Tribuna do Leitor

Terceirização da mão de obra


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Uma empresa não é uma criação individual, desenvolvida por uma única pessoa e que pode por ela ser guardada em sua intimidade em uma gaveta de sua casa e usufruída individualmente ou só com os mais próximos. Uma empresa é uma célula de uma sociedade, composta e levada à frente por elementos dessa mesma sociedade.


Sempre junto com eles, passa por altos e baixos, e junto com eles deve se desenvolver, crescer e compartilhar seus frutos. O empreendedor é aquele de quem parte a iniciativa de dar início a uma entidade desse tipo; essa iniciativa é importante, pois promove um desenvolvimento na sociedade e muitas vezes beneficia a todos. Ele merece e recebe em nosso sistema privilégios, vantagens, uma maior parte dos resultados positivos e o comando dessa célula. Mas não é algo coerente, justo e nem plausível criar mecanismos para que os chamados proprietários de uma empresa se desvencilhem das partes que a compõem e cortem os laços que ligam essa entidade a seus colaboradores. Pelo contrário, a justiça seria feita se se reconhecesse de modo mais humano a parte que a esses colaboradores cabe na divisão dos frutos que se colhem dessas empresas.


Não é só o trabalho, o suor, as vidas que se levam em conta. Os recursos naturais e tudo mais que alimenta uma empresa são coisas que se obtêm num meio que abriga uma sociedade; algo que pertence a todos, por igual. Soa como um sonho infantil querer tudo para si ?"tudo meu"- e não querer dividir as coisas boas com mais ninguém ? algo que se aprende que não é certo quando se atinge uma certa maturidade na vida, no desenvolvimento como ser humano e como parte de uma sociedade.


Isso não são ideias comunistas, nem socialistas, são princípios de uma vida em sociedade, e esses princípios é que mostram não ter cabimento o interesse na terceirização da mão de obra em nosso país. Esses interesses refletem esse egoísmo quase infantil e vem ganhando força graças ao poder econômico daqueles que o cultivam ?que querem tudo só para si.

O dinheiro compra cada vez mais coisas nesta sociedade, e esse dinheiro chega a manipular pessoas que têm poder de determinar o modo como se estrutura nossa sociedade, principalmente na câmara dos deputados e no congresso de modo geral. É preciso que a sociedade se conscientize e se mobilize para dizer um não a esse egoísmo, a esse erro; caso contrário, isso poderá ter consequências drásticas para todos no futuro.

Mauro Cesar P. Landolffi - professor

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