Há uma crise moral e ética no Brasil. As pessoas perderam de vez a vergonha, e quando furtam dez reais, é porque não puderam roubar dez milhões. E essa crise não está circunscrita aos governantes, aos políticos, membros do judiciário e afins. Está enraizada no seio da sociedade, através do crime organizado, de comerciantes que exploram os consumidores, que não respeitam códigos, leis e demais legislações que tentam nos proteger desses ataques.
Quando explodiu o escândalo do mensalão, o governo tratou de editar um pacotão de combate à corrupção como se isso resolvesse alguma coisa. Afinal de contas expoentes do governo estavam envolvidos até o pescoço nessa maracutaia. Hoje, quando o assunto em pauta é o petróleo, vem o governo com outro pacotaço, idêntico ao do mensalão, para tentar nos ludibriar, tapar o sol com a peneira, acreditando que somos um povo sem memória.
Quando um governo aparelha o Estado, desde o executivo, passando pelo legislativo e chegando ao judiciário, está mais que claro que esse governo não tem compromissos com a democracia, a ética, a moral e para com o povo que o elegeu. Está movido por princípios pouco edificantes, totalmente divorciados da vontade popular, que vem se manifestando nas ruas do país contra essa libertinagem.
A América Latina está desprovida de lideranças políticas que pretendam representar suas sociedades, acima dos seus interesses de perpetuação no poder. É só olhar para a Venezuela, Bolívia, Equador e outros países do hemisfério. E querem se perpetuar, a exemplo das ditaduras dos países africanos a quem o nosso governo tanto adora ajudar, para se locupletarem, amealhar fortunas que são depositadas em bancos dos paraísos fiscais, como se fossem imortais.
O Brasil, da forma como caminha, corre o risco de uma ruptura social, que todos nós sabemos como começa mas nunca como e quando termina. Já tivemos episódios neste país, que nos trouxeram muitas lágrimas e sangue, mas ao que parece as pessoas não aprendem com a história, tem memória fraca, só sabem se queixar e nunca adotam uma postura de mudança. Pois essa mudança começa em nossos lares, com a educação de nossos filhos, com a escolha correta de nossos representantes, e com uma postura moral e ética que possa ser transmitida aos demais familiares e amigos.
Temos a necessidade de uma reforma política profunda, adaptar nosso sistema aos mais modernos do mundo, de forma que a cada dois anos, possamos referendar ou não, aqueles que elegemos para nos representar. Um referendo desses, hoje, tenho absoluta certeza de que os atuais governantes, seriam apeados do poder, e teríamos um novo ciclo eleitoral. Mas para isso o povo tem que deixar de lado as novelas, o BBB e outras babaquices que os meios de comunicação, também dominados pela grana governamental, despejam diariamente em nossos lares.
O autor é jornalista e colaborador de Opinião