Alex Mita |
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Na foto, espaço inter-religioso do Centrinho |
Cada uma tem sua própria história e guarda as esperanças, pedidos e agradecimentos dos que por elas passam. Assim são as pequenas capelas mantidas por instituições privadas e particulares, de modo especial por hospitais e centros de tratamento e reabilitação.
Muitas vezes tímidas e ocupando espaço discreto, as capelas se destacam por oferecer abrigo e alento para o exercício da fé. Em Bauru, elas são redutos em hospitais. Para os profissionais da saúde, são indispensáveis para a recuperação dos pacientes, já que propiciam o exercício e o fortalecimento da fé na vida e, consequentemente, na recuperação.
Além das casas de saúde, outras instituições também mantêm um espaço reservado para a espiritualidade. Na Universidade Sagrado Coração (USC), além da fé, a capela abriga arte. No Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), a antiga capela, desativada para restauração, abriga a história dos antigos moradores do Asilo-Colônia Aimorés.
Inter-religiosos
Nos hospitais, uma tendência atual é a transformação das capelas em espaços inter-religiosos, onde grupos de diferentes religiões e crenças podem colocar seus projetos em prática, principalmente com pacientes e seus acompanhantes.
Santuário do HB foi construído no início da década de 1950
João Rosan |
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Toda terça-feira, às 15h, tem missa na capela do Hospital de Base |
Estrategicamente posicionada no andar de internação, a pequena capela do Hospital de Base de Bauru (HBB) abriga as imagens de São José e de Nossa Senhora Aparecida, além de um quadro com a oração do enfermo. Segundo dados da assessoria de imprensa da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o espaço destinado às orações foi fundado no mesmo ano do hospital, em 1951.
Segundo a enfermeira Tainá Tiemi Miyoshi, a oração deixa os pacientes mais animados e confiantes. “Muitos vêm até a capela antes da cirurgia, e antes da alta médica eles voltam para agradecer”.
Toda terça-feira, às 15h, uma missa é conduzida por uma ministra da Paróquia São Benedito.
Manoel de Abreu
O Hospital Estadual Manoel de Abreu (HEMA) também abriga uma capela construída entre as décadas de 1940 e1950, provavelmente a mais antiga das capelas dentro de uma instituição sob a gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). Porém, não há placas que sinalizem seu nome ou data de fundação. Muito visitada, a capela recebe missas semanalmente, toda quinta-feira à tarde, com a celebração do Padre Milton, da Paróquia São José Trabalhador.
Orações para Santa Isabel
A Maternidade Santa Isabel (MSI) não abriga uma capela, mesmo assim, um espaço é reservado para orações. Um singelo altar fica na recepção de pacientes com flores e uma imagem de Santa Isabel, presente há anos na maternidade. A instituição foi fundada em outubro de 1978.
Além da fé: templos de arte e história
Na Universidade Sagrado Coração, santuário tem arte iconográfica de artistas búlgaros; Lauro de Souza Lima abriga a capela Nossa Sra. das Dores
Muito além da fé de seus frequentadores, as capelas também guardam tesouros das instituições que as abrigam, como a arte e a história.
Na Universidade Sagrado Coração (USC) há duas capelas. Uma privativa no prédio-dormitório das irmãs e outra aberta aos alunos e comunidade. Esta última data de 1970, quando a USC era a antiga Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Fafil), mas ganhou nova cor e arte com uma reforma em 1997.
“Através do arquiteto Jurandir Bueno, a capela ganhou a arte iconográfica de dois artistas búlgaros. Isso foi feito na tentativa de resgatar a iconografia da Igreja do primeiro milênio cristão e mostrar que a arte faz parte do saber. Tal arte faz parte da busca da Igreja por suas origens”, pincela o coordenador da pós-graduação em antropologia e professor de estética e história da arte e literatura da USC, Antônio Walter Ribeiro de Barros Júnior.
E as pinturas nas paredes da capela encantam seus visitantes. Cheias de simbolismos, elas remetem à vinda das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus ao Brasil, no século XIX. A ressurreição também está representada na arte do templo, assim como o elemento feminino na figura de Maria, que mostra o caminho para os cristãos, ou seja, Jesus Cristo.
Coração
Para a coordenadora da Pastoral da Universidade, irmã Carina Cássia de Souza, a capela é o coração da instituição.
“Os alunos procuram muito este espaço. Ele já abrigou casamentos de professores e ex-alunos, que voltam para se unir em matrimônio aqui. Também é aqui que os ex-formandos celebram reencontros. A importância da capela está no fato de focarmos na formação humana e, nela, entra a espiritualidade”, afirma.
Aberta diariamente, a capela da USC recebe missas às segundas, terças, quintas e sextas-feiras, sempre às 7h. (Veja as fotos e leia mais logo abaixo)
Fotos: Alex Mita |
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Construída em 1970, na antiga Fafil, a capela da USC foi decorada com a iconografia búlgara na reforma de 1997 |
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O coordenador da pós-graduação em antropologia da USC, Antônio Walter Ribeiro de Barros Júnior, explica o resgate artístico-religioso das pinturas; para a coordenadora da Pastoral da Universidade, irmã Carina Cássia de Souza, a capela é o coração da instituição bauruense |
Lembranças que o tempo não apaga
Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal |
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Voluntário do Morhan, Jaime Prado lembra com nostalgia do funcionamento da capela, que conheceu em 1968 |
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A capela do ‘Lauro’ atualmente está fechada e passa por restauração; nas fotos, o antes e o processo de reforma |
Abrigada no Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), a capela Nossa Senhora das Dores guarda histórias dignas de um bom livro. Inaugurada em 15 de setembro de 1951, era frequentada pelos internos do antigo Asilo-Colônia Aimorés, e hoje está fechada para restauração.
“A inauguração contou com a presença de autoridades e personalidades do Estado e da cidade, como Lauro de Souza Lima, na época diretor do Departamento de Profilaxia de Lepra (DPL) do Estado de São Paulo, e dom Henrique Goulandi Trindade, bispo de Botucatu. Também houve a cobertura de uma emissora de rádio, a antiga PRG 8”, conta Jaime Prado, um dos representantes na Preservação da História das Colônias do Estado de São Paulo e voluntário do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) Nacional, na base de Bauru.
Entre as muitas histórias perpetuadas no interior do templo estão os matrimônios dos asilados. Muitos dos casamentos foram realizados na década de 1950, segundo Jaime. Entretanto, a igreja funcionou até meados da década de 1970.
“Meu amigo e padrinho de casamento, Durval Candozin, hoje com 87 anos de idade, foi um dos que se casaram nessa capela. Ele foi internado na colônia em 1956, onde conheceu a esposa, Nair Marega (já falecida). Eles se casaram em 1959, uma história maravilhosa que nos faz viajar no tempo”, reporta Jaime.
Entre os fatos interessantes da capela, ele também destaca a presença frequente do bandeirante da ciência brasileira, o cientista Lauro de Souza Lima, considerado o verdadeiro pai e missionário dos portadores da hanseníase, naquela época, o terror da humanidade. “Tenho informações de que a igreja não será usada como tal porque não é consagrada, então, pode ser usada para outras finalidades, não sei qual será. Lamento muito. Conheço a história do lugar desde 1968.”
‘As capelas renovam a fé e a força’
Presentes nos hospitais e centros de reabilitação, espaços religiosos simbolizam a esperança de recuperação para pacientes e seus familiares
Presentes em hospitais e centros de reabilitação, as capelas representam para pacientes, seus pais e acompanhantes, espaços religiosos onde a crença na recuperação é exercitada.
A capela do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP), o Centrinho é um exemplo. Criada no início da década de 1990, o espaço de oração recebe a visita de funcionários, pacientes e, principalmente, pais e acompanhantes de pacientes que necessitam ficar dias internados para o tratamento. Tanto que a capela foi construída intencionalmente ao lado das salas de internação.
Alex Mita |
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Dentro de hospitais, capelas são usadas principalmente por pais e acompanhantes de pacientes; como Maíra Michielon Parra de Lima, no Centrinho |
“Apesar das imagens de santos católicos presentes, este é um espaço de caráter ecumênico, voltado a todas as religiões. Ele não tem horário de abertura ou fechamento. Assim como o hospital, a capela está de portas abertas 24 horas”, comenta Ana Lúcia Lima de Assis, responsável pelo setor de eventos do Serviço de Comunicação do hospital.
Porém, uma missa é celebrada toda quarta-feira, às 13h, por integrantes da Paróquia Universitária.
Fundamental
A reportagem do JC nos Bairros encontrou Maíra Michielon Parra de Lima, 29 anos, que falou sobre a importância de se manter um espaço de oração dentro de hospitais. Moradora de Curitiba, no Paraná, ela passou cerca de 10 dias no Centrinho devido à internação para tratamento do filho de apenas 4 meses de vida.
“Antes do Centrinho, meu filho precisou ficar internado em Curitiba para uma cirurgia no coração. Lá, como aqui, também tem capela. Passei o tempo todo em oração. Capelas são fundamentais em hospitais”, relata.
De acordo com Maíra, espaços destinados à oração abrandam o ambiente estressante que os hospitais representam. “Aqui na capela a energia é diferente. É algo mágico. Dá forças. É como se nossa fé fosse renovada para continuarmos a caminhada da vida”, acredita.
Para psicóloga, espiritualidade é fundamental no tratamento de doentes
Alex Mita |
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“O incentivo do exercício da espiritualidade é primordial em hospitais”, destaca a supervisora do serviço de psicologia do Hospital Estadual e do Hospital Estadual Manoel de Abreu, Bruna Meira |
No jardim da área externa do Hospital Estadual de Bauru (HEB) existe um espaço inter-religioso que foi inaugurado em março de 2005, com a presença de representantes de várias crenças e religiões. Desde então, a área é disponibilizada a funcionários, pacientes e seus acompanhantes.
As flores e o verde do gramado do jardim que abriga o espaço por si só convidam ao relaxamento e exercício da espiritualidade. O prédio destinado às orações já abrigou grupos religiosos que realizavam encontros de oração, projeto que, segundo a supervisora do serviço de psicologia do HEB e do Hospital Estadual Manoel de Abreu (HEMA), Bruna Burneiko Alves Meira, deve voltar em breve.
“A ideia é convidar grupos de religiosos, católicos e evangélicos, por exemplo, para a realização de trabalhos de fortalecimento religioso. Esse espaço já abrigou muitas missas e cultos, mas os projetos deram um parada por conta de reformas”, explica.
Ainda de acordo com a psicóloga, o incentivo ao exercício da espiritualidade é primordial em hospitais. Ela acredita que, assim como o apoio da família, a fé ajuda na boa evolução dos tratamentos, pois o motiva.
Três pilares
“Há estudos, inclusive, que compravam essa eficácia. São três os pilares que devem caminhar unidos para a melhor recuperação de um paciente: o tratamento médico, o exercício da espiritualidade e o apoio da família”, aponta.








