Política

Professores 'devolvem o pacote' e greve chega ao 3º dia na quinta

Thiago Navarro e Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Servidores protestaram em frente à Secretaria da Educação

A greve dos servidores municipais chegou ao terceiro dia nessa quinta-feira (21) e manteve índice de adesão semelhante aos registrados na última terça (19) e quarta-feira (20). Ao todo, a prefeitura registrou 350 servidores parados até o começo da noite dessa quinta, sendo a maioria, novamente da Educação: 309 (ou seja, 88% do total). Nas outras pastas, foram 15 servidores da Saúde, 18 da Obras e oito da Semma. Servidores da Educação rejeitaram um pacote de melhorias funcionais.


Nessa quinta, o município não detectou nenhum escola sem funcionamento. Nos dois primeiros dias, foram três unidades totalmente paradas (duas Emefs e uma Emeii). Na Saúde, três Unidas Básicas (UBS) suspenderam atividades: no Centro, Vila Cardia e Nova Esperança. Houve interrupção no serviço de vacinação, mas a prefeitura afirma que os atendimentos médicos agendados seguem. Na Urgência e Emergência (UPAs, Pronto Socorro, Pronto Atendimento Infantil e Samu), o atendimento segue normal.


3º dia


Os manifestantes deliberaram logo pela manhã a continuidade do movimento, rejeitando a proposta feita anteontem voltada aos servidores da Educação, em que não havia aumento financeiro, mas sim o atendimento de reivindicações como redução do ATP coletivo e contratação de professores substitutos por tempo determinado.


Nesta quinta-feira (22), a partir das 7h30, a mobilização seguirá com reunião na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), apontando os rumos do movimento.


Nessa quinta pela manhã, os servidores protestaram em frente ao Palácio das Cerejeiras e promoveram um ‘enterro simbólico’ do funcionalismo público bauruense. Eles chegaram a ir até o aterro sanitário, mas não puderam entrar. No período da tarde, houve novo ato nas Cerejeiras e em frente à Secretaria de Educação, que fica a uma quadra da sede do Poder Executivo.


Os servidores da Educação, tanto professores como profissionais de apoio, ‘devolveram’ de maneira simbólica à secretária Vera Casério as propostas apresentadas na véspera. “Isso não estava em pauta na greve, são reivindicações anteriores. Não é isso que estamos discutindo agora”, ressalta Sônia Carvalho, diretora do Sinserm.


A titular da Educação ponderou. “Fizemos uma série de propostas e faz parte da democracia os servidores aceitarem ou não. É o que podemos oferecer do ponto de vista da Secretaria. Na parte financeira, não temos autonomia para dar um aumento ou abono. Esta parte tem que ser tratada com a prefeitura”, afirma Vera Casério.


O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) frisou ontem que não há espaço para aumento salarial, além do que já foi concedido. “Até aquilo que já foi acertado em março passou da nossa expectativa no Orçamento. No momento não temos como dar novos reajustes, não tem dinheiro”, confirma.


Divergências


Os números apresentados ontem pela prefeitura revelam uma queda na participação dos servidores: foram 300 nesta quinta-feira, contra 364 no dia anterior. O Sinserm, por outro lado, entende que o movimento manteve-se estável, e diz que foram aproximadamente 350 pessoas em greve ontem. “Acreditamos que houve até um ligeiro aumento”, comenta Sônia Carvalho.


O prefeito Rodrigo Agostinho, em compensação, afirma o contrário. “Eu sempre ando bastante pela prefeitura, e o que vi hoje (ontem) foi um número menor de servidores em greve. Foram computados 300 pessoas, mas muitos na verdade faltaram, não estavam em greve, porque nas manifestações do sindicato a gente teve conhecimento de umas 200 pessoas participando”, rebate o chefe do Executivo. “As pessoas estão percebendo o momento difícil do País. Concedemos o que era possível, mas agora não há margem para novos aumentos”, menciona.

Na Câmara

Independente do que for deliberado nesta sexta – pela sequência ou encerramento da greve – o Sinserm confirma que estará presente na sessão da Câmara Municipal na próxima segunda-feira (25).


Há uma semana, a prefeitura se comprometeu em pagar o abono de R$ 300,00 aos servidores com jornada 12 por 36 horas Na ocasião, ainda houve a proposta de redução do tempo para incorporação salarial e aumento do tempo de progressão da carreira. Porém, outra proposta apresentada na semana passada foi recusada: a mudança da data-base de 1º de março para 1º de janeiro.


O prefeito Rodrigo Agostinho vai conversar nos próximos dias com o secretário de Administração, Célio Bucceroni, para terminar de formatar o texto que será enviado ao Legislativo, contemplando estas propostas. “A mudança da data-base, como foi rejeitada pela categoria, deve ser retirada”, antecipa. O texto terá de passar pelas Secretarias de Administração, Negócios Jurídicos e Finanças antes de seguir para a Câmara.

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