Política

MEC adia e Medicina fica para 2016

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O início do primeiro curso de Medicina em Bauru ficará mesmo para 2016. Isso porque a Secretaria de Regulação e Supervisão do Ensino Superior (Seres), do Ministério da Educação (MEC), adiou para o dia 10 de julho a escolha das instituições que receberão os cursos nas 39 cidades credenciadas pelo Ministério em setembro de 2014 – entre elas Bauru e a vizinha Jaú (a 47 quilômetros de Bauru).


A escolha preliminar seria divulgada nessa sexta-feira (22), com prazo para eventuais recursos de 25 de maio a 5 de junho, e a divulgação final em 24 de junho, o que, em tese, permitiria que a instituição escolhida iniciasse o curso já no segundo semestre deste ano. O prazo para a implantação é de até 18 meses após a publicação do resultado final.


Entretanto, o MEC anunciou ontem que, em função da grande quantidade de instituições que enviaram propostas, a data de divulgação do resultado preliminar passou para 10 de julho, com prazo para recurso entre 13 e 22 de julho, e resultado final sendo publicado no Diário Oficial da União em 28 de agosto. Ou seja, o curso de medicina nestas cidades só começará no próximo ano, para que haja tempo hábil de realização de processos seletivos (vestibular) e a estrutura para os primeiros semestres de aula. Em Bauru, serão oferecidas 100 vagas por turma (anualmente).


Seis


Em Bauru, seis instituições estão concorrendo para receber o curso. Em abril, o MEC publicou aquelas que foram pré-aprovadas, com a divulgação de resultados preliminares – mas que podem mudar totalmente na próxima divulgação, em julho, quando efetivamente se saberá qual instituição deve receber a faculdade de Medicina, com a ratificação em agosto.


Na classificação preliminar, a Uninove foi a primeira colocada, com a Anhanguera Educacional em segundo, Unoeste em terceiro, Unimar em quarto, Anhembi-Morumbi em quinto, as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) em sexto e a Estácio de Sá em sétimo. A Unicastelo chegou a enviar proposta, mas foi desclassificada.


Das seis entidades que seguem no certame, apenas a FIB é bauruense, comandada pela família Ranieri, com mais de 70 anos de atuação no setor educacional (com o Colégio Liceu Noroeste, e depois com a própria FIB). Das demais concorrentes, a Anhanguera possui câmpus em Bauru, na Avenida Moussa Tobias (região norte da cidade), e a Uninove também está presente no município, oferecendo principalmente cursos de graduação e pós-graduação à distância.


Unoeste, Unimar, Anhembi-Morumbi e Estácio de Sá não possuem nenhuma atividade em Bauru atualmente.


Mais Médicos


O edital que selecionou os 39 municípios, de todas as regiões do País, faz parte do Programa ‘Mais Médicos’, do governo federal. Comandado pelo Ministério da Saúde, o programa foi lançado em 2013 com o objetivo de levar médicos a regiões com carência destes profissionais.


Cidades maiores, como Bauru, também foram incluídas. Na primeira fase, muitos médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, vieram para trabalhar no Brasil, e muitos deles ainda estão atendendo na rede básica de saúde. Estes médicos não podem atuar na urgência e emergência, por conta das regras do programa.


Neste ano, o Mais Médicos fez nova seleção de profissionais, mas não houve necessidade de trazer estrangeiros desta vez, pois todas as vagas foram preenchidas por brasileiros. No setor de ensino, o Mais Médicos tem como objetivo formar novos profissionais em cidades e regiões que ainda não possuem cursos de Medicina, com a implantação de cursos privados. A concessão de bolsas é um dos critérios que pode pesar na escolha das entidades em cada município.


Um edital foi aberto em 2013, na qual Bauru participou e foi aprovada. A etapa seguinte é a escolha da instituição que receberá o curso em cada cidade, cujo prazo de divulgação foi prorrogado pelo MEC, que coordena esta parte do programa, com o apoio do Ministério da Saúde. Neste ano, novo edital foi aberto, mas voltado a cidades do Norte e do Nordeste.


Pública


Mesmo com a instalação de um curso privado podendo ocorrer já no primeiro semestre de 2016, Bauru segue pleiteando um curso público. Em março de 2014, a presidente Dilma Rousseff, durante entrega do Minha Casa Minha Vida na cidade, anunciou que Bauru teria um curso público futuramente, mas ainda não houve nenhuma movimentação do governo neste sentido.


Paralelamente, um projeto de lei do deputado federal Milton Monti (PR-SP) tramita no Congresso Nacional, para criar a Universidade Federal de Bauru. A instituição pública começaria já com Medicina, e abrigaria ainda outros cursos na área de saúde. O projeto passou em março pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara. 

 

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