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A dengue separou Severino de Dulcina

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quando a Secretaria Municipal de Saúde acreditava que Bauru estava na iminência de superar a epidemia de dengue, mais um caso fatal da doença foi registrado na cidade. Severino Dario, 89 anos, morreu em decorrência da enfermidade no dia 14 abril, mas a comprovação só veio no final de maio e foi divulgada ontem pela pasta. Trata-se da quarto óbito em razão da dengue neste ano.

Além de mais uma vítima fatal, a secretaria confirmou 283 novos casos da doença, sendo 279 autóctones e quatro importados. Até o momento, Bauru contabiliza 3.513 registros de dengue em 2015 - 3.449 deles autóctones e 64 importados.

Morador do Parque Paulista, Severino era cardiopata e possuía, ainda, doença renal crônica, hipertensão e diabetes. Segundo a família, antes de morrer, ele permaneceu internado por 11 dias no Hospital da Unimed – oito deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Ele foi diagnosticado inicialmente com pneumonia. Depois, com dengue. Os dias foram passando e ele foi ficando muito fraquinho. Chegou um momento em que eu percebi que ele não iria resistir”, comenta a esposa Dulcina Secchini Dario, 86 anos.

Natural de Ribeirão Bonito, Severino passou quase toda sua vida em Bauru. Na cidade, casou-se com Dulcina e criou os dois filhos, Maria Madalena, 60 anos, e Osvaldo, 57 anos. Durante quase três décadas, foi auxiliar de serviços gerais no Hospital Manoel de Abreu.

“Antes, a gente tinha morado em São Paulo, onde ele foi motorista de carreta em uma companhia americana. Depois que saiu do emprego, voltamos para Bauru e ele trabalhou durante um tempo como pedreiro, até passar no concurso público do Manoel de Abreu. Foi um dos primeiros da lista de aprovados”, detalha, orgulhosa, a viúva.

Lembranças

Dulcina conta que o marido, mesmo com o peso da idade, continuava um homem ativo. Com ela, frequentou durante os últimos 13 anos um projeto de melhoria de qualidade de vida de hipertensos e diabéticos desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

“Ultimamente, ele já não conseguia mais fazer os exercícios. Mas ia mesmo assim, para sair de casa e conversar com as pessoas. Ele gostava muito e participou até o fim”, relembra.

Severino também era um assíduo colaborador do Jornal da Cidade, para quem enviava textos com suas impressões sobre política e sociedade, publicados na Tribuna do Leitor. Dulcina, contudo, conta que, desde a aposentadoria, o marido havia se tornado mais caseiro, optando por dedicar mais tempo à família.

“Todo domingo, nos reuníamos em um almoço na nossa chácara. Ele era genioso, bravão, mas nunca deixou faltar nada para mim e para os filhos. Foi um homem muito dedicado, trabalhador”, descreve. A parceria bem sucedida de 67 anos do casal, ela garante, foi o que não a deixou perder as forças após a morte do companheiro.

“Faz um mês e meio que ele morreu e eu ainda não chorei. Eu tive uma vida tão boa ao lado dele que não posso me lamentar. Aproveitamos muito o tempo em que estivemos juntos, com saúde, e é essa a lembrança que eu quero guardar”, completa.

Severino foi sepultado no Cemitério da Saudade no mesmo dia de sua morte. Além de Dulcina e dos dois filhos, ele deixou três netos e duas bisnetas.

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