Regional

Procurado por estupro é preso em Botucatu

Marcus Liborio e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Beneficiado com a ‘saidinha’ de Páscoa, Eduardo da Conceição Silva, 23 anos, deixou o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) III em Bauru, onde cumpria pena por roubo em regime semiaberto, na sexta-feira. Poucas horas depois, já em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), ele assaltou e estuprou uma mulher de 37 anos, na frente da filha dela, de seis anos. 

 

O rapaz foi identificado porque deixou documentos com foto e cartas endereçadas a detentos dentro do veículo da vítima, onde ocorreu o estupro. Além do ato de violência sexual, somente no final de semana, Eduardo cometeu ainda mais três roubos – dois a pedestres e o outro em uma residência, este último ontem de manhã, um dia após o prazo para retornar à unidade prisional. Ele acabou preso em flagrante logo depois do assalto e confessou o estupro. 

 

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Celso Olindo, o jovem foi até Botucatu na companhia de um colega de cela, que reside na cidade. Por volta das 16h de sexta-feira, Eduardo iniciou a sequência de crimes, ao abordar a mulher, no Centro do município.  

 

“Quando ela se aproximou do carro, o rapaz a abordou e anunciou o assalto. Mesmo sem estar desarmado, a mulher se sentiu extremamente ameaçada e não reagiu”, contou Olindo. Segundo o delegado, o homem obrigou a vítima e a filha dela a entrarem no veículo e dirigiu até a região do distrito de Rubião Junior, em uma área com matagal. 

 

“Ele alegou que trancou a menina no porta-malas. Mas, durante o ato, a criança conseguiu levantar a cabeça por sobre o compartimento, no interior do carro, e assistiu toda a cena. Inclusive, presenciou a reação da mãe, que, desesperada, chorava muito. A violência foi tanta que a  mulher ficou com as roupas sujas de sangue”, contou o delegado. 

 

Frieza 

 

Depois de praticar o estupro, Eduardo fugiu levando o celular da vítima. A ocorrência foi registrada na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e a Polícia Civil passou a investigar o caso. O acusado ainda praticou dois roubos a pedestres entre o final de semana e segunda-feira, no dia em que deveria retornar ao CPP III, em Bauru. Nos dois assaltos, também levou o celular. 

 

Ontem, conforme relatou Olindo, o rapaz entrou em uma residência localizada no Jardim Paraíso, quando não havia ninguém. O que era para ser um furto, contudo, virou outro roubo após um dos moradores chegar. “Ele usou uma tesoura para ameaçá-lo e fugiu levando alguns pertences da vítima”. 

 

Uma equipe da Polícia Militar (PM) foi acionada e o homem acabou preso minutos depois do crime. “Ele acabou confessando o estupro e, questionado, argumentou, com frieza, que praticou o ato porque estava preso há quatro anos”, finalizou o delegado da DIG. 

 

Eduardo, que foi autuado por roubo e estupro, seria encaminhado ainda ontem à Cadeia Pública de Itatinga, para cumprimento de prisão temporária até que o inquérito policial seja concluído.  

 

Pergunta do leitor

 

Indignado com o abuso e violência sofridos por mãe e filha, tanto física quanto psicológica, leitores que viram a matéria em sua primeira edição no JCNET de ontem, fizeram contato com a redação, apresentando questionamentos, tais como se a “saidinha” que o reeducando teve como privilégio serviu para ressocialização do cidadão em cumprimento de pena ou de oportunidade para cometer mais crimes, com horrenda e execrável violência como essa? Outros questionamentos como os que apresentamos a seguir também foram feitos pelas pessoas que fizeram contato com nossa redação. 

 

Será que no novo processo por mais uma denúncia terá novamente o delinquente em futuro breve, se condenado, o benefício de outras saidinhas?

 

E como as pessoas de bem, em especial as frágeis, como essas possíveis vítimas, uma mãe e sua filha de apenas 6 anos, e todos os demais cidadãos, inclusive você, leitor, que vive em sociedade, poderão ter segurança de não serem as novas vítimas de criminosos tão perigosos como esse? Já não passou da hora de revermos a lei de execuções penais e escolhermos entre a segurança das pessoas de bem e o rigor da lei, aplicado com dignidade, mas plenamente, para aqueles que não têm limites ao praticar a violência contra os seus semelhantes e, portanto, sem a menor condição de conviver em sociedade? 

 

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