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Volta à escola depois de sessenta e quatro anos

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Não se trata de minha volta, fato que não seria algo significativo, mas sim de um currículo unificado para as escolas do sistema nacional de ensino, nos níveis educação infantil, primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental, além do ensino médio. Segundo informações publicadas recentemente (JC 25/5), o Ministério da Educação (MEC) pretende concluir até julho a versão preliminar da Base Nacional Comum, isto é, o que os alunos nos variados níveis da educação básica "precisam aprender" com o estabelecimento para o currículo de um percentual mínimo obrigatório em determinadas disciplinas ou matérias e outras atividades.

Esse percentual mínimo obrigatório do currículo base, isto é, aquilo que o aluno necessariamente tem que saber ou dominar em nosso país é adotado em determinados países mais adiantados do mundo, variando de 60% a 80%, sendo o restante acrescido ou determinado pelo sistema estadual, escola e comunidade. Segundo especialistas de diversas áreas, não apenas o ensino mas de outras como econômica, humana e científica, a falta do currículo único é um dos entraves para o avanço educacional do país que apresenta baixa qualidade do ensino. Fato comprovado pela baixa colocação do Brasil no "ranking" mundial, ficando para trás de alguns vizinhos a América do Sul. Um país deve atingir seus objetivos e fins através da educação. Uma equipe de 116 especialistas que foi dividida em 29 comissões trabalha na redação preliminar do texto que, quando finalmente aprovado pelo Conselho Federal de Educação (CFE) integrará o Plano Nacional de Educação, com vigência prevista para 2016. Ressalte-se, entretanto, que a parte técnica e pedagógica do professor é livre pois cada um pode ter a sua maneira ou técnica de ensinar ou transmitir o conteúdo do currículo. Adivinhando o pensamento ou colocação do leitor sobre a relação de tudo que foi reproduzido acima com o título desta matéria afirmo que no passado, em todas as áreas do conhecimento humano, há verdadeiros tesouros esquecidos, subestimados pelo que é "moderno" ou atual; experiências que deram certo e são menosprezadas como velhas ou ultrapassadas. Pois, já em 1951, quando comecei a lecionar tinha às mãos o Programa Oficial do Ensino fornecido pela SE do Estado e que era o meu "vade-mécum" com os conteúdos que deveriam ser ensinados em matemática, português, história e geografia com sugestões de técnicas pedagógicas para os objetivos e fins determinados. Havia um Programa Oficial de Ensino para cada ano (hoje série) do antigo grupo escolar ou escola rural que era fornecido a cada professor. E a avaliação ou exames eram realizados cobrando os conteúdos curriculares do Programa Oficial. Indiscutível e inegável o elevado nível ou qualidade do ensino de nossas escolas no passado não muito distante e o marasmo da escola atual que não levanta voo, não sai do lugar. Entendo que tal medida do MEC deve constituir uma expectativa de otimismo; mas que não seja deformada por discussões estéreis que não levam a nada, como infelizmente tem acontecido. Destaco o que todos estão cansados em saber contido na máxima conhecida, porém ignorada: educação fraca, país fraco; educação forte, país forte. Maléfico e indesejável círculo vicioso que deverá, em algum tempo, ser rompido.

O autor é prof. ? Membro da ABLetras

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