João Rosan |
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Com a Polvo Produtora, Roberto Aparecido Pallu coleciona importantes trabalhos dentro e fora do Brasil |
Ele nasceu na pequena Quatá, mas rodou o Brasil com o trabalho voltado para a comunicação audiovisual. Já viveu em São Paulo, Rio de Janeiro, em Parauapebas, no Pará, mas foi em Bauru que se apaixonou e fixou residência.
O entrevistado de hoje é o diretor da Polvo Produtora, Roberto Aparecido Pallu. “Ela estava de calça bege, blusa azul, tênis All Star e cabelos presos. Foi amor à primeira vista”, diz ele, sobre a esposa, Tathiana Rodrigues Saqueto.
No mercado de trabalho há 29 anos, ele coleciona experiências dos quais se orgulha. Com a produtora, realizou grandes projetos até em âmbito internacional. “Todo esse trabalho é possível devido às parcerias que tenho em várias partes do Brasil e do mundo. Eu trabalhei em várias regiões do País e fiz muitos contatos, muitos amigos”, destaca Pallu.
Entre suas várias atuações na TV, em 1996, ele foi o diretor responsável pela implantação da primeira TV Educativa a cabo no Brasil, a TVE Jundiaí. Em 1997 foi para a Amazônia e implantou uma emissora do SBT e uma da Rede Record. Produziu e dirigiu documentários sobre temas polêmicos e ganhou prêmios. Em 2004, participou da implantação do núcleo de produção da TV TEM. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade - Quais foram os seus endereços antes de Bauru?
Roberto Aparecido Pallu - Nasci em Quatá. Meus pais eram lavradores em uma fazenda de café. Depois do Golpe Militar, o dono da fazenda cortou toda a plantação e colocou pasto. Meus pais, tios e amigos da família migraram para o ABC. Eu me criei em Mauá. Toda minha família é da área metalúrgica. E eu sempre tive uma ligação com o meio artístico, o que até incomodava meu pai. Quando fiz 17 anos, passei em um vestibular e fui para o Rio de Janeiro estudar artes.
JC - Você viveu quantos anos no Rio?
Pallu - Fiquei quase seis anos no Rio. Foi uma baita experiência. Eu já tinha uma certa prática com fotografia, mas, quando entrou a disciplina de iluminação, eu pirei! Com a fotografia, eu consegui sobreviver fazendo fotos de divulgação de espetáculos teatrais. Isso aos 20, 21 anos. Toda sexta-feira, uns caras de TV, teatro e produção se reuniam para tomar chope. E eu passei a frequentar o lugar e a fazer amizades. Com isso, comecei a escrever textos humorísticos para personagens de programas de TV, como a Escolinha do Professor Raimundo. Isso me dava uma graninha. Em 1989, houve uma crise e cinco teatros fecharam suas portas. Fui para São Paulo.
JC - Em São Paulo, as experiências profissionais também foram boas?
Pallu - Sim. Eu peguei uns ‘bicos’ como técnico cultural na Secretaria de Cultura. Mas decidi voltar a estudar e vim parar na Unesp de Bauru, onde cursei jornalismo. Por aqui, eu integrei a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, na sua fundação. Ao mesmo tempo, eu participava de um movimento estudantil da Unesp, o que não foi bem visto e eu fui convidado a sair da Oficina. Depois disso, arrumei outros empregos até que um professor me contratou para a sua produtora. Depois fui redator, produtor, coordenador de produção...
JC - Você também teve importantes atuações na TV.
Pallu - Eu participei da implantação da Band, da São Paulo Centro, como gerente de produção e de criação. Foi muito bacana. Em Bauru, fazíamos coisas muito legais. Em 1994, fizemos um material sobre a prevenção da dengue, que ganhou um prêmio da Fundação Oswaldo Cruz. Fiquei em Bauru até 1994. Voltei para São Paulo, onde trabalhei em produtoras. Em São Paulo, fui convidado a fazer um vídeo em Parauapebas, no Pará. Fiquei quase quatro anos na região amazônica. Fiz muitos trabalhos bacanas. Ganhamos prêmios e eu implantei o SBT e a Record em Parauapebas. Também me orgulho de ter implantado, em 1996, a TVE Jundiaí, uma TV educativa, cultural... um projeto que deu muito certo. Acho bacana fazer parte dessa história e ser reconhecido por isso.
JC - Quando você voltou a Bauru?
Pallu - Eu estava em Belém quando um cidadão me ligou e me convidou para dirigir a campanha eleitoral do Tuga Angerami. Eu sou apaixonado por campanhas políticas. Voltei. Ao entrar na produtora responsável pela campanha, eu vi um ser iluminado no computador. Ela estava de calça bege, blusa azul, tênis All Star e cabelos presos.
JC - Amor à primeira vista?
Pallu - Exatamente! Ela era a estagiária e eu me apaixonei na hora. Começamos a namorar. Eu já estava com as malas prontas para ir embora depois da campanha. Ela pediu para eu ficar umas duas semanas na casa dela. Eu fiquei dois anos no apartamento dela (risos). E estamos juntos até hoje. Em 2002, o pessoal da Amazônia me chamou de novo para preparar o espírito do pessoal para a possível vitória do Lula. Fiz a inserção da campanha nas comunidades ribeirinhas. Em 2003, voltei a Bauru e trabalhei com filmes educativos para a indústria farmacêutica. Mas não passava pela minha cabeça ser empregado. Eu não conseguia ficar parado no mesmo lugar. Em 2004, entrei na TV TEM para participar da implantação do núcleo de produção. Saí em 2005.
JC - Foi nesse momento que nasceu a Polvo Produtora?
Pallu - Sim. Encontrei um amigo em um restaurante e conversamos sobre montar a minha produtora. A ideia do nome polvo veio da Tathi, por causa dessa minha característica de vários tentáculos. Começamos com freelas, como pessoa física, até a empresa se profissionalizar. Fizemos a campanha do prefeito Rodrigo Agostinho e a produtora foi crescendo. Há muito do que me orgulhar com a produtora, mas em janeiro deste ano mandei equipes para fazer um filme corporativo em países como Estados Unidos, México, China, França, Reino Unido, Suécia, Espanha e Taiwan. Entre os dias 29 e 30 de maio, vou dirigir a transmissão ao vivo do Arnold Classic Brasil, no Rio de Janeiro.
JC - Qual é o segredo desses seus vários “tentáculos”?
Pallu - Todo esse trabalho é possível devido às parcerias que tenho em várias partes do Brasil e do mundo. Eu trabalhei em várias regiões do Brasil e fiz muitos contatos, muitos amigos. Tenho condições de fazer produções em lugares distantes sem precisar pegar um avião. Isso é fruto de um trabalho de 29 anos, em que fiz amizades e parcerias.
JC - Sobre o seu hobby.
Pallu - Quando criança, a gente saía de Mauá e descia a Serra do Mar até Cubatão pelos riachos e voltava em trens de carga. Então, essa relação com o meio ambiente sempre esteve presente em minha vida. No Pará, ajudei em alguns projetos ambientais e também já participei de projetos na SOS Mata Atlântica. Então, sempre que eu posso, eu planto mudas de árvores pela cidade.
JC - Você completou 50 anos recentemente. Isso representa um marco?
Pallu - Eu ganhei uma festa surpresa da minha esposa e, olha, chorei muito. E eu não sou de chorar. Sou ogro (risos). Já vivi muitas situações complicadas ao longo da vida e isso me ajudou a segurar a onda. Mas com essa festa eu desabei. Fazer 50 anos é um marco. Tenho conversado muito com amigos sobre a perspectiva que temos sobre ampliar a visão de mundo. Hoje penso sobre coisas que fiz e tenho uma visão diferente das coisas. Você se livra de preconceitos e vai entendendo como as coisas acontecem, tanto na vida pessoal, quanto na profissional.
Perfil
Nome: Roberto Aparecido Pallu
Idade: 50 anos
Signo: Touro
Local de Nascimento: Quatá/SP
Esposa: Tathiana Rodrigues Saqueto
Filhos: Mateus Pallu
Livro de cabeceira: “O Lobo da Estepe”
Hobby: Plantar, em vasos e pela cidade
Filme preferido: Hair
Estilo musical predileto: Rock
Time de futebol: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para minha esposa
Para quem dá nota 0: Para o desmatamento no Brasil
E-mail: pallu@polvoprodutora.com.br
