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Após três acidentes, canteiro no final da Getúlio será avaliado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Douglas Reis

Canteiro que separou acesso à avenida Affonso José Aiello vem causando vários transtornos

Após a polêmica gerada em torno do canteiro recém-instalado para separar o trânsito na rotatória localizada no final da avenida Getúlio Vargas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) anunciou que irá avaliar o impacto provocado pela intervenção viária. Somente entre sexta-feira e domingo, três acidentes foram registrados no local. Um deles foi noticiado pelo Jornal da Cidade no sábado.

     

Além disso, muito gente se assusta ao, subitamente, se deparar com a mureta, que provoca manobras bruscas, lentidão e muitas dúvidas nos usuários. Além de provocar lentidão na fluidez do tráfego.


O número já equivale ao total de ocorrências contabilizadas em 141 dias, entre 1 de janeiro e a última quinta-feira, segundo dados da própria autarquia. Um especialista ouvido pelo JC, autoridades municipais e o autor do projeto são unânimes em afirmar que os transtornos estão sendo provocados pela falta de sinalização na bifurcação, mas ponderam que a construção deverá contribuir para a melhoria do trânsito assim que todas as adequações forem finalizadas.


A responsável pela obra é uma franquia do McDonald’s, que deverá ser inaugurada no início do próximo mês no local. As melhorias viárias foram cobradas em ação civil pública protocolada pelo Ministério Público Estadual devido à previsão de aumento do trânsito de veículos no entorno.


Após audiências, o restaurante contratou o engenheiro de trânsito Dalmar Vitor Vinciprova Faria Netto, residente na Capital, para elaborar o projeto, que foi aprovado pelo município. Na semana passada, a instalação do canteiro – além de outras alterações na rotatória – foi concluída.


Mas, até nessa segunda-feira (25), a sinalização definitiva não havia sido iniciada. A previsão, segundo a Secretaria Municipal de Obras, é de que a pintura de solo começasse a ser feita pelo empreendedor ainda nesta terça-feira (26).


Paliativos


A Emdurb também garantiu que, a partir de ontem, no horário de pico entre o final da tarde e início da noite, um agente do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) passaria a alertar os motoristas sobre a presença do dispositivo. Por conta das inúmeras reclamações, representantes da autarquia e secretarias municipais de Obras e Planejamento (Seplan) se reuniram ontem para tentar buscar soluções para o problema.


“Uma saída seria a própria Secretaria de Obras implantar uma sinalização provisória. Ainda estamos avaliando o que é possível fazer dentro das normas, mas iremos contatar o empreendedor para que o que está previsto em projeto seja concluído o quanto antes”, observa o titular de Obras, Sidnei Rodrigues.


Em simultâneo a isso, a Emdurb se comprometeu a iniciar um monitoramento no local por dois meses, para avaliar se o canteiro, mesmo depois de sinalizado, continuará dificultando o fluxo de veículos e causando acidentes. “Mas, se percebemos alguma anormalidade antes, já poderemos adotar medidas para solucionar o problema”, diz Sidnei.

Emdurb não chegou a analisar projeto

O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, reconheceu, ontem, que os técnicos da autarquia não chegaram a analisar o projeto. “Entendemos que se tratava de uma intervenção pequena, que poderia ser resolvida pelas outras secretarias (Obras e Seplan), com acompanhamento posterior da Emdurb para avaliar a necessidade de eventuais correções”.


Titular de Obras, Sidnei Rodrigues, contudo, classificou o procedimento como “falha”, que, segundo ele, não voltará a ocorrer. “Esta obra foi resultado de um dos primeiros Estudos de Impacto de Vizinhança (EIVs) analisados pelo município, em meados de 2014. Ainda estávamos nos adaptando aos novos critérios e acabou ocorrendo esta falha”.


De acordo com o secretário, antes de passar pelo crivo das secretarias de Planejamento e Obras, o EIV foi enviado para o Grupo de Análise de Empreendimentos (GAE), Conselho do Município de Bauru (Conselho da Cidade) e Ministério Público Estadual. O promotor de Urbanismo, Luís Gabos Alvares, salienta, no entanto, que, ao MP, coube apenas exigir as medidas mitigatórias do impacto viário previsto a partir da instalação do novo empreendimento. “Propus uma ação civil pública em meados no ano passado para solicitar aos novos empreendimentos daquela região que apresentassem o EIV e efetuassem as melhorias apontadas como necessárias. Mas quem aprova projeto não é o MP. Ele é executado pelo empreendedor, sob fiscalização da prefeitura”, salienta.


À época, o único novo empreendimento que precisava da aprovação do EIV para iniciar as obras era a franquia McDonald’s e foi ela o responsável por providenciar o projeto para a execução das alterações viárias. Além da construção do canteiro, foram detectados como necessários a redução do diâmetro da rotatória e um recuo no terreno do restaurante, entre outros.


Segundo o empresário Emerson Hortolan, proprietário da franquia, o projeto foi idealizado de acordo com orientações da prefeitura. “E este projeto foi aprovado pelo município. Acatamos todas as recomendações que recebemos e obedecemos a todas as exigências que nos foram impostas. Nada foi feito de maneira irregular ou somente de acordo com a nossa vontade”, pondera.


Zebras e tachões


Autor do projeto que determinou as alterações na rotatória da avenida Getúlio Vargas, o engenheiro Dalmar Vitor Vinciprova Faria Netto afirma que os problemas registrados no local são resultado da falta de sinalização, que ainda precisa ser instalada. Entre elas, tachões (também chamados de “tartarugas”) e uma demarcação zebrada, em forma de triângulo, para disciplinar o tráfego até o canteiro.


“O projeto também prevê a instalação de sinalização vertical (placas) para alertar os motoristas. É bem detalhado e irá melhorar a fluidez do trânsito, porque os motoristas que seguem para a avenida Affonso José Aiello não precisarão mais parar na rotatória”, pontua.


Especialista em Engenharia e Segurança Viária, o engenheiro Archimedes Raia Junior também avalia que o projeto tende a beneficiar o fluxo de veículos, mas destaca que, ao menos provisoriamente, a sinalização deveria ter sido providenciada. “Deixar algo inacabado assim é muito perigoso, além de gerar um transtorno enorme. Na manhã de ontem, em horário de pico, a fila de veículos chegava próximo à rotatória que dá acesso à avenida Nossa Senhora de Fátima (um trecho de cerca de 400 metros)”.


Motoristas questionam as obras e reclamam dos transtornos no trecho


Enquanto a sinalização ou eventuais alterações não são executadas, os motoristas continuarão tendo de redobrar a atenção para transitar pela rotatória. Moradora de um residencial próximo, a aposentada Graça Spinelli, 55 anos, passa ao menos duas vezes por dia pelo local e reclama. “O fluxo de veículos leva os motoristas a dar de cara com o canteiro. É um perigo. Acredito que nem mesmo com sinalização o problema vai ser resolvido”, opina.


No último sábado (23), Manoel Pinho Filho também se manifestou na Tribuna do Leitor do JC, cobrando respostas da prefeitura. “A princípio, como leigo que sou, considero que o mesmo somente atrapalhará o fluxo no local com o agravante de propiciar a ocorrência de acidentes”, previu.


Os transtornos e riscos parecem se intensificar no período noturno, quando a visibilidade dos motoristas diminui. Na noite da última sexta-feira, a reportagem esteve na rotatória e, além de um dos acidentes, pôde constatar inúmeros veículos freando ou desviando bruscamente para evitar a colisão com o canteiro.

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