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Dia Internacional de Combate à Homofobia

Aloísio Junior
| Tempo de leitura: 4 min

No dia 17 de maio, recordamos com lágrima nos olhos as milhares de vítimas de violência que tiveram suas vidas interrompidas, não por outro motivo além do ódio. Seres humanos que não tiveram sequer a oportunidade de se defender de grupos armados com lâmpadas, facas e principalmente armados de ignorância. Pessoas doentes que ao perceberem a diferença na identidade de gênero ou na orientação sexual de seu semelhante, inflamaram seus corações de perversidade, não conseguindo controlar-se, matando, xingando, ofendendo.


A data é lembrada devido ao que ocorreu no ano de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade (até o momento homossexualismo) da lista de classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados a Saúde (CID). Este foi o primeiro faixo de luz de esperança que brotou nos corações daqueles que lutam pela igualdade e principalmente daqueles que sofrem, sofreram ou sofrerão junto de seus familiares tais brutalidades. Hoje, após 15 anos na luta por um mundo de paz, recordo-me dos avanços que vislumbramos em nossa cidade. Avanços esses que possibilitaram a uma jovem transexual retomar os estudos, porém agora sendo respeitada sua individualidade, tratada pelo seu nome social (Lei municipal 6.525, de junho de 2014 P. 34.280/14).


Recordo-me também de outra jovem transexual que, desaparecida, e após 30 horas de buscas, conseguimos encontrá-la às margens de um matagal. Haviam-lhe espancado. Assim que a vi, com bichos andando em seu corpo, aparência frágil e desesperadora, tentando gritar por socorro, fiquei muito triste, mas recebi no momento ainda mais força para lutar contra toda essa intolerância. Hoje ela encontra-se bem. Estamos lutando, crescendo em número de militantes pela causa da humanização da sociedade. Nesta luta hoje encontram-se familiares, mães e amigos de LGBTs. Hoje, nós acreditamos que podemos construir uma nova sociedade, onde todos são respeitados, independente da cor de sua pele, religião, gênero, renda ou qualquer outra diferença. Para isso estamos nos movimentando e trabalhando.

Programamos para o dia 16 (sábado) uma marcha que se concentrou as 13h na quadra 6 do calçadão da Batista de Carvalho. E no dia 17 (domingo), após as 14horas, fizemos uma tarde diferenciada de lazer, lanches, amigos e muita música para envolver o ambiente de paz e falarmos sobre a LGBTfobia e projetos futuros. No Sesc Bauru, no dia 21, às 19h30, haverá palestra para tratarmos sobre a transfobia. O Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, que presido, tem como obrigação representar essa parcela da sociedade, para juntos propormos ao município uma série de politicas públicas para inclusão social de LGBT?s e assim minimizar a intolerância e violência.


Com a parceira de Ong?s e frentes de militância, temos a convicção que existe muito a ser feito, porém temos caminhado. Resultando do trabalho está a lei municipal que garante o exercício da Semana da Diversidade (Lei Municipal 5.972 de 27 de setembro de 2010), que inicia-se com o troféu "Eu Faço a Diferença" e encerra-se com a Parada da Diversidade, que no último ano reuniu na marcha cerca de 60 mil pessoas e movimentou, segundo a mídia local, cerca de 4 milhões de reais. Recursos capitados entre visitantes, que gastaram na cidade com alimentação, combustível e hospedagem. O evento a cada ano cresce, não somente em quantidade de pessoas, mas em qualidade das informações e serviços prestados de cidadania. São ações como o Trans Empregos (projeto para incluir no mercado de trabalho, pessoas transexuais), que tem garantido mais espaços de cidadania e respeito. Portanto, se iniciei o texto com lágrimas pelas vítimas, gostaria de encerrar com alegria pelas pessoas que foram salvas e sobreviveram, pelas mães e familiares que acolherem todos os dias seus filhos e filhas com amor, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.


Alegria esta que precisa ser o combustível de nossa militância. Viva a diversidade! São as diferenças que dão o sabor da vida! Viva o respeito e o direito de ser! Viva a paz entre todos! Viva o amor! E quando o amor for soberano de verdade, não existirá mais espaço para o ódio, a violência ou a intolerância. Juntos por um mundo melhor, juntos e unidos porque só o amor pode transformar nossa realidade.

O autor é presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual

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