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Secretaria de Saúde não contabiliza novos registros da dengue por causa de falha no sistema |
Há 16 dias, Bauru não registra nenhum novo caso de dengue. A notícia, que poderia ser recebida como alívio em ano de epidemia, na verdade, é resultado de uma falha no sistema informatizado do Ministério da Saúde, usado para emissão dos relatórios sobre os números oficiais em cada cidade do País.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde para obter mais detalhes sobre a pane, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, é nesta ferramenta, chamada Dengue Online, que a pasta registra seus dados. “Por algum motivo, ele ficou fora do ar e não conseguimos mais fazer a contagem. Mas esses números continuam lá. Quando o sistema voltar, tudo volta a se normalizar, sem prejuízo para as estatísticas”, garante.
A última divulgação da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município foi em 13 de maio, quando a cidade totalizou 3.230 casos de dengue em 2015, sendo 3.170 autóctones e 60 importados, com três óbitos. Novas notificações não voltarão a ser feitas até que o sistema do Ministério da Saúde seja normalizado, algo que não tem previsão para ocorrer.
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A Secretaria Municipal de Saúde destaca, contudo, que, independentemente do problema, o número de casos suspeitos já vinha decrescendo gradualmente nas últimas semanas por conta da queda das temperaturas e da redução do volume de chuvas. “Entre o final de maio e início de junho, a epidemia regride, porque as condições do tempo não favorecem a reprodução dos mosquitos”, observa o titular da pasta, Fernando Monti.
Sorologia
Diferentemente de outros municípios, Bauru continua realizando exame de sorologia para todos os casos suspeitos de dengue – e somente estes, quando positivos, entram para as estatísticas. Os testes vem sendo realizados com recursos da prefeitura, já que, quando o município atinge o índice de um caso para cada 1 mil habitantes, o governo estadual deixa de custear os exames.
A partir de então, na maioria das cidades, o procedimento é adotar o critério clínico-epidemiológico para o diagnóstico, em que qualquer pessoa com febre e mais um ou dois sintomas característicos de dengue - como dor no corpo, dor nos olhos ou náusea - passa a ser considerada automaticamente com a doença. Em Bauru, esta conduta deveria ter sido adotada quando a cidade atingiu aproximadamente 350 casos.
Mas, por decisão da administração municipal, os exames que vinham sendo feitos pelo Instituto Adolfo Lutz às custas do Estado passaram a ser realizados em laboratórios particulares da própria cidade. “Sem esta comprovação, certamente teríamos números superestimados, já que nem sempre os pacientes que se enquadram neste critério clínico-epidemiológico estão infectados pelo vírus da dengue”, completa Monti.
