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Estrupício Mutante é resgatada após ser furtada de ateliê em Bauru

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução Facebook

Em sua rede social, Viviane Mendes disse que agora é só restaurar a obra

Duraram pouco mais de 12 horas as buscas pela estátua que havia sido furtada na tarde deste domingo (24), no ateliê da artista plástica bauruense Viviane Mendes. Chamada de Estrupício Mutante (veja o porquê do nome mais abaixo) por sua criadora, a obra foi subtraída da área externa da sua casa de arte, onde estava exposta há três semanas, na quadra 19 da alameda Octávio Pinheiro Brisolla, Jardim Aeroporto.


“Eu fiquei aliviada quando um artista conhecido meu, o argentino Daniel Marino, me chamou aqui no ateliê logo no início da manhã me falando que viu no JCNET e no JC que a arte havia sido furtada daqui. Ele a reconheceu jogada num terreno baldio próximo daqui do ateliê. Ele mesmo foi buscar e me trouxe”, contou Viviane Mendes, feliz e aliviada em tê-la de volta.

Viviane contou que foi alertada que era perigoso a arte ficar exposta ali, mas, mesmo assim, achou que valia a pena. “Ela não está à venda. Estamos no Brasil e o risco de furto é grande, eu sei. Fui teimosa e acreditei que valia a pena porque nestas últimas três semanas ela se tornou em mais um ponto turístico onde pessoas passavam e faziam fotos, selfies e me perguntavam como foi feita”, conta.

Reprodução Facebook

Obra instigava reflexão e ficava exposta no ateliê do Jardim Aeropoto

Repercussão internacional

Viviane Mendes disse que recebeu mensagens de amigos e clientes que estão fora do País e se solidarizaram com ela.

“Me chamou a atenção que depois que o JCNET postou a reportagem do furto, eu não parei de receber mensagens via celular, Facebook e Whatsapp. Amigos e clientes que coleciono por Bauru, em todo o Brasil e aqueles que estão fora do País, me deram palavras positivas, me consolaram e torciam para que  a encontrassem. E foi o que aconteceu”, revela.

Ladrões podem ter “devolvido”

Com a repercussão na Internet desde a noite deste domingo, a artista acredita que as pessoas que a furtaram não imaginavam que o crime iria gerar tanta repercussão e acabaram, por medo, se livrando da Estrupício.

“Acredito que quem a levou pode ter se arrependido e, de certa forma, me devolvido, tendo em vista que deixaram aqui próximo do ateliê, no terreno em frente ao Aeroclube”, reiterou a artista, que contou ao JCNET o motivo e a inspiração do nome da obra.

Por que Estrupício Mutante?

A artista Viviane Mendes revelou ao JCNET os detalhes de sua estátua. Contando pela primeira vez à imprensa, ela disse que foram cerca de dois meses para produzir uma de suas artes favoritas, para instigar a reflexão de quem a contempla.

“É arte. Eu não quis fazer algo propriamente belo, mas sim mostrar o que fazemos com o nosso corpo. As transformações que nos impusemos a fazer quando nos tornamos reféns das ditaduras do corpo e da beleza. Tive grande inspiração nos trabalhos artísticos históricos da tribo dos índios Kadweus, os maiores artistas da pintura corporal que viveram no Brasil. Povo remanescente da grande nação Guaicuru, que teve domínio em todo leste do Pantanal e regiões da fronteira com o Paraguai. Eles, desde então, já nos mostravam a relação de inveja que o homem sempre teve dos animais.”, revelou Viviane.

Para confeccionar a saia, que segundo ela foi o mais trabalhoso, ela utilizou e reaproveitou armação de tela de galinheiro e usou cerca de 200 zíperes coloridos que deram um retoque gracioso às vestes da estátua.

O busto foi propositadamente avantajado para chamar a atenção da aplicação desenfreada de silicones e o corpo revestido de tatuagens, moda entre jovens e adultos de todas as idades.

Lábios, orelhas e outros detalhes também foram revestidos por piercings. E, para completar, os cabelos foram feitos por plumas e penas que Viviane foi recolhendo em ruas, praças e colecionando durante muito tempo.

“E o nome, que todo mundo me pergunta o motivo, está aí. Quando terminei eu olhei e disse pra mim mesma: gente, o que foi isso? Parece um 'estrupício'. E pegou. E o 'mutante' é porque ela, a arte, e assim como nós, estamos em constante mudança”, finaliza a artista, que irá restaurar a obra danificada e colocá-la novamente em exposição no seu ateliê.

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