Alex Mita |
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Linha dura no serviço, a delegada Rejani preza pelo diálogo com os filhos João Pedro e Ana Luiza |
“Quando a gente ama tem que saber dizer ‘não’, mesmo com o coração apertado”. É o que afirma Rejani Tiritan, uma mãe que se esforça diariamente para não exercer sua profissão dentro de casa. Ela, que é delegada, luta para estabelecer a relação de diálogo e respeito no ambiente familiar como bases para a formação dos princípios do ser humano.
Para Rejani, aliás, ser policial “não é uma profissão, é um ministério, não tem como não ser policial, mesmo durante as folgas”. E é por conta disso que julga o ato de separar a carreira da maternidade como um grande desafio.
De condutas rígidas desde sempre, Rejani tomou a decisão de ser mãe em um momento em que se sentiu preparada. Hoje, ela tem um casal de filhos, Ana Luiza, 19 anos, e João Pedro, 21. “As mulheres tem um dom natural para a maternidade, mas, para ser profissional, você tem certos padrões a serem seguidos. Para ser mãe, não existe cartilha alguma”. Atualmente, ela confessa que bem tenta bastante agir com menos rigor.
Diante de tantas situações cuja estrutura familiar desmoronada termina com jovens prestando depoimento na delegacia e mesmo presos, a mãe delegada leva experiências profissionais para casa e, a partir disso, alerta os filhos a não se envolverem em determinadas situações. Tudo isso, claro, somado ao “sexto sentido” quase infalível de mãe.
Hoje concordam
É natural adolescentes contestarem os conselhos, sobretudo dos pais. Porém, após um tempo de amadurecimento e orientações, eles podem repensar as posturas. “Hoje, meus filhos admitem que tinham situações em que não concordavam, em especial na adolescência, mas, agora, reconhecem que eu estava certa. Tenho convicção de que eles se livraram de muita coisa ruim nesse período”.
E Rejani acredita que essa relação transparente entre mãe e filhos é fundamental para conquistar respeito. Mesmo nas orientações e nos momentos de dizer “não”, ela diz ter dado sempre uma oportunidade para que os filhos apresentassem suas versões.
Convivência
Como mãe e esposa, ela tenta manter o hábito de ter, pelo menos, uma refeição por dia junto com a os filhos e o marido, além de estabelecer programas familiares nos horários de folga.
Aliás, um dos pontos destacados para se conseguir ser mãe e profissional é o apoio e a participação integral do marido – que, por sinal, é policial militar - como pai e companheiro leal.
Sensibilizada
Apesar de ser rígida dentro e fora do ambiente profissional, a delegada também se sensibiliza com algumas ocorrências na qual trabalha, procurando manter uma relação íntima entre justiça e equilíbrio. “Na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), me sensibilizava com situações de pedofilia envolvendo familiares. Percebia que mães acabavam sendo coniventes com abusos sexuais para preservar o companheiro”.
Já na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), a principal preocupação era o grande número de jovens envolvidos com drogas e as consequências da desestrutura familiar. “A falta de diálogo, da imposição de limites e da presença da família, até mesmo dos avós, influencia as crianças e jovens que acabam por se envolver com criminalidade”, lamenta.
Extensa carreira
Policial civil há quase três décadas e delegada há 24 anos, Rejani já passou pelas delegacias de Investigação Sobre Entorpecente (Dise), da Infância e Juventude (Diju), da Defesa da Mulher (DDM), Seccional e, atualmente, está no Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-4 (Deinter-4).
Ela entende que a mãe policial tem visão diferente da sociedade vê toda problemática e tem um “milhão” de preocupações. Aliás, justifica assim o fato de que “filhos de policiais tendem a ser mais cobrados”.
