Política

Câmara endurece no caso do aterro

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Markinho da Diversidade, Moisés Rossi e Telma Gobbi debateram a situação do aterro sanitário, ontem 

A licitação aberta pela Prefeitura de Bauru para contratar empresa especializada no transporte e destinação final do lixo produzido na cidade causou polêmica na Câmara Municipal ontem, durante a 13ª sessão ordinária do ano. O edital foi publicado no Diário Oficial do último sábado e, conforme o JC já havia antecipado no dia 18 de abril, o município pretende contratar uma empresa no regime de menor valor por lote, pagando pelo que for usado.

 

Moisés Rossi (PPS) foi o primeiro a criticar o Poder Executivo. “Existe apenas um aterro privado perto de Bauru, em Piratininga. Não dá para afirmar, mas fica no ar a dúvida se a prefeitura esperou esse tempo todo para se mexer e no final beneficiar essa empresa. Não houve planejamento algum por parte do prefeito”, afirma.

 

O vereador Arildo Lima Jr. (PSDB) fez as críticas mais contundentes, e sugeriu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar se há improbidade administrativa do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “A cidade sabe desde 2011 que precisa encerrar o atual aterro, e só agora estamos discutindo a contratação de um aterro privado. Só que a gente sabe que a prefeitura paga quase R$ 69,00 por tonelada a Emdurb, e esse valor pode chegar perto de R$ 90,00 em um aterro privado”, questiona. “Enquanto Parlamento, temos que apurar isso. Se não, melhor fechar a Câmara”, menciona.

 

Sandro Bussola (PT), Artemio Caetano Filho (PMDB) e Telma Gobbi (PMDB) foram outros parlamentares que demonstraram descontentamento com a possibilidade de Bauru ter de privatizar o aterro de 300 toneladas diárias de lixo, até que um novo aterro seja construído. O atual teve o Plano de Encerramento assinado em março de 2011, e o prazo limite concedido pela Cetesb para uso é 3 de junho deste ano. Para construir um novo aterro, a prefeitura já conseguiu liberação do Comando Aéreo Regional (Comar), porém agora precisa contratar estudo arqueológico e apresenta-lo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pedir a liberação da área (ao lado do atual aterro) ao governo do Estado, e por fim fazer estudo ambiental detalhado e apresentar a Cetesb.

 

Todo o trâmite pode levar dois anos, até que o aterro possa ser construído. O líder do prefeito no Legislativo, Markinho da Diversidade (PMDB), defendeu o Executivo. “A contratação de uma empresa privada para operar o destino do lixo em Bauru é uma carta na manga caso exista a necessidade, até para não ter que se fazer uma contratação de emergência e sem licitação”, argumenta. 

 

     Uma área de 5 mil metros quadrados anexa ao atual aterro, e que pode dar sobrevida de quatro meses à destinação dos resíduos sólidos, aproximadamente, ainda depende de aprovação da Cetesb. “É necessário a retirada de alguns postes ali e da confirmação da Cetesb. Seria um respiro por mais alguns meses”, admite Markinho. O Plano Municipal de Resíduos Sólidos e sua aplicação efetiva foi outro ponto bastante questionado pelos vereadores.

 

Dengue

 

Vítima da doença neste mês, Fabiano Mariano (PDT) mostrou desconfiança com a quantidade de casos oficialmente divulgados na cidade. “Certamente há muito mais casos do que se registra e divulga. Só entra na estatística quem vai no 6º dia da doença coletar o sangue para sorologia”, afirma. Telma Gobbi e Natalino da Pousada (PV) seguiram na mesma linha. “O número de casos sempre está entre duas e três vezes mais que o divulgado, em qualquer epidemia de dengue”, pontuou Telma.

 

Roberval Sakai (PP) pediu mais empenho do secretário de Saúde, Fernando Monti, em atender com mais agilidade as pessoas com dengue. “Tem gente esperando quatro, cinco horas no Pronto Socorro Central, no PAI e nas UPAs. Isso tira a paciência de muitos pais, os próprios funcionários dessas unidades vivem em situação limite. Senhor secretário, por gentileza, tome uma medida mais drástica e emergencial e reforce as equipes para diminuir o tempo de espera”, bradou.

 

Fernando Monti esteve na Câmara para participar da entrega de uma moção de aplauso ao Samu e comentou a situação da dengue. “Em qualquer cidade que vive uma epidemia de dengue, isso desestrutura o sistema de saúde. Não é em Bauru, o estado de São Paulo todo praticamente vive uma epidemia da doença, e estamos tomando todas as medidas possíveis e investindo para reduzir a quantidade de casos e frear o avanço da doença”, cita. “A gente sabe que a curva de casos ainda é ascendente. O pico em Bauru deve ser no meio de mês de maio”, admite o secretário, que confirma que os casos registrados na cidade é do tipo 1. Quanto às baratas que foram vistas no Pronto Socorro Central na semana retrasada, Monti pondera. “Foi algo muito pontual, não estamos vivendo uma infestação de baratas nas unidades de saúde. Longe disso”, pontua. 

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