além disso, economizamos três mensalidades de uma academia convencional”, brinca Wagner.
Já a esposa, Rose, lembra que a família vive no Núcleo Beija-Flor e que na região onde o bairro está inserido há academias ao ar livre, entretanto, os equipamentos estão sempre danificados.
“Além de quebrados, os aparelhos não foram instalados em uma praça arborizada como esta. A sombra das árvores durante todo o dia faz toda a diferença. Por isso optamos por vir até outro bairro”, explica.
Para manter a saúde e disposição
Militar reformado da Marinha, Antônio Soares Neto tem 81 anos de idade. E, segundo ele, é graças à atividade física regular que consegue manter a saúde e a disposição física em dia. Morador da região do Higienópolis, é na Praça Luiz Zuiani que ele encontra um bom espaço para a prática.
“Ao menos cinco dias por semana eu faço caminhada e me exercito nos aparelhos da academia instalada aqui. Faço pelo prazer da atividade física e pelos benefícios que ela representa para a saúde. Os exercícios físicos me acompanham desde os 17 anos de idade, quando entrei para a Marinha”, comenta.
E mesmo depois de reformado, o militar garante que nada é melhor do que mexer o corpo. No caso dele, 40 minutos diários garantem a saúde em dia. “É bem melhor do que ficar em casa vendo novela. Ideia melhor do que as academias ao ar livre somente o Poupatempo”, diz, bem-humorado.
‘Ideal seria ter vigilantes’
No Parque Júlio Nóbrega, a rua José Pereira Guedes também abriga uma das academias ao ar livre de Bauru. Bastante lixo no chão e aparelhos danificados são problemas visíveis à distância.
“As pessoas não cuidam de nada. Muitos só querem destruir. Eu e muitas senhoras do bairro usamos bastante essa academia por questão de saúde. Meu médico me orientou a fazer atividades leves e, com o salário de aposentada, não consigo pagar uma academia. Por isso precisamos destas funcionando”, apela a frequentadora Lourdes Ortis Francisca.
Além dos equipamentos quebrados, o lixo se espalha pelo chão, tornando o ambiente pouco agradável e longe da sua proposta. “Além disso, crianças acabam quebrando porque fazem dos aparelhos brinquedos. Para mim, o que esses espaços precisam é de alguém para cuidar, como um vigia”, opina.
‘Bauru precisa de mais academias ao ar livre’
Orientada pelo cardiologista, Alzira Zagato Bueno não abre mão dos exercícios físicos. Nos aparelhos instalados no Jardim Brasil, perto da Universidade Sagrado Coração (USC), a costureira encontra uma dose gratuita e diária saúde.
“Tenho vindo todos os dias à academia desde a instalação dos aparelhos. Os exercícios ajudam na oxigenação do corpo todo, o que faz muito bem ao coração. A caminhada e a atividade leve foram recomendação médica”, lembra.
Moradora do Jardim Marambá, Alzira sai de casa e anda cerca de 25 minutos até chegar à academia do bairro vizinho.
“O bom é que já faço uma caminhada. Mas vejo que as academias ainda estão em pequena quantidade na cidade, principalmente pela grande extensão de bairros que temos. Na região onde vivo, por exemplo, há várias praças com espaço suficiente para receber os equipamentos. Precisamos muito, afinal, isso é saúde, e como são gratuitas, incentivam os moradores a praticar algum exercício físico”, analisa.