Política

"Ajuste vai aprofundar a recessão", diz Senador Aloysio Nunes

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

Deputado estadual Pedro Tobias acompanhou o senador Aloysio Nunes Ferreira em visita a Bauru

Aos 70 anos, Aloysio Nunes Ferreira Filho é hoje um dos principais nomes da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Cumprindo a segunda metade do mandato de senador pelo PSDB, Nunes é um dos três representantes do Estado de São Paulo no Senado, ao lado do também tucano José Serra, eleito em outubro passado, e da ex-tucana Marta Suplicy, agora no PSB, que também entrou em 2010 - os senadores ficam oito anos no cargo.


Em rápida passagem por Bauru na tarde da última sexta-feira, antes de ir a um evento em Marília, Aloysio Nunes concedeu entrevista ao JC, no espaço ‘Café com Política’, e falou de temas nacionais, da oposição exercida pelo seu partido e de como o PSDB tem de encarar os próximos anos visando as eleições de 2016, e sobretudo, ao pleito de 2018, quando será escolhido o sucessor de Dilma no Palácio do Planalto.


O senador foi recebido pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), o subchefe da Casa Civil do Estado de São Paulo, Rubens Cury, e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Também estavam presentes o vereador Arildo Lima Jr. (PSDB), o chefe de Gabinete da prefeitura, Arnaldo Ribeiro, e prefeitos e vereadores de cidades da região, bem como membros do PSDB e de outras siglas aliadas. Abaixo, os principais trechos da entrevista.


Momento do País


“Na parte econômica, o governo está empenhado em resolver problemas que a própria presidente Dilma criou no primeiro mandato, com intervencionismos e populismo, demagogia que desorganizou setores inteiros da economia e escândalos que resultaram na revelação de crimes na Petrobras, fundos de pensão, Eletrobrás e BNDES. Hoje o País sente o reflexo desta redução da atividade econômica, com projeção de PIB negativo neste ano, contas públicas desarrumadas e desemprego aumentando. E isso junto a uma crise moral, consequência da forma como o PT se utilizou do aparelho do Estado para se perpetuar no poder. Ao mesmo tempo, há uma crise política, pois a presidente Dilma se vê às voltas com disputas internas em seu próprio partido, rivalidade crescente com a base aliada. E essa crise política dificulta acertar a economia.”


Ajuste fiscal


“Esse ajuste fiscal que a presidente encarregou ao ministro Joaquim Levy (da Fazenda) consiste basicamente em aumento de impostos, tributos, da taxa de juros e corte de direitos trabalhistas. Vai aprofundar a recessão que já temos. E ainda vai cortar investimentos, mas mantendo a máquina do governo. As famílias brasileiras estão endividadas e com medo de gastar, deprimindo ainda mais a economia.”


Terceirizações


“Na minha opinião, se houver preservação de direitos ao trabalhador, não vejo problemas. Os direitos são constitucionais, estão previstos na CLT, não havendo alterações neste conjunto de direitos, tudo bem. Até porque a definição hoje de atividades-meio e atividades-fim se tornou algo bem mais complexo. Eu concordo com o texto que passou pela Câmara e que chegou agora ao Senado.”


Lula e Haddad


“O Lula pode vir quente que estamos fervendo, não se elege em 2018. Há uma visão clara de que o momento atual do País, da forma como se conduz a política, teve origem no governo dele. A Dilma continuou. Quem começou esse processo de loteamento no governo, e o mensalão, foi o Lula. Essa linha política o afasta do perfil que o levou a vitória na eleição de 2002. Quanto ao governo do Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, é um desastre, e penso que é irrecuperável. O PSDB tem nomes em potencial para concorrer, como o André Matarazzo e o José Aníbal. Em outros partidos também há nomes como a Marta Suplicy (PSB), que deve sair candidata, Celso Russomano (PP) também. O fato é que o Haddad vai para casa. Ou volta para a universidade.”


A oposição


“Nós temos que nos preparar para um combate constante e tenaz com o governo para minimizar os estragos, corrigir o que for possível no Congresso, e nos preparar para 2018 seja no aspecto programático seja no plano partidário, fortalecendo o PSDB em todos os municípios, reorganizando o partido nestes locais. Em São Paulo o PSDB é forte, mas em alguns Estados é preciso consolidar mais, formando diretórios fortes. As eleições municipais são parte importante nesse processo. Entendo que o PT terá dificuldade para fazer prefeitos no Estado. E nós do PSDB temos essa função de fiscalizar e corrigir o que precisa ser corrigido. A Dilma terceirizou a economia para o Joaquim Levy e a política para o Aloísio Mercadante e o vice Michel Temer, que faz a verdadeira política do mercador, da troca de cargos. Agora a gente tem o Mercadante e o mercador, algo ultrapassado.”


Fachin


“O professor Fachin (Luiz Edson Fachin, candidato a ministro do STF), inegavelmente, saiu-se bem na sabatina, mas suas declarações contradizem o que havia assumido em livros, conferências, em temas como propriedade, família e o papel do juiz na aplicação da lei. O que ele não conseguiu explicar foi como exerceu ao mesmo tempo a função de advogado e procurador do Estado do Paraná, algo vetado na constituição do Paraná. Agora fica a dúvida se a gente acredita no Fachin catedrático ou candidato a ministro.”


Precatórios


“Já está tramitando no Congresso e o próprio STF reconheceu que foi um erro a mudança nos precatórios. Vamos buscar reverter isso no Senado. A verdade é que o governo federal passou a empurrar verdadeiros presentes de grego aos municípios, com as UPAs e o Samu. Eles implantam a estrutura, mas depois não mantém completamente, passam apenas parte do dinheiro necessário, e as prefeituras que se virem para pagar. São equipamentos enormes e que o governo federal não custeia. O caso dos precatórios a gente vai ver com cuidado, porque pode bater o último prego no caixão dos municípios.”

Voto distrital


Aloysio Nunes é um dos defensores do voto distrital e chegou a propor a ideia, na época rejeitada e agora ‘ressuscitada’ por José Serra, e cita Tobias como um exemplo de parlamentar distrital mesmo com o modelo vigente. “Ele já faz este trabalho na região de Bauru, como eu fiz quando era deputado em Rio Preto e região”, destaca. Pedro Tobias mostra-se favorável ao voto distrital. “O custo de uma campanha para deputado é muito alto, ainda mais em São Paulo. O voto distrital aproximaria o eleitor dos candidatos”, reitera o deputado bauruense Pedro Tobias.


“O Serra assinou agora e seria muito bom, começando nas Câmaras Municipais, e no futuro aos deputados estaduais e federais. Agora o distritão, que elege os mais votados, aí eu sou contra porque é um horror, vai encarecer ainda mais as eleições, diferente do distrital que propomos”, completa Aloysio Nunes.


O distritão citado pelo senador consiste em eleger os mais votados de forma direta, sem dividir em distritos e sem o modelo de coeficiente atual. Os deputados federais por São Paulo, por exemplo, seriam os 70 mais votados (número de cadeiras que o Estado tem). “Esse sistema do distritão sou veementemente contra. Temos que fazer o distrital, dividindo em distritos a cidade (para vereador) e o estado (deputado)”, lembra Nunes, que defende também a cláusula de barreira e é contra a unificação das eleições para presidente, governador e prefeito. “Isso mataria a eleição municipal”, conclui.

Tobias lança candidatura de Aloysio


O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) apontou o senador Aloysio Nunes como potencial candidato a governador em 2018, quando termina o segundo mandato de Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito no primeiro turno em 2014. “É bom ser lembrado, ainda mais por alguém como o Pedro Tobias, que tem um belo trabalho na Assembleia. Mas também eu entendo que já tenho uma idade mais avançada, e gostaria de ver quadros mais novos do partido surgindo, inclusive para sair a governador”, afirma.

João Rosan

Pedro Tobias, Aloysio Nunes, Rubens Cury e Rodrigo Agostinho foram recepcionados no Café com Política do Jornal da Cidade

 

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