Um encarregado de obras de 37 anos teve o corpo soterrado na manhã desta terça-feira (2), na quadra 2 da rua Elias Rodrigues, no Núcleo Habitacional Presidente Geisel, após um deslizamento de terra. Os operários trabalhavam na construção de uma adutora que seria responsável pelo abastecimento de um condomínio, em Bauru. Os colegas da obra agiram rapidamente e conseguiram salvar Vilmo Cardoso Pereira, que estava com terra até o pescoço.
O acidente ocorreu por volta das 9h15. Vilmo é funcionário da empresa Fortpav, que prestava serviço para a MRV Engenharia. Ele estava em um buraco com cerca de 2,6 metros de profundidade quando a terra cedeu.
Wilson Pinheiro da Silva, de 38 anos, foi um dos colegas que participou do resgate. Ele relatou que todos trabalham no local já há uma semana. “Foi questão de segundos, não tínhamos tempo para pensar, assim que colocamos o cano lá embaixo, a terra veio abaixo e ele ficou preso. Tentamos tirar a terra com a ajuda da máquina, mas deslizava ainda mais. Foi quando começamos a tentar tirá-lo com as próprias mãos e as pás. O que nos ajudou é que ele era experiente e manteve a calma”.
Com a chegada do Corpo de Bombeiros, o local foi isolado e uma ambulância do Serviço de Atendimento de Urgência (Samu) prestou atendimento médico a Vilmo, que não teve nenhum ferimento.
Não foram apenas os colegas de trabalho que presenciaram a cena e entraram em desespero com o soterramento. Os vizinhos ouviram a gritaria e também ficaram em pânico. Moradora das proximidades, Mariana Rodrigues Barbosa disse que não era possível manter a calma diante daquela situação. “Teve uma mulher que começou a cavar com as próprias mãos, tamanho era o desespero dos colegas de trabalho”, descreveu.
Pela segunda vez
Vilmo disse que esta é a segunda vez que passa por uma situação como essa. “Foi um susto, mas, em 16 anos de profissão, estamos preparados para tudo. Em Botucatu, há muito tempo atrás, já vivi uma situação similar”, desabafou.
Por mais heroico que seja o ato, o comandante do 1.º Subgrupamento de Bombeiros, capitão Artur Scachetti, não recomenda que pessoas tentem o salvamento. Ele explica que é muito arriscado para todos.
O capitão relembrou a tragédia que ocorreu em 2009, quando um pedreiro e dois bombeiros morreram soterrados (leia mais abaixo). “Não dá pra julgar o que aconteceu, porque as pessoas entram em desespero nessas situações e arriscam a própria vida. Neste local, as condições não estavam nem um pouco favoráveis, a terra está visivelmente encharcada, o que propicia esse tipo de deslizamento”.
A reportagem tentou, por mais de cinco vezes, contato com a empresa Fortpav, porém, não houve retorno até o fim da noite.
Já a MRV Engenharia disse, por meio de nota, que “na manhã de hoje (terça, 2) houve um incidente com um o trabalhador da empresa da Fortpav que prestava serviço ao DAE de Bauru quando o houve um pequeno escorregamento do barranco”.
Por meio da assessoria de comunicação, contudo, o DAE afirma que não tem qualquer relação com a obra que estava sendo executada ontem.
Em 2009
Uma obra para construir uma fossa séptica de 10 metros de profundidade em um condomínio residencial, em abril de 2009, em Bauru, terminou em tragédia. Os bombeiros tentaram resgatar o corpo de um pedreiro soterrado. Durante a tentativa, houve outros deslizamentos de terra. Os bombeiros subiram na pá da retroescavadeira usada na remoção da terra da fossa para descer até o corpo.
Quando os dois começaram a cavar para alcançar o pedreiro, houve movimentação grande de terra. Ambos foram soterrados e a corda que os prendia à retroescavadeira arrebentou. Os três morreram.
Éder Azevedo |
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Obra desmoronou e trabalhador ficou coberto por terra no Núcleo Geisel |