Professores em greve entraram em confronto com policiais militares, ontem, na frente da Assembleia Legislativa do Paraná. Os manifestantes estavam acampados na praça do Centro Cívico de Curitiba, onde aguardavam a votação de proposta do governo que muda o sistema previdenciário do Estado.
Na manhã de ontem, o sindicato dos professores tentou aproximar um carro de som da Assembleia, mas a polícia impediu. Em seguida, começou o tumulto. Os policiais tentaram dispersar os manifestantes com gás de pimenta, bombas de efeito moral e jatos d’água.
Após o confronto, o prédio do Legislativo continuou com forte cerco policial, para impedir a entrada do grupo no plenário.
A mesma proposta já havia provocado a invasão do plenário em março. Na ocasião, os deputados foram impedidos de votar. O governo, então, concordou em retirar o projeto e promover debates. Com a volta da proposta à pauta, os professores decidiram entrar em greve e acompanhar a votação.
O governador Beto Richa (PSDB) acusou a manifestação de ter ligações com a oposição. “A APP-Sindicato é controlada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), que é ligada ao PT. Nosso projeto moderniza o sistema previdenciário do Estado e representa economia para as finanças públicas”, disse Richa, após as manifestações.
Medida
Anteontem, a direção da Assembleia Legislativa conseguiu liminar na Justiça para que a polícia impedisse a entrada no prédio dos manifestantes. Nesta terça, o sindicato dos professores obteve nova decisão judicial para ter acesso à sessão.
O presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), decidiu retirar o projeto da pauta e manter o cerco policial para que a votação fosse feita com as galerias vazias. Como a proposta recebeu emendas, deverá ser votada hoje.
“Recebemos o habeas corpus que nos permite a entrada na Assembleia. Conseguimos essa liminar que permite levar um grupo de pessoas para dentro da sessão. Essa liminar afirma que a Assembleia é um espaço público e de forma alguma pode ser vedada a entrada da população”, afirmou Nádia Brixner, dirigente da APP-Sindicato.