Quioshi Goto |
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Por sugestão de Erzi Mariano, Villaggio 2 adquiriu nebulizador |
Mesmo com o tempo mais seco e frio, a dengue continua avançando em Bauru. Nessa quarta-feira (13), a Secretaria Municipal de Saúde informou que a epidemia ultrapassou os 3 mil casos neste ano, número sete vezes maior do que o registrado em todo o ano passado.
Até essa quarta, haviam sido contabilizados 3.230 casos na cidade, sendo 3.170 autóctones e 60 importados, com três mortes. Em 2014, foram 432 casos - 380 casos autóctones e 52 importados, sem nenhum óbito.
A quantidade de moradores infectados em 2015 já representa quase metade do total de pessoas que ficaram doentes em 2013, quando houve recorde histórico de dengue em Bauru (7.742 casos). Para combater a doença, a Divisão de Vigilância Ambiental informou que vem mantendo os trabalhos de vistoria individual dos imóveis, orientação aos moradores e nebulizações, entre outras ações.
Na quarta, por exemplo, equipes de agentes de endemias estiveram nos bairros Pousada da Esperança, Parque Bauru, Jardim Ouro Verde, Santa Edwirges e Parque Paulista. Mas a população ainda aponta falhas na atuação do poder público.
Filha de uma das vítimas fatais da dengue neste ano, Ana Cristina Água Nova relata que uma poça d’água permaneceu em frente à sua casa por mais de 20 dias, devido a um vazamento não reparado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) na quadra 3 da rua José Antonio Barreto, na Vila Santa Luzia.
“Eu, que perdi meu pai há um mês, me sinto ofendida com tamanho descaso. É claro que a população precisa fazer sua parte, e eu estou fazendo a minha, mas o poder público também tem responsabilidades”, reclama ela, que também contraiu dengue recentemente, assim como sua mãe.
Procurado pela reportagem, o DAE informou que o vazamento foi consertado ainda na tarde dessa quarta, 17 dias depois de Ana Cristina formalizar reclamação junto ao Serviço de Atendimento ao Público da autarquia.
Nebulizador próprio
No residencial Villaggio 2, a administração do condomínio resolveu “tomar as rédeas” da situação para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A partir da sugestão do zelador Erzi Mariano, o residencial decidiu comprar um nebulizador próprio, que vem sendo utilizado tanto nos 277 imóveis habitados como em construções em andamento.
“Compramos em abril e estamos fazendo as nebulizações de acordo com as solicitações dos moradores. Em um único dia, conseguimos passar por mais de dez casas. As áreas de uso comum também estão sendo nebulizadas a cada dez dias”, revela Mariano.
Ele destaca que todo o procedimento é realizado com segurança, já que um dos funcionários do residencial tinha domínio prévio das técnicas necessárias para realizar este tipo de serviço. Além de adquirir o nebulizador, a administração também comprou o produto a ser aplicado e equipamentos de proteção individual. O custo total aproximado foi de R$ 1.650,00.