Tribuna do Leitor

A tragédia no Nepal e a tragédia no casamento


| Tempo de leitura: 3 min

Dentre tantas tragédias que diariamente vemos ou ouvimos através da mídia, a ocorrida no Nepal pode ser considerada uma das mais terríveis em termos de abrangência (fora a tragédia que a população brasileira tem enfrentado todos os dias ultimamente, mas não é sobre isso que trataremos aqui...).

O número de mortos ultrapassa os oito mil e, revendo as imagens da destruição, nos impressiona a devastação ocorrida ali: casas, prédios e monumentos históricos ao chão; e das construções edificadas sobre uma base mais sólida ficaram somente piso e paredes. Imagens terríveis, levando em consideração as milhares de pessoas soterradas.

Os terremotos duraram poucos minutos, mas a intensidade com que vieram foi suficiente para causar toda aquela destruição.

A verdade é que uma tragédia assim, em segundos, pode devastar a vida das pessoas. Não que um terremoto ou um tsunami apareça de repente: a origem deles, a movimentação das placas tectônicas, não ocorre de uma vez, da noite para o dia; e as ondas sísmicas são propagadas de forma gradativa, podendo atingir a superfície com menor ou maior intensidade.

Traçando um paralelo em relação ao casamento, podemos dizer que devastação semelhante pode ocorrer quando, em segundos, a notícia terrível de uma traição é anunciada, por exemplo. Ao ofendido, falta-lhe o chão. De uma hora pra outra (ou de um minuto, um segundo) tudo desmorona: confiança, esperança, conquistas, a construção de uma vida junto com o outro, famílias, sonhos. Tudo ao chão. Terrível. É como olhar uma paisagem destruída por um terremoto ou um tsunami. Coisa triste de se ver.

Porém, de tudo podemos tirar uma lição (a vida é um eterno aprendizado). Lembra do que citei acima? Sobre as construções que mantiveram suas paredes em pé? Pois, então, muitas vezes é o que sobra - piso e paredes. E por que não reconstruir a partir disso? Por que não vasculhar entre os escombros e recolher aquilo que de uma forma ou outra a destruição não conseguiu atingir? Os destroços devem ser retirados e os mortos devem ser enterrados. Mas os bons pensamentos, as boas lembranças, essas ficam, não tem como ser diferente. E podem se transformar em matéria prima para a reconstrução.

E a mão de obra? Ninguém constrói nada sozinho. Destruir, sim, é possível. Mas para construir é necessário ajuda, motivação, mãos prontas e muita força de vontade. Aqueles que são atingidos diretamente estão sensibilizados, fracos, desesperançosos. Ai deles se não puderem contar com mãos amigas para essa reconstrução.

Não é nada agradável observar um cenário de destruição. Mas é reconfortante saber que, por mais destruído que esteja, a reconstrução é possível. Na tragédia do Nepal vimos os sobreviventes desolados, desorientados, sem saber o que fazer, mas tentando fazer alguma coisa, e também vimos chegar ajuda de várias partes do mundo. No futuro certamente a mídia mostrará sua reconstrução. E o que não puder ser recuperado servirá de memorial para lembrar que, por mais forte que seja o terremoto, ainda havia vida naquele lugar.

Que nas tragédias que assolam os casamentos possamos ver também os feridos sendo curados na alma e no coração; as famílias e os lares sendo reconstruídos; a confiança, a esperança e os sonhos sendo reconquistados, e o amor sendo derramado, porque o amor jamais acaba!

Lídia Mara Santos Oliveira da Silva

Comentários

Comentários