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Maurício Xavier de Almeida, 43 anos, era aquapaisagista |
Um empresário bauruense morreu após contrair malária em uma viagem de negócios na África. Maurício Xavier de Almeida, 34 anos, não apresentava sintomas quando retornou ao Brasil, mas permaneceu os últimos 15 dias em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Unimed de Bauru.
Maurício faleceu na quinta-feira (7), diagnosticado com dois tipos distintos da doença. Aquapaisagista, ele havia viajado em meados de abril para Luanda, Capital de Angola, na companhia de mais dois empresários do ramo para fazer a manutenção de um lago pertencente a uma empresa localizada na cidade africana.
Depois de cerca de uma semana, ele retornou ao Brasil, quando chegou a realizar exames de praxe, inclusive para diagnosticar malária, que deram resultado negativo. Mas, depois de alguns dias, já em Bauru, começou a manifestar febre alta e dores no corpo, o que levantou a suspeita de que pudesse estar infectado pelo vírus da dengue.
Posteriormente, contudo, descobriu-se que ele havia sido contaminado por duas variantes de malária. Segundo o JC apurou, até mesmo um especialista do Exército teria sido acionado para tentar reverter o quadro de saúde do paciente, mas o tratamento foi infrutífero.
Maurício era casado, não tinha filhos e era proprietário da empresa Aquamazon, considerada uma dos mais importantes no segmento de aquarismo. Empresário prolífico, o aquapaisagista idealizou e desenvolveu uma série de produtos, como injetores de dióxido de carbono (CO2) próprios para lagos com vegetação natural, substratos para nutrição de plantas, entre outros insumos e equipamentos.
Também realizou expedições submarinas em viagens de veleiro e é autor do livro “Aquapaisagismo”, em parceria com Rony Suzuki, que chegou a ser vendido em alguns países da Europa. “Foi uma perda imensa para o aquarismo. Além de excelente profissional, era uma pessoa maravilhosa, totalmente do bem”, comenta a empresária Fabiana Chinen, amiga e proprietária de uma loja de aquários de Bauru.
Movido a desafios
Sob forte comoção, o corpo do aquapaisagista foi velado ontem no Centro Velatório Terra Branca e cremado no Crematório Regional Jardim dos Lírios. Abalados, os familiares preferiram não falar com a reportagem.
Carinhosamente chamado de “Dente” pelos amigos, o empresário é descrito como um homem bastante ativo, de espírito empreendedor e aventureiro. Em entrevista concedida em 2010 ao blog Xylema, o próprio Maurício se descreveu como um “apaixonado por aquários desde quando a memória consegue alcançar o passado”.
Amigo de infância, Paulo Eduardo Tonon conta que, de fato, a admiração pela natureza e a inventividade sempre estiveram presentes na vida do empresário. “Lembro de uma história. Ele descobriu a existência do bicho-da-seda e tinha entre 10 e 11 anos quando decidiu que queria ter uma criação. E teve”, recorda.
Na juventude, curioso e movido a desafios, Maurício também chegou a se lançar no ramo de reforma e restauração de automóveis e aprendeu a fazer manutenções no próprio veleiro – onde, de acordo com amigos, ele tinha vontade de morar no futuro. “Era um cara muito tranquilo, mas com uma vontade imensa de viver. A morte dele, de forma tão precoce e tão inesperada, foi uma grande perda”, lamenta Tonon.
A doença
A malária é uma doença prevalente em países de clima tropical e subtropical. Também conhecida como paludismo, é transmitida pela picada do mosquito Anopheles, infectado por protozoários do gênero Plasmodium.
Mais raramente, pessoas também podem ser infectadas por meio do compartilhamento de seringas, transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto, durante a gravidez.
Os sintomas mais comuns são febre alta, calafrios intensos que se alternam com ondas de calor e sudorese abundante, dor de cabeça e no corpo, falta de apetite, pele amarelada e cansaço. O tratamento, geralmente, é feito com medicamentos à base de artemisinina.
Para ingressar em alguns países africanos, como a Angola, a única vacina exigida para estrangeiros é contra a febre amarela.
Secretaria Municipal de Saúde destaca que não existe qualquer risco de uma infecção em Bauru
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Malavolta Jr. |
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Monti afirma que, em Bauru, não há o mosquito Anopheles |
A Secretaria Municipal de Saúde não confirmou que Maurício Xavier de Almeida morreu vítima de malária, mas admitiu que um morador da cidade perdeu a vida em decorrência da doença nesta semana. Ainda de acordo com a pasta, o caso era importado, ou seja, originário de outro País.
Procurado pela reportagem, o secretário Fernando Monti esclareceu que casos importados da doença são notificados esporadicamente em Bauru. Mas salienta que não há risco de infecção dentro da cidade, já que não há registros da presença do mosquito transmissor – chamado Anopheles – em todo o Estado de São Paulo.
“A região norte (principalmente o Estado do Amazonas) é a que concentra o maior volume de casos. Em Bauru, portanto, a população pode ficar tranquila”, destaca.
