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Produtor rural poderá receber até R$ 10 mil para "fechar" voçoroca

Thiago Vendrami
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Luís César Demarchi aponta o trabalho realizado em uma propriedade rural em Tibiriçá

A voçoroca – erosão causada por enxurradas e que pode atingir centenas de metros de extensão e algumas dezenas de metros de profundidade – é um dos maiores tormentos dos produtores rurais. Além de formar uma área inútil, o não combate pode causar danos ambientais e gerar multas. Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, há cerca de 200 grandes erosões em Bauru e região e, para tentar conter esse problema, existe um projeto de reembolso a produtores rurais.

 

A pasta, por meio do projeto de Recuperação de Áreas Degradadas por Grandes Erosões (Radge), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), disponibiliza a título de fundo perdido até R$ 10 mil como reembolso ao produtor rural, além de suporte e acompanhamento técnico durante todo o trabalho, informa o engenheiro agrônomo responsável pela unidade regional de Bauru, Luís César Demarchi.

 

De acordo com ele, qualquer produtor – desde que seja proprietário da área – pode entrar em contato nas sedes municipais da pasta e solicitar auxílio para o controle da voçoroca. “Os técnicos verificam as possibilidades e elaboram o projeto, o proprietário faz três orçamentos de maquinário a ser utilizado e os próprios técnicos acompanham sua execução”, orienta.

 

Após a conclusão das etapas, o produtor solicita reembolso de até R$ 10 mil. “Além do maquinário, o subsídio contempla outras operações no entorno da erosão, como isolamento, divisão de pasto e novo plantio nas áreas mexidas”.

 

Dependendo se pequeno, médio ou grande produtor, o responsável deve oferecer uma contrapartida que varia de 10% a 30%, que pode ser financiadas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), por intermédio do Integra São Paulo.

 

O projeto contempla também outros financiamentos de interesse do produtor.

 

Na prática

 

Nesta semana, a reportagem do Jornal da Cidade foi até Tibiriçá, Distrito de Bauru, acompanhar um exemplo prático desse projeto. Em uma propriedade, segundo Luís César Demarchi, há uma voçoroca centenária em recuperação.

 

“São cerca de 400 metros de comprimento, 40 de largura e 7 metros de profundidade. Dali, pelo menos 25 mil metros cúbicos de terra foram levados e assorearam o Rio Batalha abaixo, chegando até o Rio Tietê”, explicou Demarchi.

 

No local, já foi separada terra com sementes de capim que cobrirão a área. O administrador da propriedade, Paulo Rubens de Oliveira, prevê um novo pasto no local. “Temos 1 mil cabeças de vacas de criação e delas nascem bezerros que comercializamos. Com o trabalho concluído, teremos um novo pasto disponível”, comemorou.

 

Em Bauru

 

No caso das voçorocas existentes na cabeceira do Rio Batalha, um dos problemas frequentes é o assoreamento da lagoa de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE), dificultando o abastecimento em bairros Bauru, além da diminuição da disponibilidade de águas superficiais devido o soterramento das nascentes.

 

Serviço

 

Produtores interessados em recuperar áreas degradadas por grandes erosões ou voçorocas devem entrar em contato com a Cati regional Bauru, pelo telefone (14) 3223-1444.

 

E quando não é possível?

 

Em alguns casos, a recuperação da voçoroca se torna inviável e, nessas situações, os técnicos da Cati apenas orientam. 

 

“Das três propriedades que visitamos recentemente, uma delas possui grande área de vegetação nativa e, para fazer intervenção, é necessário licenciamento ambiental. Nesse caso, foi recomendado isolar a área e colocá-la como reserva legal da propriedade”, explica Luís César Demarchi.

 

Meta é acabar com 800 voçorocas em cinco anos

 

De acordo com o engenheiro agrônomo da Cati Luís César Demarchi, existem cerca de 4,5 mil voçorocas no Estado de São Paulo, que causam um pesado ônus à sociedade, “pois, além dos danos ambientais e à paisagem, causam prejuízos econômicos e sociais, diminuindo a produtividade agrícola, comprometendo a produção de energia elétrica em razão do assoreamento dos reservatórios das hidrelétricas, a redução do volume de água para abastecimento urbano, devido ao assoreamento de reservatórios”.

 

Estima-se que cerca de 200 mil toneladas (equivalentes a 20 mil caminhões) de solo são arrastados do interior das voçorocas para os mananciais no Estado de São Paulo.A expectativa da Secretaria da Agricultura, por intermédio do projeto Radge, é o controle de 800 voçorocas no Estado nos próximos cinco anos.

 

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