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Uma mãe e "20 filhos"

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos poetas tentaram definir o que é o sentimento materno com belas palavras, mas ele, certamente, transcende quaisquer versos. A história da pedagoga e auxiliar de creche Nelma Aparecida dos Santos Gonçalves, 35 anos, mostra muito de como é esse sentimento incondicional. Além de ser mãe de dois meninos: Yan, 6 anos, e Lucas, 3 anos, ela é “mamãe” de outros 18 alunos com idade entre quatro meses e um ano e oito meses.

 

Nelma é natural de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, mas mora em Bauru há mais de 20 anos, portanto, considera-se bauruense. Sempre teve em si o sentimento de querer ser mãe e planejou muito as suas duas gestações. Casou-se com Luiz Carlos Gonçalves Filho aos 24 anos, quem ela também considera “pai e mãe”.

 

“Quando casamos, meu marido já queria que eu tentasse engravidar logo, mas nós conversamos e decidimos planejar melhor. Tudo foi pensado, tanto que os meus dois filhos nasceram em maio. Um faz aniversário no dia 4 e o outro no dia 27. Um deles ainda era para ter nascido no mesmo dia do aniversário do meu marido, mas a bolsa rompeu dois dias antes”, conta.

 

Nelma sempre quis ser mãe e, quando seu primeiro filho nasceu, viu sua vida mudar, “para melhor, muito melhor”. “Eu digo que quando a mulher se torna mãe, todas as lacunas da vida se preenchem e tudo começa a fazer sentido”, complementa.

 

Mãe de muitos

 

Junto de outras três funcionárias da Prefeitura Municipal, ela expande o seu coração de mãe e divide o amor que possui entre os alunos do berçário da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Chapeuzinho Vermelho, que fica na Vila Ipiranga. 

 

“Costumo dizer que somos as mães que eles escolhem também, porque eles acabam ficando mais próximos de uma ou outra funcionária. Ficamos oito horas do dia com eles. Ensinamos eles a engatinhar, a sentar, a comer. Nós vemos eles nascerem os seus dentinhos, quando estão ficando com febre. Temos toda a sensibilidade de mãe mesmo, um cuidado intenso. Acabamos sempre fazendo o papel da mãe até ela chegar”.

 

É o compartilhar de um sentimento incondicional, que acolhe, cuida, sem esperar nada em troca. Os olhos de Nelma ficam marejados por diversas vezes durante a entrevista. É simples de entender o que sente por seus filhos e pelos “seus bebês” da escola: “amor materno”!

 

E a pedagoga ainda tem um bônus: o privilégio ainda de ter o filho mais novo, Lucas, 3 anos, estudando na mesma escola onde trabalha. Consegue, entre um momento e outro de trabalho, vê-lo, talvez dar um beijo, um abraço... o mesmo que faz com os alunos do berçário. Sentimento compartilhado igualmente.

 

Ser mãe é...

 

Nelma ainda tentou explicar com palavras o que sente por todas essas crianças, filhos de sangue e filhos do próprio amor. “Ser mãe é a melhor coisa que podia acontecer na minha vida. Era o que faltava. É o prazer de ver o sorriso de seu filho, a alegria, as conquistas diárias. Poder ensinar e participar de tudo isso. Ser mãe é tudo o que eu não podia imaginar. Dá um outro sentido na vida, um amor inexplicável, uma força que você tira de onde você achava que não teria. É uma luta que você quer conquistar junto com eles. Me sinto muito privilegiada em ser mãe. Procuro fazer sempre o melhor para todos os filhos”, concluiu, incluindo seus alunos neste contexto. Incluindo neste coração.

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