Política

Erosão preocupa e gera entrave a interceptores

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Tubulação do interceptor de esgoto à mostra revela situação crítica da erosão na região sudeste

A passagem dos interceptores de esgoto pelo Córrego Água Comprida vem sofrendo há alguns meses com problemas que assustam moradores e proprietários de terrenos, na região da avenida Cruzeiro do Sul. O principal deles é uma erosão com cerca de 50 metros de comprimento e quase cinco metros de profundidade. O desvio do curso do manancial é outro ponto crítico.

 

Proprietário de um terreno no local, Jesus de Cássio enviou em fevereiro notificação extrajudicial ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) para impedir que os interceptores passassem dentro do imóvel. “Essa erosão começou a se formar no fim do ano passado, e agora está avançando ainda mais sobre o terreno vizinho. Só que a gente precisa de uma providência, falamos com o DAE em fevereiro, através do nosso advogado, e eles informaram que o problema era da prefeitura”, alega Cássio.

 

O imóvel vizinho ao dele, que mais sofre com a erosão, pertence a José Mauro Dadamos. “Essa erosão foi causada pela falta de galeria de águas pluviais nas ruas para cima. A chuva desce com força, e agora vem abrindo este buraco enorme. O certo é a prefeitura aterrar isso aqui agora, porque avançou e muito sobre o terreno”, explica Dadamos.

 

A reportagem esteve no local e constatou a dimensão da erosão, na margem esquerda do córrego, a cerca de 100 metros da avenida Cruzeiro do Sul. Os imóveis possuem a frente voltada para a rua Paulino Gandolfi, e tem como fundo o curso d’água. No terreno de Dadamos, os interceptores chegaram a ser instalados, parando na altura da erosão. Já no imóvel ao lado, pertencente a Jesus de Cássio, a obra não avançou após a notificação extrajudicial. Os interceptores seguem a partir do terreno seguinte.

 

“Eles tem que fazer a obra dentro da área de proteção ambiental, que são os 30 metros mais próximos ao córrego. Essa metragem é nossa, mas já é de proteção ambiental, justamente para esse tipo de coisa. Mas como o córrego mudou de rumo, e teve essa erosão, querem avançar para dentro do terreno. Sem nem pedirem nada entraram aqui e colocaram estacas onde querem passar com o interceptor, mas avança demais no terreno, está errado isso”, cita Cássio.

 

Desvio

 

A diretora da Divisão de Planejamento do DAE, Nucimar Paes, salienta que a erosão não é de responsabilidade do DAE. “Quanto à erosão, é necessário que a gente converse com a Secretaria de Obras, para saber o que pode ser feito ali, até por estar dentro de uma propriedade particular. Quando estivemos lá, entre 2009 e 2010 para o licenciamento ambiental visando a instalação dos tubos, não havia nenhum problema”, explica.

 

Sobre o traçado dos interceptores, a diretora do DAE confirma que a alteração em função do desvio do córrego naquela altura é possível. “Se o rio sofreu esse desvio mais para dentro do terreno com o tempo, a área de proteção (30 metros) acompanha isso, ou seja, o interceptor pode passar mais para dentro também. O que vamos fazer é publicar um decreto de utilidade pública daquele trecho onde passarão os interceptores, para a obra seguir”, esclarece Nucimar. “Não temos conhecimento de outras erosões ou problemas desse porte naquela região. É algo mais pontual mesmo”, acrescenta a técnica.

 

O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, salientou que a implantação de galerias nos bairros próximos depende de estudos. “Primeiro a gente precisa ver onde falta galeria e a viabilidade. Até porque a gente não tinha conhecimento de uma erosão desse porte aí. E a responsabilidade também precisa ser checada, se é mesmo do município ou do proprietário do imóvel”, reitera.

 

Prazos

 

A implantação dos interceptores no Rio Bauru entre a Vila Falcão e o Terminal Rodoviário e também em toda a extensão do Córrego Água Comprida está a cargo da Stemag Engenharia, que venceu licitação por mais de R$ 16 milhões. Na margem direita do Rio Bauru, foram instalados tubos de concreto de 1.000 mm de diâmetro, e na margem direita, cujas obras ainda estão em andamento, estão sendo colocados tubos de 1.200 mm de diâmetro. Já no Água Comprida a tubulação é de PAD (material próximo ao PVC), com diâmetro de 750 mm.

 

O engenheiro residente da obra, Elias Cruz Gomes, cita que o traçado dos interceptores segue o que foi estabelecido pelo DAE. “A gente apenas instala os tubos dentro do que foi enviado pelo DAE. O traçado é de responsabilidade do município”, menciona.

 

Até agosto, a Stemag planeja concluir toda a instalação na avenida Nuno de Assis, e também no Água Comprida. No caso da Nuno de Assis, a empresa ficará responsável pelo recape nas duas pistas, entre a região do Fórum e o cruzamento com a Nações Unidas. A partir daí, a instalação já foi executada há alguns anos, e se houver recape, será a cargo da própria prefeitura.

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