Durante muito tempo não se viu em Lençóis Paulista uma carreira tão meteórica quanto a do jovem empresário do ramo da comunicação segmentada Anderson Prado de Lima. Candidato a vereador pela primeira vez em 2012, foi eleito com pouco mais de 600 votos. Votação, diga-se de passagem, pouco expressiva diante de nomes como os dos advogados Ailton Tipó Laurindo, que alcançou mais de 1.800 votos e André Paccola Sasso, com um pouco menos de 1.400.
Antes dele, figuravam outros 13 candidatos mais votados, pois foi só o 14º em números de votos. Conseguiu alcançar um assento legislativo devido ao quociente eleitoral, sendo o segundo mais votado pelo Partido Verde. Até aí, tudo normal, nada de mais.
Porém, já no início do mandato, ocupou a Segunda Secretaria da Mesa Diretora da Casa e, junto com o então presidente Humberto Pita, promoveu uma verdadeira revolução na administração da Câmara Municipal.
Demitiu, contratou, readequou, participou ativamente da maior parte das decisões da gestão que devolveu o brio e a transparência à Casa de Leis do nosso município, coisa há muito esperada por todos. Atuante, e eleito independente, seu posicionamento firme logo o tarimbou como oposicionista ao governo que comanda o município faz 20 anos. O que causa estranheza até hoje, já que sua base eleitoral é, em boa parte, situacionista.
Em sua gestão como vereador, vem fazendo um trabalho amplo e bastante amargo para o Poder Executivo em algumas ocasiões, como sua defesa pela segurança pública, principalmente, pela criação de uma Guarda Municipal Armada, que é clamada pela sociedade.E esse tom mais ácido vem lhe rendendo uma porção de desafetos, especialmente vindo da Praça das Palmeiras, onde está o poderio bélico da administração, aliado àqueles que já perseguiram e metralharam seu falecido tio e ex-prefeito José Prado de Lima.
Contra este, o poderio econômico, o controle da informação e a influência política tentaram - e não conseguiram por muito pouco - lançar o nome do Pradinho na lama. Tempos depois, como um balde de água fria sobre os seus perseguidores, seu sobrinho, ascende como presidente da Câmara, cargo que nem ele mesmo conquistou e continua ascendendo rumo aos outros patamares políticos possíveis.
No cenário político, uma coisa é certa: as lideranças consideradas de oposição, não só aquelas que atuam nos corredores da Prefeitura e da Câmara, estão se alinhando, formando uma força que, se bem dirigida, oferecerá muita resistência ao gigantesco grupo do PSDB, partido que conta com aliados econômicos poderosos e com duas centenas de servidores que há duas décadas têm incorporado aos seus salários funções gratificadas, nome chique (próprio de tucanos) que deram aos cargos de confiança do Executivo. Mas não é somente a inteligência e o agrupamento dessas forças taxadas de oposição, existe um verdadeiro clamor pela população que as mudanças ocorram. E ocorram logo.
A prefeita pode ter feito sua parte no primeiro ano de mandato, capengou neste segundo e deverá chegar saturada no final. No meu ponto de vista, a força oposicionista que se levanta ainda está sendo coerente quando deixa de apelar para a simples politicagem para marcar posição séria no que diz respeito aos interesses de uma sociedade e do povo lençoense.
O jovem Prado, no olho do furacão, é presidente de uma Câmara Municipal rachada e herdeiro de inimigos políticos que não são seus, terá um árduo caminho pela frente. Não duvido que ele possa se dar bem, se resistir às pressões do seu próprio eleitorado, constituído em larga escala por comerciantes aliados à prefeita Izabel, que não será candidata em 2016. Nisso, ainda, pesa o seu papel como presidente da Acilpa, representante dessa mesma categoria de empresários. Vai precisar ter jogo de cintura e separar as coisas, enquanto seus adversários tentarão misturar.
À frente da entidade que reúne a classe empresarial da cidade, Prado conseguiu que a associação crescesse 25% em filiações só em 2014, segundo o informativo da própria Acilpa. Também foi capaz de viabilizar a maior campanha de final de ano já vista em Lençóis Paulista.
Se fizer com a Câmara Municipal o que fez com a Acilpa, seu prestígio junto à população lençoense só irá aumentar. Na rua, seu nome já é sugerido como vice-prefeito de Tipó ou Pita, os mais otimistas já o lançam como o sucessor de Izabel Lorenzetti.
Para quem conhece o político mais de perto como eu, desde a época em que ele cresceu pelas ruas do Núcleo, sabe que o rapaz pisa um degrau por vez e é extremamente cauteloso sobre o assunto.
Cautela, aliás, é uma palavra importante para Prado, porque a ascensão de um nome que também tem base eleitoral na classe formadora de opinião e com prestígio crescente no meio do povo, pode incomodar (já está incomodando) muita gente que detém o poder há décadas, que parecem séculos. E, em se tratando de perda de poder, todo cuidado é pouco.
Billy Mao - jornalista e fotógrafo