O Brasil passa por momento tempestuoso. A população sente isso diariamente. Seja no reajuste da passagem dos ônibus circulares até nos preços dos produtos no supermercado. Viver neste país não está fácil. A criminalidade toma proporções audaciosas, ao arrepio de uma segurança pública que faliu, inequivocamente. Quer segurança? Pague por ela. A soma de todos esses fatores anda influenciando um êxodo de pessoas. Jovens, de todas as classes do país, querem cruzar as fronteiras e tentar uma vida melhor em nações mais civilizadas.
Os programas de estudos no Exterior cresceram vertiginosamente na última década. Na prática, a migração acontece por meses ou anos a fim de garantir novos conhecimentos e diferentes visões de mundo. Na volta, contudo, o choque é inevitável. Das duas uma: ora a experiência foi escabrosa ora, ao se depararem com uma cultura mais equilibrada no exterior, a vontade que fica é de retornar. Sobre o segundo caso, há indivíduos que, mesmo com nível superior, desistem da formação e abraçam funções tidas como menos expressivas, avizinhando um futuro melhor. E muitos conseguem.
Recentemente, estive em Portugal, porém a turismo. Voltar foi deveras difícil, isso que passei apenas dez dias no país. Os portugueses acessam caixas eletrônicos nas ruas. O transporte público é de qualidade e se traduz em ônibus, bondes, metrôs, trens, etc. Lisboa, a capital, é uma metrópole planejada, que convida as pessoas a deixarem o carro em casa para desafogar as vias e facilitar a fluidez do trânsito. Compare a situação com São Paulo ou Porto Alegre. A realidade dói, dói muito.
A sociedade atual vive contornos massivos. A vida não é mais linear como na época de meus pais, por exemplo. Uma grande decisão precisa ser tomada a cada dia. Às vezes se esforçar muito e planejar uma carreira pode não ser suficiente. Os jovens sentem essa instabilidade e procuram lugares mais prósperos para conduzir sua vida. No exterior, os custos são baixos, mas a permanência em outro país não depende só disso.
É preciso estar muito seguro de si para uma decisão assim. O Brasil tem oportunidades, sim, mas o que encanta os viajantes é a qualidade de vida do europeu, por exemplo. Eles estão num nível que o brasileiro desconhece. Entretanto, que o sonho não nuble a realidade. As dificuldades são muitas. O preconceito, a distância da família, por exemplo. Em suma, o jovem de hoje deve buscar sua felicidade, mas que raciocine bem sobre como chegar a ela.
O autor é bacharel em Direito e estudante de Jornalismo