Pedro Romualdo |
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Janira Bastos, a criadora de Rosa Bertoldi |
Está desvendado! A doutora em estética e história da arte Janira Fainer Bastos é a detentora do humor presente na releitura do cotidiano desenhado nos versos e grafismos de Rosa Bertoldi. Em seu segundo livro solo, a escritora Rosa Bertoldi mantém o elo iniciado em “Com Textos”, abusando do humor e brincando com os fatos e interrelações dos personagens.
As facetas de Rosa Bertoldi, pseudônimo adotado por Janira Bastos, estão no livro “Incoerências”, lançado pela Editora Canal 6 de Bauru e disponível nas principais livrarias. A coletânia reúne textos escritos para blog e jornal e mistura ficção e realidade.
Com apresentação de Marcus Bastos, artista e professor doutor em Comunicação e Semiótica da PUC/SP, as crônicas tratam desde questões simples e familiares, como seu cotidiano em função de seu recente casamento e suas aventuras pelo mundo, até questões políticas recentes.
O lado acadêmico de Janira e sua admiração por nomes como Caetano Veloso estão presentes na obra. Por lá, histórias do dia a dia abraçam questões múltiplas.
Formada em educação artística, a própria autora ilustra o livro, com linhas simples e elegantes. “São linhas produzindo formas, retalhos da realidade, traços captados pela visão em um piscar de olhos. Rabiscar em ambos os sentidos foi o que fiz com as imagens e com as palavras numa tentativa de dar ao leitor informações em quantidade suficiente para provocar a imaginação”, coloca Janira/Rosa Bertoldi. A decisão pelo nome “Incoerências”, vem, segundo a autora, da fragmentação de ideias que o livro traz por intermédio de cada um dos seus textos.
Ela desvenda que Rosa Bertoldi era sua bisavó paterna, que viveu no século 19. “Mas era uma mulher certamente do século XXI. E o vanguardismo dela para aquela época me levou a emprestar seu nome para o pseudônimo. Naquele período histórico um filho fora do casamento era algo além do incomum para os costumes e meu avô nasceu assim. Mas acho bonito isso, ela ter tido um filho enquanto solteira. É uma homenagem a este vanguardismo”, revela.
Janira exercita o lado Rosa pelo menos duas vezes por semana. “Ou eu rabisco ou eu rabisco em forma de palavras, sempre em dois dias por semana. Então a Rosa Bertoldi existe em mim também por necessidade, aquela vontade de colocar alguma coisa pra fora. Arte é forma e conteúdo”, comenta.
Nessa aventura prazerosa da arte da escrita, Janira partiu do gosto pela forma e estilo presentes nas crônicas de José Lins do Rego, apreendendo humor e histórias alçadas em diferentes lugares.
É a ficção “brincando” com a realidade.
