João Rosan |
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Maquinário é utilizado para a execução do serviço durante a noite desta terça-feira: desfecho |
Após muitas reclamações, o polêmico canteiro instalado para separar o trânsito na rotatória localizada no final da avenida Getúlio Vargas foi, definitivamente, retirado. A decisão foi tomada nessa terça-feira (26) pela Secretaria de Obras e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), após técnicos reavaliarem que, neste momento, a intervenção viária causaria mais transtornos do que benefícios aos motoristas.
A pasta e a autarquia tiveram novo entendimento sobre o dispositivo após análise realizada no período da manhã. Nessa terça à noite, por volta das 19h15, após o horário de pico, uma máquina da empreiteira contratada pela rede McDonald’s, responsável pela obra, começou a demolir o canteiro.
Desde sábado, o Jornal da Cidade já vinha alertando para os riscos causados pela construção, que contabilizou, ao menos oficialmente, três acidentes desde a última sexta-feira. Após o primeiro deles, a reportagem esteve no local e pôde observar inúmeros veículos freando e desviando bruscamente para evitar a colisão.
Motoristas que transitam diariamente pelo trecho também manifestaram seu descontentamento com a mudança, que tinha a intenção de facilitar o acesso à avenida Affonso José Aiello.
Até segunda-feira (25), mesmo com o registro de acidentes e visíveis transtornos, Emdurb e Obras ainda avaliavam que o dispositivo conseguiria garantir maior fluidez no trânsito a partir do momento em que recebesse a devida sinalização.
Na manhã dessa terça (26), contudo, recuaram e decidiram pela demolição. Segundo o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, a bifurcação só seria eficiente se viesse acompanhada de outras obras, como a pavimentação de ruas a partir da avenida Affonso José Aiello – uma saindo da avenida Nossa Senhora de Fátima e outra da avenida Getúlio Vargas, a cerca de cem metros de distância da rotatória.
Rodrigues destaca que o projeto para estas obras já existe e seria executado por empreendimentos futuros do entorno, como contrapartida ao impacto viário provocado no local. “Mas não há previsão de quando isso irá acontecer. Estas vias alternativas desafogariam o tráfego que, hoje, está todo concentrado naquela rotatória. E, com menos veículos, talvez o canteiro pudesse funcionar melhor”, completa.
Quem paga
Apesar da retirada do dispositivo, contudo, a rotatória não voltará a ficar como antes. Segundo a Emdurb, a ideia é manter a separação do fluxo, com passagem direta (sem parar) dos veículos que saem da Getúlio para acessar a avenida Affonso José Aiello. Ainda na terça, engenheiros da autarquia estudavam a melhor maneira de refazer o projeto.
Entre as propostas, estava dividir as faixas apenas com pintura de solo ou tachões (também chamados de “tartarugas”). “A ideia é manter o projeto original, mas sem um obstáculo que gere risco para os motoristas, com possibilidade de acidentes. Estamos desenhando a proposta, ainda não está finalizada. Mas tudo o que precisar ser feito, será feito”, comenta o presidente da Emdurb, Nico Mondelli.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do McDonald’s se limitou apenas a informar que “a obra atende rigorosamente às solicitações feitas pela Prefeitura de Bauru e Ministério Público”. O secretário de Obras confirmou, contudo, que a empresa se comprometeu a disponibilizar equipamentos e pessoal fazer a retirada do canteiro. O JC também apurou que a rede custeará a adequação determinada pela Emdurb, que não deverá ter valor elevado.
Atenção no trecho
A retirada do canteiro foi concluída ainda na noite de ontem e a previsão é de que a pavimentação seja feita ainda hoje. Não havia, contudo, confirmação sobre o horário em que a obra seria executada.
O trabalho, como é de se esperar, deverá comprometer o trânsito de veículos no local ao menos em uma parte do dia e a recomendação é para que os motoristas evitem circular pelo trecho.
Contrapartida
A instalação do canteiro e a alteração do traçado da rotatória no final da avenida Getúlio Vargas são resultado de uma ação civil pública protocolada em meados do ano passado pelo Ministério Público Estadual (MP) para cobrar melhorias viárias devido à previsão de aumento do trânsito de veículos no entorno.
Com previsão de inaugurar uma nova unidade no local em junho, a rede McDonald’s contratou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o projeto para a execução das obras apontadas como necessárias por este documento.
Segundo Sidnei Rodrigues, antes de ser aprovado pelas secretarias municipais de Obras e de Planejamento, o EIV foi enviado para o Grupo de Análise de Empreendimentos (GAE), Conselho do Município de Bauru (Conselho da Cidade) e MP.
Por aquilo que o município considerou uma “falha”, o projeto não chegou a ser analisado por técnicos da Emdurb.
O caso foi parar nas redes sociais e em espaços como a “Tribuna do Leitor” do JCNET.