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De mãos dadas há quase 7 décadas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Amor e cumplicidade: Zaqueu e Rosalia Barbosa estão casados há 68 anos e celebram as Bodas de Chumbo

Na saúde e na doença, nos bons e maus momentos. Os votos do matrimônio foram levados ao pé da letra pelo casal de aposentados Zaqueu e Rosalia Barbosa, que anda de mãos dadas até hoje. Neste mês, os dois chegaram às Bodas de Chumbo depois de 68 anos de um casamento que resultou em quatro filhos, quatro netos e ainda sete bisnetos. 

 

Zaqueu José Barbosa, 91 anos, conheceu Rosalia Luiz Barbosa, 86 anos, durante um batizado em um rio no município de Iacanga (50 quilômetros de Bauru). O policial militar aposentado há 40 anos ainda se lembra da roupa que a amada vestia na ocasião. “Era um vestido estampado com rosas vermelhas”, narra.  

 

Todavia, antes de conhecer a companheira, Zaqueu fez parte do 18.º Batalhão de Caçadores, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em 1944, foi convocado para lutar na 2.ª Grande Guerra Mundial, mas, no dia do embarque para a Itália, o aposentado foi diagnosticado com caxumba e acabou dispensado. 

 

Neste momento, Zaqueu decidiu visitar a família em Iacanga e conheceu Rosalia. “Eu queria casar com uma mulher que me acompanhasse para onde eu quisesse ir e acredito que tenha feito a escolha certa”, pontua. Eles se casaram em 12 de abril de 1947. Com o sonho de morar em uma cidade maior, mudaram-se para  Bauru depois de três anos de matrimônio.

 

Na Cidade Sem Limites, ele trabalhou como policial militar e ela, como costureira. O casal foi melhorando de vida e embarcou diversas viagens. “O casamento me proporcionou muitas alegrias, mas as viagens foram os melhores momentos”, confessa Zaqueu. Outro fato marcante é que os dois participaram da fundação da Igreja Presbiteriana Conservadora de Bauru.

 

Zaqueu, Rosalia e dois filhos liam a Bíblia todos os domingos e começaram a chamar amigos e familiares para participar da atividade, que cresceu tanto que eles tiveram de mudar de espaço. “Nossas reuniões passaram a ser debaixo de um pé de manga do nosso quintal”, relembra o aposentado. 

 

Em 1956, a instituição já tinha razão social e um espaço maior, hoje localizado no Centro. Inclusive, o aniversário de casamento não foi esquecido pelos irmãos de fé. No último sábado, o matrimônio foi comemorado com a pompa que merece, afinal, é difícil encontrar casais juntos há tanto tempo. De mãos dadas, como sempre, eles chegaram e saíram da igreja.

 

Sempre juntos

 

O tempo foi passando e a saúde do casal deixou de ser a mesma de antes. Há nove anos, Rosalia foi diagnosticada com Alzheimer, mas não foi abandonada pelo companheiro. Pelo contrário, Zaqueu se dedica ainda mais para cuidar da esposa. “É muito difícil, mas o amor que sinto por ela faz com que eu tenha muita paciência”, argumenta Zaqueu.

 

Ele também conta que não tem mais “uma saúde de ferro”. Embora possua todos os dentes intactos, o aposentado tem leves deficiências cardíaca, auditiva e visual. Por conta disso, o casal mora ao lado de uma das filhas, que cuida deles. “Meus irmãos, pais e tios já partiram. Só sobrou a família que construí com Rosalia”, relata Zaqueu.

 

Questionado sobre o segredo da aparente juventude de espírito e longevidade do casamento, ele associa todos os fatos. “Tenho um casamento é feliz e uma família maravilhosa”, revela. Já Rosalia, por conta da doença, tem alguns lapsos de memória, mas garantiu que é feliz. “Ele é meu companheiro”, finaliza a aposentada. 

 

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