Sim! O Brasil é Estocolmo, pois vive numa crise sindrômica conhecida no meio médico como Síndrome de Estocolmo. Ou então como entender uma população de um país que vive numa barbárie de descalabros racionais, lógicos e morais e, ainda assim, ficar amordaçada num conformismo "reconfortante". Essa sensação de perplexidade se dá em vários níveis.
Ocorre no nível tributário, por exemplo, quando pagamos anualmente tributos sobre tributos como no caso do IPVA (ou já não pagamos taxas quando compramos o carro ou pagamos pedágios?) e achamos isso a coisa mais normal do mundo. Ocorre também no nível trabalhista, onde pessoas que até têm boa vontade, mas servem de massa de manobra para outras pessoas com inteligência emocional mais vil. Vejamos novamente a invasão da secretaria do Incra de Bauru nesta semana. Desfralda-se maravilhosamente na frente dessa secretaria hoje, qual um marcador de território, uma bandeira da CUT. Alguém fica boquiaberto, pasmado, assombrado ou abismado com o fato de uma central sindical ter ações deliberativas ou requisitórias em uma secretaria estatal que trabalha com questões agrárias? Não mais. Não mais pois vivemos em Estocolmo! Numa síndrome claro, onde o que é irreal e abusivo se torna regra e não exceção, deixando-nos até desconfortáveis quando da ausência do ilógico. São devaneios da realidade como se, numa analogia, um marechal esquizofrênico pedisse a seus generais que saíssem às ruas num país democrático.
O autor é professor universitário da Unesp