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Os EUA irão organizar o futebol mundial?

Kláudio Cóffani Nunes
| Tempo de leitura: 3 min

E todos comentaram: mas por que justamente os EUA, onde o futebol (soccer) NÃO é um esporte popular, é que estão promovendo a maior "faxina" no futebol mundial e brasileiro, processando e podendo condenar à prisão por cerca de 20 anos os maiores dirigentes da Fifa, da América Latina e do Brasil? O processo está correndo, nos EUA, por conta da investigação de casos de suborno envolvendo a CBF e uma grande fabricante de roupas esportivas dos EUA, patrocinadora da CBF. E como essa empresa é americana, promotores públicos do EUA passaram a investigar esse propinoduto, que os levou até a Fifa.

Como vivemos em um mundo globalizado, os efeitos poderão se fazer sentir até na mídia em Bauru, pois o nome Tem, de nossa retransmissora local de televisão, é o acrônimo do nome da empresa "Traffic Entertainment and Marketing", cujo diretor presidente, José Hawilla, 71 anos, o qual já é réu confesso dentro do processo de investigação em curso nos EUA e é figura-chave neste descomunal esquema de corrupção relacionada aos direitos de transmissão de eventos como a Libertadores da América, a Copa América e a Copa do Mundo de 2014. O esquema é tão rentável que, segundo a Folha de São Paulo, ele já fez acordo na Justiça americana para devolver US$ 151 milhões (cerca de R$ 475 milhões) ao confessar extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Será que isso afetará nossa mídia local?

Mas, exercendo meu enorme direito de livre-pensar, procurando motivos mais profundos, mais estratégicos (dentro da visão estratégica americana), levantei a seguinte "teoria da conspiração": Os americanos já identificaram que o crescimento do futebol (soccer) dentro dos EUA é algo indiscutível. Até os empresários dos setores do basquete e do beisebol profissional dos EUA já reconhecem que o crescimento do futebol, por lá, é irreversível, crescente e constante, tanto entre os imigrantes quanto entre os nativos. Pronto! Sendo pragmático, pondero: Como grandes investidores, sérios e profissionais, poderiam ousar investir centenas de milhões de dólares no futebol (soccer), se este setor bilionário e tão lucrativo é dominado e administrado, mundialmente, pela Fifa através de um sistema corrupto, viciado, irresponsável e avesso à transparência? Como investir em jogadores e times que disputam campeonatos manipulados pela corrupção dentro e fora do campo? Como confiar em entidades como a CBF e muitas federações estaduais, as quais são dominadas por quadrilhas organizadas e obscuras, sem regras claras, sérias e transparentes?

Em minha visão histórica - ciente de que a escravidão foi abolida por motivos muito mais relacionados à nova ordem do comércio internacional do que por motivos de respeito à dignidade da pessoa humana - penso que o interesse capitalista americano (em uma economia de megaempresas de capital aberto e governança corporativa) tem interesse em "destroçar" a estrutura corrupta e viciada da Fifa, para que se possa estruturar uma "nova ordem mundial" no futebol, onde a competência e a técnica sustentem ótimos espetáculos esportivos, que permitam aos investidores aportar centenas de milhões de dólares sem medo de perderem sua segurança para a corrupção e garanta aos fãs e torcedores a felicidade do jogo limpo.

Obs: A Alemanha já implantou um sistema de gestão sustentável no seu futebol. Resultado: Já abateu o Brasil por 7 a 1 e veio a ser campeã mundial no Maracanã. E os EUA estão cada vez mais próximos de disputar uma final na Copa do Mundo de futebol masculino. Comprova-se que a competência pode e deve humilhar a corrupção!

O autor é geógrafo e advogado, consultor em ssustentabilidade empresarial

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