Política

Governo propõe "pacote" a professores

Vinicius Lousada e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Os secretários Célio Bucceroni, Vera Casério e Marcos Garcia se reuniram com a categoria

Apesar de ainda baixo, o número de trabalhadores que aderiu à paralisação das atividades subiu 12% no segundo dia de greve dos servidores municipais. A manhã dessa quarta-feira (20) foi marcada por atos de protesto e, à tarde, representantes da categorias e diretores do Sinserm  se reuniram com secretários do governo Rodrigo Agostinho.

A administração apresentou um pacote de propostas de melhorias voltado aos professores, já que, mais uma vez, 88% dos 364 funcionários que cruzaram os braços nessa quinta-feira eram da Educação.


Uma assembleia dos servidores está marcada para a manhã desta quinta-feira (21) para a deliberação sobre a continuidade ou não do movimento. Advogado do sindicato, José Francisco Martins afirma que os benefícios oferecidos aos docentes da rede municipal são bem-vindos, mas reitera que o funcionalismo reivindica a correção de 7,2% nos salários. “O que vamos apresentar à categoria é que não houve avanços na pauta financeira”.


Declaração do prefeito, publicada na edição dessa quarta do Jornal da Cidade, já dava conta de que a administração não cederia nesse sentido, em função da queda na arrecadação municipal e da proximidade do limite de gastos com pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).


PACOTE


Da reunião dessa quarta, participaram os secretários municipais de Finanças, Marcos Garcia, Educação, Vera Casério, e Administração, Célio Bucceroni. A maioria das propostas apresentadas focou em vantagens para a carreira do magistério.


Uma dela foi a criação de quadro de professores temporários e por tempo determinado. A medida minimizaria o impacto das ausências diárias nas unidades escolares.


A prefeitura propôs ainda a redução da Atividade de Trabalho Pedagógico (ATP) individual e coletiva nas escolas, sem redução de salário, bem como a prorrogação do início da ATP obrigatória de janeiro de 2016 para janeiro de 2018.


Outra oferta foi a alteração no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), a fim de incluir as demais licenciaturas correspondentes ao currículo do sexto ao  nono ano, com Especialização em Gestão Escolar de no mínimo 1.000 horas, para que possam prestar o concurso para Gestores das Unidades de Ensino Fundamental


Por fim, o governo sugeriu a modificação na lei de acesso do professor adjunto para o cargo de especialista, reduzindo a exigência do tempo de serviço de cinco para três anos, ou seja, logo após a aprovação no estágio probatório.

Velório simbólico

Éder Azevedo

Servidores em greve fizeram ‘enterro’ com caixão e ‘morto’

Dentro da programação das atividades do movimento grevista, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) realizou, na manhã dessa quarta, uma nova passeata pelas ruas da cidade.


Eles saíram da sede da entidade, na rua Saint Martin, percorreram algumas das principais avenidas para convocar a adesão às manifestações e promoveram um velório simbólico da categoria, carregando um caixão e entoando palavras de ordem contra o prefeito Rodrigo Agostinho.


Aproximadamente 150 manifestantes participaram do protesto. O grupo passou pela Câmara Municipal, pela Secretaria de Saúde e seguiu até o Palácio das Cerejeiras, sede do governo.


O agendamento da reunião com o secretariado de Rodrigo  adiou o enterro simbólico, programado para acontecer no início da tarde de quarta, no aterro sanitário de Bauru.

Pais devem consultar escola sobre paralisação


Além dos 288 funcionários da Educação, aderiram à greve, nessa quarta, 25 servidores da Obras, 17 da Saúde e nove do Meio Ambiente. No primeiro dia de greve, as aulas foram suspensas na Emef Cônego Aníbal Difrância, no Parque São Geraldo, e a Emef Thereza Tarzia, no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000). Ontem, elas abriram as portas, mas não houve atividades na Emeii Arlindo Boemer Guedes de Azevedo, no Santa Edwirges.


Ao JC, na edição de quarta-feira, a secretária Vera Casério informou que a administração não tem como prever quais unidades podem, eventualmente, não receber os alunos. Portanto, cabe aos pais consultar diretamente nas escolas onde os filhos estão matriculados.


SAÚDE


Por conta da greve, o serviço de vacinação também foi suspenso em três Unidades Básicas de Saúde: Centro, Vila Cardia e Nova Esperança.


De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os postos terão esses atendimentos retomados assim que os profissionais grevistas forem substituídos ou voltarem às atividades.


Vacinação


A assessoria de imprensa da prefeitura esclarece que como os servidores que aplicam as vacinas são capacitados para o procedimento, não é possível promover essa substituição de forma automática.


Avanços


Em resposta ao primeiro movimento de greve da categoria, realizado em março, a prefeitura concedeu abono de R$ 55,00 não incorporável a todos os servidores, e R$ 30,00 de abono não incorporável àqueles que recebem até R$ 2.300,00. O vale-compra subiu de R$ 285,00 para R$ 310,00.


Como o vale-compra foi suspenso aos servidores inativos em março, por determinação do Tribunal de Justiça (TJ), atendendo a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo município para cumprir exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a prefeitura transformou o vale-refeição em abono pecuniário (em dinheiro) a ser pago a todos os servidores ativos e inativos na faixa salarial de até R$ 2.300,00.


Funcionários com carga horário de 12 horas por 36, que recebiam o vale-refeição, e estão acima deste valor, acabaram ficando de fora, mas na semana passada o prefeito Rodrigo Agostinho confirmou que estes profissionais voltarão a receber o abono, totalizando mais de 570 pessoas.


Na Educação, os professores até março não recebiam este valor, mas parte passou a ter os R$ 300,00 de abono por estar na faixa salarial contemplada, o que motivou os demais, que ganham acima de R$ 2.300,00, a aderir de forma mais contundente à greve.

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