Wong Campion/Reuters |
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Helicóptero de resgate sobrevoa acampamento na base ao sul do Monte Everest, do Nepal |
Autoridades nepalesas se esforçavam ontem para levar a ajuda do principal aeroporto do país até as pessoas desabrigadas e sem comida em decorrência do terremoto ocorrido há dois dias, enquanto milhares de moradores cansados de esperar deixavam a Capital, Katmandu, em direção às planícies nos arredores.
Até a tarde de ontem, o número de mortos no terremoto de magnitude 7,9 ocorrido no sábado havia subido para mais de 3.700, e os relatos que chegavam aos poucos de áreas remotas sugeriam que esse número deva aumentar significativamente.
Uma autoridade de alto escalão do Ministério do Interior nepalês disse que os mortos podem chegar a 5.000, no pior desastre do tipo no Nepal desde 1934, quando 8.500 pessoas morreram.
As operações no Aeroporto Internacional Tribhuvan, de Katmandu, ficaram prejudicadas após muitos empregados não aparecerem para trabalhar, ao mesmo tempo em que muitos passageiros buscavam sair do país.
Uma série de tremores menores forçou o fechamento do aeroporto diversas vezes após o terremoto.
Cremação
Por não possuir cemitérios, o Nepal está cremando as vítimas do terremoto . Isso ocorre devido à composição religiosa da população do país: mais de 80% dos nepaleses são hindu e outros 9% são budistas. Muçulmanos somam 4,4% e cristãos, 1%. Há, ainda, praticantes de religiões animistas. Piras funerárias foram acesas por familiares em diversas cidades do país.
Nas tradições do hinduísmo e do budismo, costuma-se cremar os mortos em piras, um ritual que pode parecer estranho para muitos Ocidentais.
VOO DE KATMANDU
Muitos dos 1 milhão de moradores de Katmandu passaram a dormir ao relento desde sábado, seja por causa do desabamento de suas casas ou pelo medo de que novos tremores causem mais destruição.
Milhares deixaram a cidade. As estradas que levam a Katmandu ficaram repletas de pessoas, algumas carregando bebês, que tentavam subir em ônibus ou pegar caronas em carros e caminhões ao longo da planície. Longas filas se formaram no aeroporto.
Enquanto isso, a extensão do desastre no Nepal começou a tomar reais proporções, à medida que relatos sobre a devastação começaram a chegar de outras partes do país.
Na parte alta da cordilheira do Himalaia, centenas de alpinistas se mantinham de prontidão no Campo Base do Monte Everest, onde uma enorme avalanche após o terremoto matar ao menos 17 pessoas no pior desastre já registrado na maior montanha do mundo.
Os Estados Unidos afirmaram que quatro cidadãos norte-americanos morreram na área do Campo Base, enquanto o Japão afirmou que um japonês estava entre os mortos.
Quatro italianos e dois franceses também morreram após o terremoto, afirmaram seus países de origem.
Em Sindhupalchowk, cerca de três horas de carro a nordeste de Katmandu, o número de mortos chegou a 875 e deve subir. Em Dhading, perto do epicentro do terremoto, a oeste de Katmandu, 241 pessoas morreram.
CONTA GOTAS
Em Katmandu, pessoas doentes e feridas permaneciam deitadas a céu aberto, sem conseguir encontrar leitos nos devastados hospitais da cidade. Cirurgiões montaram um centro de operações em uma tenda erguida no terreno da Faculdade de Medicina de Katmandu.
Por toda a capital, famílias exaustas colocaram colchões nas ruas e ergueram tendas para se proteger da chuva. As pessoas faziam filas para coletar água de caminhões, enquanto as poucas lojas ainda abertas não tinham quase nada nas prateleiras.
Alguns alpinistas não desistem
O alpinista Nick Cienski não desistiu da tentativa de quebrar seu recorde mundial escalando seis picos de 8
mil metros este ano, apesar de escapar por pouco de uma enorme avalanche no Monte Everest no sábado.
Um dia depois de ajudar a recuperar os corpos de 12 de pelo menos 17 vítimas da avalanche, Cienski sofreu para decidir se continuava sua jornada. “Ainda estamos nos debatendo com muitas emoções: 24 horas atrás estávamos embrulhando restos de corpos em sacos”, disse Cienski, tendo ao fundo o ruído dos helicópteros que resgatavam de dois em dois os alpinistas localizados mais acima no pico mais alto do mundo. “Então, por um lado, há esse fato... e por outro lado, somos alpinistas, e é isso que fazemos”, disse. “Assim sendo, faz sentido continuar?”, indagou Cienski, executivo de uma empresa norte-americana de vestuário. Phil Crampton, líder de uma expedição da empresa nova-iorquina Altitude Junkies, declarou no domingo que muitas equipes estão fazendo pé firme, mas não ficou claro se a sua irá continuar.
96 brasileiros encontrados
Até ontem, 96 brasileiros que estavam no Nepal durante terremoto ocorrido no país foram localizados pelo Ministério das Relações Exteriores.
A pasta informou que não há pessoas com ferimentos e que o grupo recebe “toda a assistência consular cabível”.
“Não há, até o momento, informação sobre a presença de brasileiros entre as vítimas fatais”, informou o Itamaraty. O ministério deslocou servidores da Índia e montou um centro de atendimento a brasileiros no aeroporto da Capital.
