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Adotiva e biológica: duas formas de um mesmo amor

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Às vésperas do Dia das Mães, uma história que emociona e da qual muitos poderiam até duvidar caso não fosse contada por sua própria protagonista: neste caso, Patrícia Roberta Farias Pedroso, de 43 anos. Por muito tempo, ela e o marido tentaram, sem sucesso, realizar o antigo sonho de terem filhos. E quando já não havia mais esperança, eis que a felicidade chegou em dose dupla...

 

 

Diante das dificuldades para engravidar, junto com o marido, Patrícia decidiu adotar uma criança. O casal se inscreveu junto ao Poder Judiciário no início de 2005, mas só três anos depois, recebeu a pequena Ana Laura em seu lar. 

 

Em dezembro de 2008, a menina tinha apenas dois meses de vida e estava sob a tutela de um abrigo para crianças no município de Porto Feliz (SP), região de Sorocaba (SP), a 232 quilômetros de Bauru.

 

“Fomos chamados para conhecê-la em uma sexta-feira. A visita seria no domingo. Na noite de sábado, ficamos até sem dormir porque era uma mistura de medo e alegria. Mas, na hora em que encontramos a Ana Laura, tudo passou. Eu bati o olho e tive a certeza de que era nossa filha. Dormimos lá na cidade para que, na segunda-feira, a gente já resolvesse a questão da papelada e pudesse trazê-la para casa, ainda com a guarda provisória”, recorda a mamãe.

 

Como Patrícia e o marido desejavam ter mais um filho, mantiveram o processo de pedido de adoção e cogitaram até a submissão a procedimentos de fertilização. “A consulta já estava marcada para abril de 2011”.

 

A SURPRESA

 

Foi quando em fevereiro daquele ano, pouco mais de dois anos após a adoção de Ana Laura, o casal descobriu que Clara estava a caminho. “Eu não tinha mais qualquer expectativa de engravidar. Foi uma felicidade tão grande, que não tenho sequer como descrever”.

 

Aos 39, Patrícia teve uma gestação tranquila, sem contratempos, e, em outubro de 2011, deu a luz à sua filha biológica.  À época, a menina adotada pelo casal tinha acabado de completar três anos de idade.

 

“Depois disso, meu marido até fez a cirurgia [de vasectomia] para evitar que mais bebês viessem. Três já são demais. Também encerramos o processo no Fórum porque, depois de a Clara nascer, fomos procurados para adotar outra criança. Não chegamos nem a conhecê-la, mas doeu muito dizer não” conta.

 

AMOR IGUAL

 

Patrícia afirma que muitas pessoas lhe perguntam se, apesar de seu amor dedicado à Ana Laura, é diferente o sentimento materno dedicado à sua filha biológica. Ela, porém, garante que não.

 

“É claro que a gestação é uma experiência à parte. Mas maternidade é o encontro. É quando pega o bebê e o sente como seu filho. Não existe diferença alguma”, define, emocionada.

 

Segundo Patrícia, aos seis anos, a filha adotiva sabe de toda a sua história. “Desde sempre, contamos tudo para ela. Contamos com respaldo profissional para, inclusive, aproveitar a minha barriga durante a gestação da Clara para explicar que ela não veio de mim, mas que é amada da mesma forma”.

 

Espera

 

O sonho de ter filhos, inicialmente, partia de forma mais intensa do marido de Patrícia, Ricardo Valentim Pedroso, hoje, com 46 anos. Eles se casaram há 14 anos e, em 2003, começaram a planejar a gravidez.

 

“A gente achou que daria certo em, no máximo, um ano, mas não aconteceu. Não era natural nem havia histórico de familiares impossibilitados de terem filhos”, lembra a mãe de Clara e Ana Laura.

 

Diante disso, o casal passou por um ano, marcado por ampla e exaustiva bateria de exames. Apesar de nenhum problema biológico ter sido diagnosticado, Patrícia havia desistido.

 

“Por isso, entramos com o processo de adoção. Ainda assim, nesse período, voltei a fazer exames mais detalhados e busquei especialistas em outras cidades. Uma médica chegou a dizer para eu desistir e falou que, aos 34, estava em idade avançada, o que me deixou bastante chateada. À época, eu jamais poderia imaginar que teria essas duas meninas maravilhosas comigo”.

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