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Mulher de 50 anos percorre 412 km para conseguir internação

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Facebook/Reprodução

Joselita em carro: saga por saúde, contudo, foi de ambulância

Três dias de espera e 412 quilômetros de viagem em uma ambulância. Esta foi a saga enfrentada pela Joselita Maria de Moraes Faria, 50 anos, até conseguir ser internada em um hospital público. A vaga para a moradora de Bauru, em estado grave de saúde desde a tarde do último sábado (23), só saiu em Ribeirão Preto, na noite dessa terça-feira (26). Antes disso, já havia sido levada até Botucatu, onde não conseguiu atendimento.


A paciente foi vítima de um aneurisma da aorta. Trata-se de uma doença grave, que atinge a maior e mais importante artéria do sistema circulatória, que sai do coração e chega até a região lombar.


“Ela sofria de pressão alta, mas nunca tinha sofrido algo sério dessa forma. Foi tudo muito rápido. Não durou mais do que 15 minutos e deixou minha tia sem movimentos nas pernas”, conta Iara Rossi, sobrinha de Joselita, sobre o episódio que levou a paciente à UPA Bela Vista logo após o almoço de sábado.


Após o socorro inicial, contudo, os familiares não imaginavam a maratona à qual a paciente seria submetida até ser internada e passar pela cirurgia cardiovascular recomendada para seu caso.


Joselita ficou na UPA até a noite de domingo, quando foi transferida para o Pronto-Socorro Central (PSC). “Depois disso, nos disseram que ela iria para o Hospital Estadual ou para Botucatu”, lembra Iara.


A internação, no entanto, só foi liberada quase 24 horas depois, na segunda-feira, no Hospital das Clínicas, que fica a 92 quilômetros de Bauru. A paciente, então, foi conduzida por uma UTI Móvel, acompanhada por um médico, ao destino de seu leito.


BARRADA


Após a longa viagem, considerando a gravidade do estado de saúde de Joselita, o hospital de Botucatu não permitiu sua internação, mesmo com a autorização por parte da Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde (Cross), órgão vinculada à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que controla os leitos do SUS nas unidades de sua jurisdição.

“A ambulância ficou 25 minutos parada lá na frente do hospital e depois voltou a Bauru. Nem podiam esperar muito por causa da quantidade de oxigênio disponível”, relata Iara Rossi.


Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) de Saúde do município, Luiz Antônio Bertozo Sabbag afirma que o HC, de fato, não dispunha de leitos para receber a paciente. “Mas a Central determinou a internação por vaga-zero, o que ocorre quando a vaga não existe, mas há a necessidade de atendimento”, explica.


Segundo ele, a “viagem perdida” de Joselita a Botucatu colocou sua vida em risco. Considerando a ida e a volta, foram 184 quilômetros percorridos.


NOVA RECUSA


De volta ao Pronto-Socorro Central de Bauru, a paciente conseguiu, na manhã de ontem, mais um aval da Cross para que fosse internada no Hospital das Clínicas. Dessa vez, no entanto, antes de nova viagem, a unidade de Botucatu já avisou o serviço municipal de saúde que não acolheria a dona de casa, em razão da lotação de seus leitos.


“Antes de aceitá-la, eles pediram também um exame que o sistema público não faz em Bauru”, pontua Sabbag.


A solução só veio no início da tarde, quando a central de vagas autorizou a internação de Joselita para a cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A dona de casa saiu de Bauru por volta das 17h30, acompanhada por um médico da rede municipal, em uma UTI Móvel.


Foram mais 228 quilômetros de viagem até a unidade, totalizando 412 quilômetros de uma injusta e sofrida maratona.


Questionada pelo JC, a Secretaria do Estado de Saúde limitou-se a informar que a Cross iniciou o processo de regulação assim que recebeu a solicitação de vaga pelo PSC de Bauru para a paciente Joselita Maria de Moraes Faria.


Drama


Segundo a família, problemas de saúde de Joselita foram desencadeados pelo nervosismo em decorrência de doença da mãe. A dona de casa de 50 anos é ex-fumante, agravante para o quadro de aneurisma da aorta. Sobrinha da paciente, Iara Rossi diz que a tia está consciente, mas, em função da medicação, passa a maior parte do tempo dormindo.


Na noite dessa terça (26), Joselita já fazia, em Ribeirão Preto, alguns dos exames que antecedem a cirurgia.

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