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Mãe ajuda filha com autismo a se desenvolver na aprendizagem e por independência

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Ana Lúcia e a filha Letícia: amor incondicional quebrando barreiras

O diagnóstico de autismo ainda preocupa, mesmo em pleno 2015, com muita tecnologia e possibilidades de tratamento. E o preconceito foi um dos maiores temores da mãe Ana Lúcia Marciano Uema de Alcântara, 40 anos, quando a filha Letícia Uema de Alcântara, 16, foi diagnosticada. Contudo, sua sensibilidade materna levou a filha a se desenvolver e se sociabilizar por onde passa.


A história de Ana Lúcia pode até lembrar a de mães cujos filhos são autistas, mas é singular. Ela chegou a conseguir decisão inédita na Justiça: a de que a filha fosse devidamente avaliada por um professor da rede estadual para, então, poder ter o tratamento que merece e entrar na etapa escolar que lhe adequava na Apae de Bauru, o 4º ano (leia mais a seguir).


Ana Lúcia é do lar, bauruense, casada com Carlos de Alcântara, 51 anos, e o seu primeiro filho é Giovanni Uema Alcântara, que hoje tem 18 anos e já cursa engenharia química.


Quando ele tinha 2 anos, nasceu Letícia, a princípio, uma menina normal fisicamente. No entanto, quando cresceu, ficou um tanto quanto “sapeca” e a mãe começou a notar um pequeno atraso no desenvolvimento da fala.


“Eu me lembro que até pensava: ‘Nossa, ela é muito maria moleque, achei que seria uma princesa’”, riu.


“Apesar de ela ser normal fisicamente, sua fala era atrasada aos três anos. Chorava muito e quase não falava, costumava a apontar as coisas. Até achei que era algo ligado à surdez, procurei um neurologista que disse que ela era hiperativa e deu medicação manipulada”, contou.


Mas Letícia parecia estar sempre sonolenta. Aquele brilho de criança se apagou e a mãe, mais uma vez, se viu preocupada. Outras alternativas tinham que ser testadas.


A adolescente fez um ano de terapia no Centro de Psicologia Avançada (CPA) da Unesp de Bauru, mais um psicólogo particular, até que um segundo neurologista conseguiu diagnosticar: transtorno invasivo do desenvolvimento, que no seu grau se encaixaria como autismo de grau severo.


Choque


“Foi um choque muito grande. Eu chorei muito porque ficava imaginando o que as pessoas iriam pensar, falar. Tinha medo do preconceito. Você acaba se isolando do mundo porque minha família era muito festeira e ela não conseguia ficar parada em um mesmo lugar. Foi difícil a adaptação na escolinha, mas ela sempre foi muito inteligente. Então, quando começou a frequentar a Apae, em 2006, eu a matriculei na escola comum no período da tarde também. Isso foi importante para a sua socialização”, complementou Ana Lúcia.


Portas


Chegou um momento em que Letícia atingiu idade biológica e escolar. Precisou sair da Apae, que atende até o 5º ano, na situação em que ela tinha sido avaliada.


Foi para uma escola municipal, mas a sensibilidade de mãe dizia a Ana Lúcia que Letícia deveria voltar para a Apae.


“Eu precisava de uma avaliação pedagógica e consegui, pela primeira vez em Bauru, através do Ministério Público Estadual. Tinha certeza que o meu caso abriria portas para outras mães. Consegui, minha filha foi avaliada como apta a entrar no 4º ano e, em fevereiro, voltou à Apae, onde recebe atendimento mais especializado, com comunicação alternativa e apoio visual. Também fazemos tratamento particular com terapeuta ocupacional e fonoaudióloga. Hoje, ela está muito melhor”, finaliza.


Mãe por mãe


“Ser mãe é a melhor coisa do mundo. É um amor incondicional. É doação, é dedicação integral”, disse Ana Lúcia emocionada, nessa segunda-feira (4), ao JC. Ela frequenta a Apae de Bauru com Letícia, participando do grupo “Mãos de Fada”, que oferece orientação e atividades às mães.


“Aqui aprendemos que cada problema é único e talvez o nosso nem seja tão grande quando imaginamos. Agradeço muito o apoio do meu marido e do meu filho, que sempre estão comigo cuidando da Letícia”.

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