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Batalha terá mais um ponto de captação

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Ofim do período da águas, com o consequente início da estiagem, de maio até meados de setembro, os bauruenses já começam a se preocupar com a possibilidade de um novo rodízio de água neste ano, situação vivenciada por mais de 40% da população no segundo semestre de 2014 – setor abastecido pelo Rio Batalha, como Centro, Altos da Cidade, Estoril, Jardim América, Vila Falcão, Independência, Ouro Verde, entre outros.

 

A região da Vila Dutra, Santa Cândida e Leão XIII também era abastecida pelo manancial, mas desde o fim de 2014 o Poço Val de Palmas, inaugurado em dezembro passado, é o principal responsável por suprir aquela área. Um novo poço no Santa Cândida também está previsto para o próximo semestre. Outros poços que estão previstos até o fim do ano ficarão no Jardim Imperial e vão abastecer bairros como Parque das Nações e Residencial Tívoli, e outro no Residencial Alphaville, beneficiando os condomínios da região dos Villagios. Em todos esses casos, haverá menos dependência da água do Batalha.

 

Investir na perfuração de poços tem sido a principal estratégia da prefeitura para combater o déficit de abastecimento a curto prazo, a despeito do desperdício que chega a 48% da água produzida em Bauru, segundo dados do próprio Plano Diretor de Águas (PDA), concluído no fim do último ano. A abertura de poços, curiosamente, ajudou a ‘aumentar’ os vazamentos. “Gera mais pressão na rede”, confirma o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

 

Batalha

 

Melhorar o uso da água do Rio Batalha ainda depende de estudos que serão licitados. A reportagem manteve contato o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que confirmou as ações planejadas. Uma delas é a reforma da Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) do Batalha, cujo projeto executivo deve custar aproximadamente R$ 1,5 milhão, com o edital devendo ser publicado em breve. O custo da reforma em si seria bem mais alto, mas o prefeito Rodrigo Agostinho prefere não estimar. “Fala-se até em R$ 20 milhões, mas é prematuro afirmar isso. A estrutura da ETA é antiga, e usa ainda a tecnologia de decantação, que desperdiça muita água. Uma reforma permitira implantar tecnologias mais recentes, e envolveria também o reforço do tanque, melhoria dos sensores, estancando vazamentos”, reitera o chefe do Executivo.

 

Ainda no Batalha, outro projeto que será elaborado é a construção de uma nova represa de captação, cerca de 15 quilômetros distante da atual, próximo à divida de Bauru com Avaí (na região do Distrito de Tibiriçá), portanto mais ‘abaixo’ no curso do rio, para atender a outorga do Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE). O volume de água captado continuará o mesmo, porém dividido entre os dois reservatórios: 350 litros/segundo na nova e mais 200 litros/segundo na atual, totalizando os 550 litros/segundos retirados do manancial.

 

A obra é considerada vultosa pelo Poder Executivo. “Não é uma intervenção simples, porque há uma distância considerável entre os dois pontos, e será necessário uma adutora percorrendo esta extensão. Por outro lado, vai ajudar em épocas de estiagem, haverá uma quantidade maior de água disponível para captação, por serem em dois pontos distintos”, enfatiza. O DAE também enfatiza o reforço no abastecimento em períodos de seca quando houver esta nova barragem no Batalha, que terá elevação de nível, gradeamento, caixa de areia, poço de sucção, casa de bombas, dispositivo de proteção antigolpe, adutora e dissipador de energia, informa a assessoria de imprensa da autarquia.

 

O custo do projeto e da obra ainda não é estimado, mas a prefeitura e o DAE pretendem licitar o projeto ainda neste ano. “São obras grandes e necessárias. O que a gente quer é pelo menos ter um projeto executivo e se possível iniciar algumas delas até o fim do mandato”, menciona o prefeito, que termina sua gestão em 31 de dezembro de 2016.

 

A setorização é outro ponto que vai demandar projeto específico, que deve custar quase R$ 6 milhões. Alguns setores já foram interligados com novas adutoras nos últimos anos, como o Mary Dota-Bauru 2000, Vila Cardia, Geisel e a ligação do Gasparini com o Alto Alegre. “É outra obra grande de abastecimento, e que vai rasgar a cidade de fora a fora”, lembra Rodrigo. A construção de reservatórios também é apontada como prioridade.

 

A médio e longo prazo, a cidade poderá recorrer também a mananciais como o Córrego Água Parada e até mesmo o Rio Tietê, porém haveria necessidade de estudos detalhados, o que não deve ocorrer em breve.

 

Fundo

 

Questionado se poderia usar recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) para viabilizar as obras na ETA do Batalha, na setorização e na nova barragem, o prefeito diz que nada impede um diálogo neste sentido. “É necessário uma conversa com a Câmara, que teria de aprovar. Mas não vejo problemas em usar dinheiro do Fundo em obras voltadas ao saneamento ou mesmo nos projetos dessa área. Apesar que os projetos a gente pretende fazer com recursos próprios, a princípio”, enfatiza. O FTE tem R$ 109 milhões em caixa atualmente, e será usado para a contrapartida do município nas obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, na empresa que fiscalizará a construção e para garantir o pagamento do restante da ETE caso o governo federal atrase os R$ 118 milhões que foram destinados a Bauru.

 

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