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Feiras do Produtor ampliam espaço e apostam em preços

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Inaugurada na semana passada, na Praça Portugal, a 4.ª Feira do Produtor Rural funcionará nesta sexta-feira (22)

Quioshi Goto

Vânia Franco: “Tudo tem mais gosto e também dura muito mais”

Iniciativa implantada em Bauru há menos de três anos, as Feiras do Produtor Rural, que possibilitam a venda direta ao consumidor, têm ganhado cada dia mais espaço e adeptos na cidade. Charmosas, as feiras formadas pelas barraquinhas confeccionadas de bambu não chamam a atenção somente pela simplicidade – são menores que as Feiras Livres - e organização, mas pelos preços que têm praticado em grande parte dos alimentos.


Uniformizados com aventais e bonés do programa, que faz parte de uma parceira entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Prefeitura Municipal,  os produtores feirantes se dividem entre quatro diferentes endereços e dias na cidade (veja mais no quadro abaixo).


Além deste tipo, existe ainda a  Feira do Produtor da Reforma Agrária, outra iniciativa parecida na cidade, também paralela à Feira Livre, mas que é focada em cooperativas de produtores e teve início neste ano, após parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que doou 18 barracas, mas que se diferenciam das feitas de bambu da Feira do Produtor.


Pioneira


O Sindicato Rural de Bauru diz que a Feira do Produtor Rural tem agradado tanto - e não só os consumidores - que hoje há até uma “fila de espera” de sete produtores rurais aguardando a abertura de vagas para poder atuar como feirantes.


Maurício Lima Verde, presidente da entidade, frisa que a feira formada por produtores - tal como a de iniciativa do Senar com a prefeitura em Bauru - é pioneira no Estado.


“Nenhuma cidade oferece esse serviço. O município de Bragança Paulista (325 quilômetros de Bauru) tem buscado informação conosco para reproduzir essa iniciativa lá”, salienta Lima Verde.


Para ser feirante, o produtor precisa passar por um curso de curta duração oferecido pelo Senar. Lá, eles aprendem desde como confeccionar a barraca até a cultivar orgânicos.

Sem intermediação


O preço mais em conta, segundo avaliam Lima Verde e o titular da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia, decorre do contato direto entre consumidor e produtor proporcionado por esse tipo de comércio. Eles afirmam que alguns produtos chegam a custar 50% mais barato.


“Nosso negócio não tem intermediação como de estabelecimentos e de alguns participantes das Feiras Livres, que, às vezes, precisam pagar pelo transporte, além de arcar com impostos”, comenta Lima Verde. “O produtor não paga nada para ninguém. Se tiver lucro ou prejuízo, é problema só dele. E, se não tiver produção, simplesmente irá faltar na feira”, completa.


Já Chico Maia lembra que grande parte dos produtores rurais cadastrados faz parte de cooperativas e atuam na chamada agricultura familiar.


“Alguns pagam apenas uma taxa de fiscalização anual”, detalha Maia. “A diferença entre a Feira Livre e a do Produtor é que o feirante livre não precisa ser produtor rural, e pode intermediar e vender outros tipos de produtos, inclusive, os de origem animal, que, na Feira do Produtor Rural, não são permitidos”, compara o secretário.


Preferência


Diferença de preço e qualidade que a produtora rural e feirante Eneida Muniz Carrasco, 50 anos, uma das certificadas em Bauru com selo de 100% orgânico em suas verduras e legumes, faz questão de ressaltar aos clientes.


“Em qualquer outro lugar, o cliente pagaria R$ 4,00 em um maço de cheiro verde 100% orgânico. Aqui, é R$ 2,00, o mesmo preço que o não orgânico nos mercados. O mesmo acontece com o alface, a couve...”, exemplifica Eneida que, em dias de feira, acorda às 4h para colher a produção. “Também trabalhamos com encomendas, plantamos aquilo que o cliente quer”, acrescenta.


Frescor e qualidade que já ganhou a preferência de vários bauruenses como a dentista Vânia Regina Franco, 55, que frequenta semanalmente as Feiras do Produtor da cidade. “Sempre compro alface, couve, rúcula orgânicos da feira. Tem mais gosto e dura muito mais”, opina a consumidora.


Eneida é uma das participantes da 4.ª Feira do Produtor Rural, inaugurada na última sexta-feira na Praça Portugal. Lá, inclusive, foi aliado o artesanato, após parceria inédita dos produtores com a Feira do Ubá.


“Temos ganhado tantos adeptos que já projetamos abrir outras cinco feiras do tipo neste ano em Bauru”, finaliza Lima Verde.

 

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