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Flamengo tem vitória incontestável, no jogo em Marília, e Bauru é vice

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 8 min

Malavolta Jr.

O time carioca soube novamente se impor sobre o time de Guerrinha e Larry na partida de ontem e fechou o campeonato

Os cerca de 7 mil torcedores que lotaram o ginásio de Marília na sétima edição do Novo Basquete Brasil (NBB), nesse sábado, viram o time bauruense sucumbir diante da intensidade deo jogo do Flamengo. O time carioca confirmou sua superioridade e fechou as finais em 2 a 0 e venceu por 77 a 67.


Assim, o Paschoalotto/Bauru Basket encerra a temporada 2014-15 com quatro títulos e o vice-campeonato no Novo Basquete Brasil. Foram cinco finais em cinco campeonatos disputados e a conquista de três torneios de forma invicta. Na manhã do sábado, porém, a equipe bauruense foi derrotada para o Flamengo, por 77 a 67, que fechou a série melhor de três jogos em 2 a 0.


Os dois primeiros lances da partida davam a entender que desta vez seria diferente da derrota sofrida semana passada no Rio de Janeiro. Olivinha do Flamengo chuta de três e a bola nem deu aro. “Eles não podem acertar tudo e estar tão bem todo dia”, disse a torcedora Leticia Vaz que ficou próxima à área reservada para a imprensa, até conseguir um local nas arquibancadas cheias. Da posição onde estava ela viu a rápida reposição de bola: Robert Day acerta de três. Mais foi só.

Samantha Ciuffa

O mecânico bauruense José Maria Fernandes, 84 anos, talismã da equipe, achou que “faltou gás” ao time

Aos poucos o Flamengo impõe seu jogo. E até começa a dar espetáculo. Faltando 3 minutos para acabar o primeiro quarto Meynsse enterra, sofre a falta e espalhafatoso ainda se exibe para a torcida. Era o 22 a 9 para o Flamengo. Superioridade gritante. No ataque, as bolas de Bauru não caem. Lances perdidos embaixo da cesta e fora do garrafão. Bauru perde o quarto por 25 a 11.


No segundo quarto, quase empatamos. A parcial foi 14 a 15 para o Flamengo. Para quem precisava tirar uma diferença de 14 pontos, “ficou a certeza de que acabou o gás”, disse um profissional de educação física ligado à Unesp Bauru que pede para não ser identificado. Nada dava certo. A torcida bauruense que lotou o estádio com o apoio maciço dos marilienses estava calada.


Barulho só de cerca de 200 torcedores do Flamengo e da festa organizada pela LNB – Liga Nacional de Basquete: o clima era de NBA, a grande liga de basquete norte-americana. Havia até o mascote The Gorilla, do Phoenix Suns, e as cheerleaders do Orlando Magic, time que virá ao Rio para uma partida de pré-temporada contra o Flamengo, em outubro. Eles divertiam o público a cada pedido de tempo e no intervalo.


Nas tribunas, estava o técnico da seleção brasileira, Rubén Magnano. Ele via a superioridade flamenguista, que vencia por 40 a 25. E na quadra, o mecânico bauruense José Maria Fernandes, 84 anos, uma espécie de talismã do time da cidade e que acompanha a equipe há 18 anos dizia “todo mundo vem me cumprimentar, acho que pensam que sou o salvador da pátria”.  Também o prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, estava presente ao lado do secretário de Esportes Roger Barude e o vereador Markinho da Diversidade.  

Malavolta Jr.

O time de Bauru corrigiu erros, mas sucumbiu ao Flamengo

Acordou tarde


E se a torcida esperava uma reação à altura da equipe que ganhou duas prorrogações contra o Mogi, nos play-offs, já no início do segundo tempo, não foi o que aconteceu. Na nova parcial, o time visitante marcou 22 a 14. A virada a essa altura parecia impossível.


Foi só no quarto final que o time de Bauru acordou e esboçou uma forte reação. Conseguiu diminuir uma diferença de 26 pontos para dez. A três minutos do final, mesmo com os gritos da torcida “eu acredito, eu acredito” acabou o sonho da difícil virada. Coube ao Flamengo administrar essa diferença até porque Bauru ainda perdeu seu principal jogador, Robert Day, com cinco faltas. Números finais: 77 a 67 e o time do técnico José Neto, oriundo do Paulistano e contemporâneo de seleção do técnico Jorge Guerra, o Guerrinha, vindo de Franca, levou a melhor.


A opinião do estudante de jornalismo, Wesley Canteiro, de Lins e que acompanha os jogos do Bauru, era o eco de muitos outros especialistas: “Na verdade o time disputou estas duas partidas bem abaixo do esperado. Está muito parado. É preciso analisar não o mérito do adversário mas quantos lances o time bauruense com a bola na mão não marcou e ainda deu de presente a posse de bola para o adversário”.


Temporada vitoriosa


Sentado por alguns minutos na sua cadeira de técnico, sozinho, Guerrinha pediu alguns minutos para falar com a imprensa, enquanto o time do Flamengo fazia a festa. Depois da entrega das medalhas e troféus, ele descartou a palavra fracasso em sua análise.

“Não se pode falar nisso. Fizemos uma temporada histórica, chegamos a todas as finais e ainda temos pela frente o mundial. Jogar a final do NBB diante do atual campeão mundial não é fácil, perdemos o Jefferson num momento crucial (desfalque por problemas médico). Faltou um pouco de intensidade, mas nossa equipe está de parabéns por tudo que fez neste ano. Foi uma temporada vitoriosa”, destacou Guerrinha.


Comandante responsável por levar a equipe a todas as finais da temporada, Guerrinha só concordou com a visão de que o confronto foi na hora em que o time de Bauru estava em queda e pegando um Flamengo em alta e bastante mordido com a derrota que teve na Liga das Américas, quando sequer disputou o título em casa. “Isso sem dúvida também faz a diferença”.

Samantha Ciuffa

Segundo a PM, a estimativa foi de 6.700 a 7 mil torcedores assistindo a partida

 

 

FOCO NO MUNDIAL


Ainda no calor da derrota, a diretoria do Paschoalotto-Bauru indicou que não haverá mudança na equipe


Malavolta Jr

Robert Day consola a filha Laine na derrota pela final do NBB

Samantha Ciuffa

Larry Taylor lamentou a reação tardia da equipe no jogo

Vitor Jacob, diretor-técnico do Paschoalotto Bauru reforçou que esta foi uma temporada fantástica para o time bauruense e indicou que o time não sofrerá modificação para focar no Mundial. “Vamos nos reunir na terça-feira, mas tivemos uma excelente participação. Este título não veio, mas conquistamos outros. E não podemos esquecer que temos uma grande disputa pela frente e agosto está aí”, disse em referência ao Mundial de Basquete.


Jacob fez referência aos quatro títulos conquistados em 2014-2015 (bicampeão paulista), Jogos Abertos do Interior, Liga Sul-Americana e Liga das Américas e agora o vice-campeonato, do NBB. Mas ainda falta a final do Mundial de Clubes, quando o Real Madrid será o adversário de Bauru, em data ainda a ser definida, no segundo semestre.


Em relação ao resultado do jogo desse sábado (30), o principal destaque do time, Robert Day, com 23 pontos, não conseguia estancar o choro da filha Laine, de oito anos, que acompanhou a partida no Ginásio Neuza Galetti, em Marília. O ginásio mariliense se tornou a casa dos bauruenses, porque a cidade ainda não tem um local com capacidade para mais de 5 mil pessoas, como previa o regulamento do NBB.


Robert lamentou a derrota e disse que, ontem, aconteceu mais um ‘capricho do basquete’ do que falhas da equipe. “De fato a bola teimou em não cair, deixando a gente com um rendimento baixo. Fazíamos o possível, acertamos a marcação, melhoramos a posse de bola, não cometemos os mesmos erros passados, mas erramos no ataque, na finalização. Chegávamos lá e a bola não caia”, disse reconhecendo que no último ano Bauru teve uma temporada difícil.


O armador Larry Taylor deixou a quadra ontem com 11 pontos, sete rebotes e seis assistências, ontem. “Tivemos um ano vitorioso, de muitas conquistas, mas deixamos essa escapar. Foram dois jogos muito duros, tivemos uma reação no final do jogo de hoje, mas não foi o suficiente. Ficamos tristes por esse resultado hoje, por chegar tão perto e de novo ficar longe, mas se pensarmos na temporada, foi brilhante e também somos vencedores”, frisou Larry Taylor.


Ricardo Fischer, 14 pontos e 5 rebotes, considerou que a parada que tiveram entre a classificação e o início dos play-offs acabou se tornando prejudicial. “Além disso todos os times têm altos e baixos. Nós tivemos nosso baixo rendimento na hora errada, mesmo assim fizemos bonito. É do jogo perder, e estávamos um pouco mais desgastados nessa final do que prevíamos do ponto de vista físico. Mas hoje foi uma fatalidade, não conseguimos desenvolver um bom ataque, porque melhoramos muito em fundamentos que não funcionaram na primeira partida. O Flamengo além de mais motivado, perdeu a Liga em casa, precisava dessa vitória, isso também fez a diferença”.

 

Adversário “mordido”


Três dos jogadores adversários reconheceram que precisavam ganhar e estavam “mordidos” com a derrota que tiveram para Bauru, tanto no próprio NBB mas principalmente durante a Liga das Américas. Olivinha, que fez 15 pontos ontem disse que “até na fase classificatória fomos mal. Agora tínhamos que voltar a ganhar”. O norte-americano Meyinsse enfatizou que a gana foi pela vitória e o argentino Hermann, campeão olímpico, disse que estava feliz porque o ápice da equipe “foi agora”.


Samantha Ciuffa

Moradores de Marília, os amigos Jorge Luiz, Eduardo Cunha e Luiz Carlos Ribeiro torceram por Bauru nesse sábado

Marília, a casa de Bauru


O jogo já estava rolando e a torcida ainda se comprimia na porta do ginásio para entrar. À exceção de duas centenas de torcedores com a camisa do Flamengo, todo o ginásio fora completado por bauruenses.


A tradicional rivalidade do futebol (Noroeste x MAC) não aconteceu. E difícil era saber quem era bauruense ou mariliense. Aline Cardin Martha viajou de Bauru a Marília com a filha Gabriela de cinco anos. “Acordamos cedinho, com frio mesmo. Ela adorou a recepção, a festa, o espetáculo, isso é o que importa”.


Três torcedores de Marília, os amigos Jorge Luiz, Eduardo Cunha e Luiz Carlos Ribeiro diziam: “Queríamos mais festa ainda para a semana que vem. Não temos um time de alto nível. Os marilienses têm que saber o que é um jogo de alto nível, queríamos ver mais um espetáculo destes aqui. Bauru está de parabéns”.

 

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