Vive-se hoje em nosso país uma cruzada anticorrupção. Com tantos escândalos vindo à tona em progressão geométrica (mensalão, petrolão, Fifa, para falar dos mais recentes), a população saiu às ruas para protestar contra esse cancro que nos atinge há tanto tempo, e, ao mesmo tempo, para tornar pública sua insatisfação em sofrer os danos pelas atitudes imorais de alguns, que prejudicam a muitos. Com o mesmo intuito venho a esse espaço, fazendo dele minha passeata. Mas não para protestar contra esses grandes casos acima citados, e sim por atos de corrupção que não saem nos jornais, considerados "pequenos" e "insignificantes", que acontecem de forma recorrente no nosso dia a dia, mas que produzem-se com a mesma dinâmica: a atitude de alguns prejudica a muitos.
Como o ocorrido no sábado (30), nos portões do Ginásio de Esportes "Neusa Galetti", em Marília, na final do NBB, entre Bauru Basket e Flamengo. Como era de se esperar, o jogo atraiu muitos espectadores (sete mil e quatrocentas pessoas, segundo divulgado ao final do evento), e, como era natural, uma grande fila se formou para a entrada. Nada mais natural: quem acorda mais cedo, se organiza, se programa, chega primeiro, assiste ao jogo de local mais privilegiado e com tranquilidade. Não é esse o resultado da equação. Infelizmente, algumas pessoas ainda insistem em burlar princípios comezinhos de educação e convivência em sociedade como o simples respeito a uma fila de entrada num espetáculo. Na "cara de pau", chegam tarde e vão entrando e furando a vez de outros que chegaram cedo, se programaram, se organizaram e, agora, recebem o prêmio de assistir ao jogo em lugares piores que os deles, separados das famílias etc.
O que dá a propina conta com o anuência do corrompido, que, aceitando-a, torna-se também protagonista da imoralidade. O furador de fila é mais cruel: sequer se preocupa em justificar-se aos que prejudica. Felizmente, não houve tumultos e tudo estava bem organizado, pois havia lugares para todos. Mas, certamente, os "furadores" assistiram ao jogo em lugares melhores. Espero não vê-los em passeatas anticorrupção e nem protestando na internet (só que não!...). E espero, sinceramente, que alguns leiam esse texto e vistam a carapuça.
Gustavo Zorzella Vaz