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Bauruense, a atriz de 34 anos deu início à carreira aos 14 anos |
Ela nasceu em Bauru, cresceu em Duartina e voltou a Bauru, onde deu início à carreira de atriz com o seu primeiro curso de teatro, orientada por Paulo Neves. Aos 19 anos, Tânia Kara mudou-se para São Paulo em busca da realização profissional: “Eu não saí de Bauru para tentar, eu saí para realizar. Não tenho pressa e trago em mim os valores dados pela minha família”.
De passagem por Bauru para apresentar sua primeira peça autoral, “Amor, humor, o resto é bobagem”, produzida por Tina e escrita por Mônica Carvalho, que também conta com os atores Sandro Pedroso e Alessandra Venanssi no elenco, a atriz falou ao Jornal da Cidade sobre os desafios, alegrias e projetos profissionais.
“A peça foi uma ideia minha. No meio do ano passado eu decidi fazer teatro em São Paulo. Eu já havia feito teatro no Rio de Janeiro, além de ter viajado o Brasil com peças, mas nunca em um palco paulistano. São Paulo é uma cidade que eu amo, que me abriu muitas portas, mas não dá para ficar esperando alguém te ligar para fazer um papel. Há ‘panelas’ nesse meio, não vou mentir. Decidi produzir. E foi tudo na raça. Estreamos a peça em janeiro e foi um sucesso, graças a Deus”, revela. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade - Como foi a sua infância em Bauru, Tina?
Tina Kara - Nasci aqui e meus pais também são daqui. Vivi em Bauru até os 6 anos, quando fui com meus pais para Duartina, onde meu pai foi ser juiz de direito. Quando eu tinha 16 anos, voltamos. O ensino infantil eu fiz no Liceu Noroeste, em Duartina estudei em escola pública e, quando voltei a Bauru, estudei no Seta.
JC - Você saiu de Bauru em busca dos palcos. Quando?
Tina - Fui para São Paulo em busca da carreira artística aos 19 anos de idade.
JC - Um caminho difícil?
Tina - Inclusive a “nota 10” eu dou para os meus pais porque eles sempre me acompanharam e me deram apoio, tanto psicologicamente quanto financeiramente. Essa é uma carreira que às vezes paga muito e outras vezes você não ganha nada. Infelizmente, hoje, é assim: se você não está no ar, principalmente na Globo, as pessoas não te consideram atriz. Não te valorizam como profissional. É uma carreira muito difícil e instável. É muito concorrida. Hoje as pessoas querem ser famosas e não artistas. Uma coisa é ser celebridade, a outra é ser artista. Mas eu sempre acreditei e sempre digo que se você acredita do fundo do seu coração que uma coisa vai acontecer, não há outro caminho a não ser acontecer. Eu não saí de Bauru para tentar, eu saí para realizar. Não tenho pressa e não vou para o caminho mais curto. Não vou fazer mal para mim ou para os outros para chegar lá. Trago em mim os valores dados pela minha família.
JC - Das pedras no caminho...
Tina - O problema é que, no meio desse caminho, muita gente não aguenta e entra em depressão. Desistem ou não conseguem se manter financeiramente. Eu mesma já entrei em depressão. Era muito ingênua e achava que todo mundo era amigo. Recebi muitas punhaladas pelas costas. Estava no Rio e, portanto, muito longe da minha família. Mas eu digo que a minha depressão foi o pulo do gato. Eu questionei a vida e amadureci. Isso também foi bom para a minha carreira, porque essa depressão me permitiu o autoconhecimento na alegria e tristeza. Há dois caminhos na depressão: ou você se afunda ou se refaz.
JC - Você também estudou direito, certo?
Tina - Eu comecei a cursar direito em Bauru e terminei em São Paulo. Foi uma influência dos meus pais. No início, uma exigência. Mas eles viram que eu realmente queria ser atriz e até sugeriram que eu trancasse o curso. Entretanto, considero o direito uma faculdade super importante para todos. Dá embasamento para a vida.
JC - E quando nasceu a atriz Tina Kara?
Tina - Eu falo que eu nasci atriz, porque desde muito criança já era isso o que eu queria fazer. Comecei com o Paulo Neves, aos 14 anos, e não parei mais. Na televisão, o meu início foi em uma oficina no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Fiquei em quinto lugar. Não ganhei, mas minha vida deu uma guinada. Conheci como as coisas funcionam, o que precisava fazer para conseguir testes. Conheci muita gente bacana, fiz novos cursos, inclusive com a Cininha de Paula e Wolf Maya, e consegui o meu primeiro papel em uma novela, que foi em Cobras e Lagartos, com direção dos dois.
JC - Quais foram os seus trabalhos mais expressivos na TV?
Tina - Depois de Cobras e Lagartos eu fiz Duas Caras e fui para a Record fazer a vilã Valquíria, da novela Os Mutantes. Voltei para a Globo e fiz Força Tarefa, Flor do Caribe e Araguaia.
JC - Há um novo projeto em vista?
Tina - Sim, mas tudo o que posso adiantar é que é na Rede Globo (risos).
JC - Sobre a peça “Amor, humor, o resto é bobagem”.
Tina - A peça foi uma ideia minha. No meio do ano passado eu decidi fazer teatro em São Paulo. Eu já havia feito teatro no Rio de Janeiro, além de ter viajado o Brasil com peças, mas nunca em um palco paulistano. São Paulo é uma cidade que eu amo, que me abriu muitas portas, mas não dá para ficar esperando alguém me ligar para fazer um papel. Há ‘panelas’ nesse meio, não vou mentir. Decidi produzir. Consegui o teatro Bibi Ferreira, que é o mais difícil, e fui atrás do texto, do elenco... Consegui parcerias muito boas que acreditaram no projeto. E foi tudo na raça. Estreamos em janeiro e foi um sucesso, graças a Deus.
JC - A receptividade bauruense também foi grande. Você sentiu esse acolhimento?
Tina - Sim. Muito. Isso até me surpreendeu. Foi a primeira vez que me apresentei no Teatro Municipal. Fiz teatro há 20 anos com o Paulo Neves e nunca mais me apresentei em Bauru. Viemos para a cidade e todo mundo acolheu a gente. Foi muito bacana. Fazer teatro em casa com uma peça minha e ver meus pais e meus amigos na plateia foi muito emocionante. Amigos de Bauru, de Duartina (de infância)... Quando agradeci, não aguentei e chorei. Foi uma realização profissional e pessoal. Um grande presente da vida.
JC - Há rumores de uma participação especial sua em uma minissérie sobre Eny Cezarino. Confere?
Tina - Eu espero que sim (risos). Já fiz Araguaia e Flor do Caribe com o Walther Negrão, que acreditou no meu trabalho. Ele me falou da minissérie e estou à disposição. Quero estar dentro, sim. Será um presente.
JC - Vida pessoal.
Tina - Não tenho projetos para a vida pessoal. As coisas vão acontecendo e eu vou vivendo. Nunca tive o sonho de casar e ter filhos. Mas isso acontece naturalmente, nunca se sabe. Profissionalmente vou continuar focando em minha peça como atriz e produtora. Quero transformar “Amor, humor, o resto é bobagem” em uma marca, porque a peça é boa. É o meu primeiro filho como produtora e estou amando essa fase. Inclusive estou com cinco textos de outros autores que mandaram para eu ler e ver se tenho interesse em produzir.
Perfil
Nome: Ana Cristina Cara (Tina Kara)
Idade: 34 anos
Signo: Virgem
Local de Nascimento: Bauru
Hobby: Vir para Bauru ficar com a família
Filme preferido: “E o vento levou”
Estilo musical predileto: Rock
Time de futebol: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para os meus pais
Para quem dá nota 0: Para a política brasileira
