A General Motors (GM) pretende demitir os 819 metalúrgicos que devem voltar de lay-off (suspensão temporária dos contratos) no dia 9 de junho e colocar em férias coletivas os demais trabalhadores da linha de produção da fábrica de São Caetano do Sul (SP). Segundo o presidente do sindicato dos metalúrgicos da cidade, Aparecido Inácio da Silva, a montadora anunciou as decisões durante reunião com os funcionários, na semana passada. A empresa não se pronunciou sobre o assunto.
A proposta da GM, disse o dirigente sindical, é para que as férias coletivas comecem no dia 8 ou 15 de junho e durem de 16 a 20 dias. "Estamos negociando com a empresa para ver se ela troca essas férias por um day-off, quando os funcionários ficam em casa durante alguns dias da semana, mas recebem salário integral sem prejuízo nas férias (individuais)", afirmou Silva. Segundo ele, a ideia da empresa é de que, caso haja acordo na próxima semana, a parada comece dia 8. "Como não tem tido avanço, tudo caminha para o dia 15", comentou.
No caso das esperadas demissões, o dirigente diz que o sindicato está tentando construir um acordo para garantir a estabilidade do emprego dos 819 trabalhadores e não o pagamento de seis salários como previsto inicialmente no lay-off. Na manhã desta quinta-feira (21), os metalúrgicos se reuniram com a direção da montadora para negociar, mas, de acordo com o presidente do sindicato, não houve avanço. Um novo encontro foi agendado para a terça-feira, 26.
Caso as demissões se confirmem, será o segundo corte feito em São Caetano em pouco mais de um mês. No dia 8 de maio, a montadora demitiu 150 metalúrgicos da unidade, dos quais 50 estavam em licença remunerada. Na fábrica, além dos 819 trabalhadores com contratos suspensos, há 900 funcionários em lay-off desde a segunda-feira até outubro. O afastamento foi uma alternativa encontrada pela empresa e pelo sindicato para evitar a demissão de 386 trabalhadores que também estavam de licença.
São José dos Campos
Em assembleia desta quinta-feira (21), metalúrgicos da GM de São José dos Campos, interior paulista, decidiram aderir ao Dia Nacional de Paralisação, programado para 29 de maio, em protesto com o projeto de lei que amplia a terceirização no País. No encontro, eles também cobraram da montadora abertura imediata das negociações sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), alegando que estão atrasadas. O sindicato da cidade ameaça entrar em greve caso a demora continue. Na unidade, há 798 trabalhadores em lay-off até agosto.